".Sobretudo nas horas em que tudo / de repente se esvazia / e pesa mais que tudo esse vazio / ... / é precisa (mais que tudo) a poesia."
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Domingos Figueiredo
Um País "Cor de Burro Quando Foge"
12-01-2011

Estas eleições, fazem lembrar aquelas em que o Dr. Mário Soares foi reeleito:

os jornais estavam cheios de umas trapalhadas nada dignificantes que tinha havido em Macau, da responsabilidade de amigos políticos do Presidente.

Pressionado num debate televisivo (o último), O Sr. Mário Soares espetou o dedo no ar, na direcção do opositor e disse:

«Oh Sr. Engenheiro!... Olhe que eu sou um homem impoluto!!».

e o Eng.º Basílio Horta , "soberanamente", deixou-se, escorregar na cadeira e respondeu:

«Mas os seus amigos não são...».
e eu pensei:

"vai ter de haver uma segunda volta".

E enganei-me.
Ou melhor: eu estava certo:

foi o País que se enganou.

Um Presidente questionado daquela forma, fossem muitas ou nenhumas as suas culpas,

nunca devia ser reeleito à primeira volta.

Foi (e é) por essas e outras... que o País está neste miserável estado de finanças e de cidadania em que se encontra.

Neste "abaixamento de carácter" de que falava Eça de Queiroz