"Entre o agora e o nunca / lá onde só se chega não chegando / um pouco antes talvez depois / quando."
Manuel Alegre
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Manuel Alegre do dia da morte de Otelo Saraiva de Carvalho:
“Otelo é o 25 de Abril. O país deve-lhe a Liberdade”
25-07-2021 RTP 3, noticiário das 17:00

Otelo era meu amigo. Eu estou-lhe grato, como português, por aquilo que ele fez no 25 de Abril. Ele coordenou o 25 de Abril, o Dia da Liberdade, ou “a liberdade feita dia”, como disse Eduardo Lourenço. Ele é o 25 de Abril, isso é irrepetível e basta para ele estar na História, ele já está na História.

Além disso, era meu amigo. Estive com ele pouco depois de regressar do exílio e entreguei-lhe uma carta de um amigo e colega dela na Academia Militar. Tivemos há não muito tempo um jantar de quatro amigos, agora só resto eu e outro. É por isso, de um ponto de vista pessoal, um dia triste. Tinha uma empatia com Otelo, havia calor humano nele, quando telefonava e dizia «Olá, Manel», naquela maneira dele, com o «Ó pá». Apetece-me dizer-lhe: Estou-te grato, pá! Porque ele mudou a História. O que fica da política são aqueles atos que mudam a História. Ele mudou a história do nosso país e indirectamente a história de outros países.

O que o país lhe deve é a Liberdade, naquele dia 25 de Abril. Não só a ele, mas ele foi o coordenador, por isso foi o símbolo. Naquele dia, Otelo rima com Liberdade. Eu hoje queria falar apenas desse dia, não do resto, isso depois se falará. Mas não é preciso um grande distanciamento, como disse o senhor Presidente, com todo o respeito. Otelo já está na História. Nós devemos-lhe a Liberdade.

O meu sentimento é o de muitos portugueses que se reconhecem no Dia da Liberdade, no 25 de Abril. E quero dizer também uma outra coisa: eu não tenho dúvida nenhuma, e digo isto com profunda convicção, que se Mário Soares cá estivesse e tivesse poder, decretaria o luto nacional pela morte de Otelo.