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Manuel Alegre
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Entrevista de Manuel Alegre à Antena 1
"Entre o Tejo e a Celtejo, tem de se escolher o Tejo"
09-02-2018 Entrevista conduzida por Maria Flor Pedroso, Antena 1, com Público (excertos)

Em entrevista à Antena 1, Manuel Alegre defende que é preciso “combater esse populismo inorgânico das redes sociais e de alguns sectores da comunicação social e do Ministério Público”. Criticando "um certo desleixo do Estado" e a sua "captura por interesses particulares", Manuel Alegre exemplificou com as descargas poluentes no Tejo e afirmou que "entre o Tejo e a Celtejo, tem de se escolher o Tejo, não pode haver complacência e tem havido. Se não houvesse eles não faziam aquilo que estão a fazer”.
Oiça a entrevista na íntegra AQUI

Manuel Alegre considerou um sinal muito preocupante a investigação contra o Ministro das Finanças: "Aquela coisa do Centeno preocupou-me muito, porque é uma provocação, um desafio, aquilo é uma coisa totalmente inadmissível”, porque “atinge um político brilhante, que está num alto cargo na Europa, prestigiando o país”, afirmou. "Aquilo não pode ficar sem consequências", considerou, "porque isso já nem tem nada a ver com a justiça nem com o Estado de Direito, é contra o Estado de Direito, contra a Democracia, contra um sentido democrático de aplicação da justiça". “O que é que se pretende com aquilo? Quem é que controla os controladores, quem é que investiga os investigadores? Aquilo não pode ficar, não devia ficar sem consequências”, reiterou.

Questionado por Maria Flor Pedroso sobre quem deveria ter agido, Manuel Alegre afirmou: "o Presidente da República, a Assembleia da República, o Conselho Superior de Magistratura; e no Ministério Público há quem possa agir também", respondeu, defendendo que as consequências deste "não caso" deviam passar por saber "quem é que, sem a presença e o mandado de um juiz, vai ver um computador de pessoas que trabalham directamente com o ministro das Finanças”.

Contra o populismo inorgânico, a coragem dos valores democráticos

A escrever um novo livro, da infância até ao exílio, Manuel Alegre considera que há em Portugal um "populismo inorgânico" que sente estar a crescer "nas redes sociais, em sectores da comunicação social, sectores do Ministério Público e também no Parlamento", com a “cedência e complacência” dos deputados, para promover "leis absurdas, excessivas, que nunca existiram nem têm que existir" como a dos presentes até 150 euros. Considera que os deputados estão a agir "como se se sentissem previamente culpados", legislando “no pior sentido da anti-política portuguesa”. “Nós temos as leis suficientes para combater a corrupção, mas o combate à corrupção não pode ser utilizado para fins políticos" porque isso “favorece o populismo”.

“O político que é eleito não é potencialmente um criminoso, nem deve tratar-se a si mesmo como se fosse um criminoso. Não deve legislar nesse sentido de estar a defender-se. Isso é enfraquecer a política e os políticos e a democracia", afirmou, lembrando antecedentes negativos no tempo da liderança do CDS-PP de Manuel Monteiro, em que os outros partidos foram atrás de propostas populistas. Na sua opinião, a solução para os abusos deve ser a posteriori, aplicando-se as leis que já existem: Os corruptos “devem pagar. Alguns estão a pagar, outros ainda vão pagar. Espero que as coisas se clarifiquem”.

Manuel Alegre insistiu na necessidade de "ter a coragem de afirmar os valores políticos democráticos, a coragem de ser impopular, combater esse populismo inorgânico das redes sociais, sectores da comunicação social, sectores do Ministério Público ou quem quer que seja que dá certas informações; e combater também as cedências que fazem os partidos políticos”.

Esta solução governativa deve manter-se e aprofundar-se

Manuel Alegre considera que "seja qual for o resultado eleitoral" nas próximas legislativas, "esta solução governativa deve manter-se e aprofundar-se", sobretudo no que respeita ao Estado Social, dando como exemplo a necessidade de uma nova lei de bases da Saúde. Alegre foi sempre defensor da convergência das esquerdas e recordou que na noite eleitoral de 2015 as únicas pessoas que puseram essa hipótese foram Jerónimo de Sousa e ele próprio. Uma das grandes vantagens da actual solução, disse, foi ter voltado a recentrar "as eleições legislativas como eleições para deputados" e não eleições directas para primeiro-ministro, recolocando o Parlamento como o local onde se constroem as maiorias.

Questionado sobre o PSD, Manuel Alegre entende que "a democracia precisa de uma boa oposição" mas manifesta-se contra um eventual "bloco central", já que "o bloco central falhou em todo o lado, é uma convergência de interesses" que leva "à politica dos interesses". Para Alegre, "o pacto de regime é a Constituição."

Preocupado com a imprevisibilidade da América de Trump, Alegre lembrou Mitterrand que dizia: "pior que o equilíbrio do terror é o desequilíbrio do terror". Defensor da nossa presença na Europa, Manuel Alegre considerou que "estarmos na Europa não significa a dissolução da Nação nem da nossa identidade". E sobre o "brexit", Manuel Alegre, respeitando a decisão do povo britânico, recordou que, em criança, andou, durante a guerra, com o emblema da RAF (Royal Air Force) ao peito e que a dada altura "a Inglaterra combateu o nazismo sozinha", para concluir: "Teremos sempre a Inglaterra!"