"Corri riscos, estive com pessoas que pertencem à História. Tudo isso fez de mim aquilo que sou."
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Discurso Directo
> Discurso Indirecto
*
Manuel Alegre em Coimbra
Ninguém nos impõe a história, somos nós que fazemos a história
15-01-2011

Amigos, companheiros e camaradas
Estou aqui com o mesmo espírito de luta com que há muitos anos usei pela primeira vez da palavra numa assembleia magna da Associação Académica. Portugal era então um país oprimido e a liberdade era uma palavra proibida. Mas houve alguns que não se submeteram. Houve alguns que resistiram, que tanto teimaram que acabaram por conseguir. Também então se dizia que a liberdade era uma utopia. Mas houve alguns que acabaram por conseguir realizar essa utopia.

Um certo espírito do 25 de Abril começou muito antes, aqui em Coimbra, pela voz do Zeca Afonso, do Adriano Correia de Oliveira, pela voz de uma geração que soube resistir e soube dizer não.

É com esse espírito que eu estou hoje aqui, para de novo dizer não à fatalidade, para dizer de novo que ninguém nos impõe a história, somos nós que fazemos a história e a história destas eleições ainda não está feita, a história destas eleições está nas nossas mãos.

É certo que há muitos anos a escolha era difícil mas de certa maneira era mais clara e mais simples. Tratava-se de escolher – ou lutar, ou optar - entre a liberdade e a ditadura. Agora trata-se de escolher entre uma democracia com todos os seus direitos ou uma democracia sem os seus direitos sociais, o que é o mesmo que mudar de democracia, mudar de regime.

E é por isso que a minha candidatura é uma incomodidade. Porque nós não estamos a lutar apenas contra um adversário político. Nós estamos a lutar contra grandes interesses nacionais e não nacionais que querem tomar conta da saúde, do ensino e, através das seguradoras, da segurança social. E para desequilibrar as relações de trabalho, precisam de pôr em causa e eliminar o conceito de justa causa (nos despedimentos). E por isso precisam de um Presidente complacente, de um Presidente que deixe fazer. Porque não é preciso fazer uma revisão constitucional para se descaracterizar o Serviço Nacional de Saúde, para se descaracterizar o sistema público de educação, a segurança social e o conceito de justa causa. É preciso é um Presidente complacente.

Eles sabem que sendo eu um homem de liberdade, um homem de tolerância, eu serei intransigente na defesa dos serviços públicos e dos direitos sociais consagrados na Constituição da República. E é isso que está em causa. E por isso há tantos meios, tão poderosos, a tentar levar ao colo o candidato Cavaco Silva. Ele é o homem da complacência, ele é o homem da cumplicidade com esses grandes interesses nacionais e não nacionais, porque senão não estaria calado perante a ofensiva dos especuladores contra a nossa economia, contra o nosso país, contra a nossa soberania nacional.

Esta é uma luta política, cívica, ideológica e social
E esta é uma luta política, uma luta cívica, mas como aqui foi dito, nomeadamente pelo Almeida Santos, por José Manuel Pureza e pelo Arnaut, é também uma luta ideológica. É uma luta entre um candidato que representa o neo-liberalismo, o pensamento único da economia dominante, que esteve na origem da crise mundial e do colapso do capitalismo financeiro mundial, e os valores, os valores da democracia entendida como democracia política, económica, social e cultural, a democracia com uma dimensão de solidariedade e de justiça social a que alguns chamam socialismo, a que alguns chamam outra coisa, mas que é uma democracia com direitos sociais.

É uma luta cívica, é uma luta política e é uma luta ideológica. E até vou empregar um chavão. Porque a direita da Europa, a direita mundial e a direita portuguesa estão a reinventar a luta de classes: querem o poder todo contra a maioria dos trabalhadores, contra a maioria dos pequenos e médios empresários, contra a maioria esmagadora do povo português.

E por isso isto é também uma luta social. Temos que saber de que lado estamos. Não basta dizer “eu sou um homem do povo” e depois estar do lado do grande poder da banca, do grande poder financeiro, do grande poder do capitalismo internacional. Se se é um homem do povo, que se seja fiel à raiz, que se seja fiel às origens, que se esteja mais perto daqueles que menos têm, daqueles que mais precisam e daqueles que estão a sofrer todos os dias as consequências desta crise.

Há sempre outros caminhos
Crise na Europa e crise em Portugal. Uma crise sobre a qual é preciso reflectir. Porque é a crise de um modelo económico, é a crise de uma ideologia, de um pensamento dominante que não nos deixa hoje crer, ou nos quer fazer crer que não há outros caminhos e que não há outras alternativas. Há sempre outros caminhos por onde se pode andar e esse é que é o problema.

Eu sei que na minha juventude, quando nós nos batíamos aqui em Coimbra e não só em Coimbra, contra o fascismo (que era assim que se dizia), contra a Pide, contra a censura, nós também recorríamos a modelos. Havia então as grandes narrativas de libertação, havia os modelos políticos acabados. Hoje não há modelos, hoje não temos modelos a quem recorrer. Mas temos que ter a capacidade, o espírito inventivo de encontrar novas soluções. Não um modelo acabado, mas novas soluções alternativas que nos façam sair desta crise no plano mundial, no plano europeu e no plano nacional.

Nós já fomos várias vezes pioneiros. Tenho dito isto em toda a parte. Quando as naus portuguesas partiram para o mar desconhecido, criaram a base e as condições da primeira revolução cultural e científica que esteve na origem do renascimento europeu. E fomos Europa antes de Europa o ser. Não temos que ter complexos de inferioridade, não temos que ter complexos de bons alunos. E quando veio a revolução liberal, foi uma das primeiras revoluções liberais na Europa. E quando se fez a República, só havia duas outras repúblicas, a França e a Suíça. E quando se fez o 25 de Abril, isso foi um movimento pioneiro e precursor que abriu o caminho à nova vaga democrática, à transição democrática na Espanha, na Grécia, e que inaugurou no mundo uma nova era de democracia e de liberdade.

Já estamos a abrir o caminho para que algo de novo seja possível
Nós podemos ser de novo pioneiros, precursores. E estamos a sê-lo resistindo ao FMI, batendo o pé ao FMI, batendo o pé àqueles que de fora e àqueles que de dentro querem cá o FMI. Nós já estamos a resistir, nós já estamos a abrir o caminho para que algo de novo seja possível. E esse algo de novo não é um modelo acabado disto ou daquilo, é a procura de novas soluções, é dizer aos senhores que mandam no mundo e aos senhores que querem mandar na Europa: Esse não é o caminho, o caminho da imposição, da nova ditadura dos mercados financeiros, das políticas de austeridade, de recessão e de desemprego, esse não é o caminho! Esse não é o caminho!

E por isso eu assumo esta candidatura com essa dimensão. A dimensão cívica, a dimensão política, a dimensão ideológica e a dimensão social. Estou aqui por esse espírito, o espírito do 25 de Abril. E não tenho vergonha de o dizer e isto não é nenhum arcaísmo, isto é falar do futuro, porque o 25 de Abril fez-se para aqueles que ainda não nasceram, para aqueles que ainda não eram nascidos é que se fez o 25 de Abril.

E por isso a minha candidatura é uma incomodidade. É uma chatice. Veio estragar a festa. Veio estragar aquilo que parecia feito. Tudo se fez para desvalorizar a eleição presidencial. Não era preciso fazer campanha, não era preciso coisa nenhuma, ele já estava eleito. Mas não está eleito, nada está decidido. E a prova está aqui, como esteve em Castelo Branco, como esteve em Viseu, como esteve na Madeira, como esteve em S. Miguel. São os portugueses e as portuguesas que vão decidir. Não é a grande banca, não são os grandes interesses económicos, não são aqueles que estão na sua comissão de honra, não são esses que vão decidir, nem são aqueles que de fora querem abrir o caminho à entrada em Portugal do FMI.

É uma coisa aliás curiosa: ninguém explica o que significa a entrada em Portugal do FMI. Ninguém explica que isso significaria o despedimento de milhares e milhares de funcionários, o agravamento brutal das condições de vida do povo português. Ninguém explica. Nós já não temos a soberania da nossa moeda. Por que é que alguns têm tanta pressa e sorriem quando se fala da entrada do FMI em Portugal? Não é só pela impaciência de irem para o poder, não é só por isso. É que o FMI viria realizar em Portugal o programa político que eles gostariam de aplicar mas não têm a coragem de submeter a votos, porque sabem que esse programa seria derrotado fossem quais fossem as circunstâncias.

Esta é também uma luta cultural
E por isso digo aqui em Coimbra, que é a minha capital cívica e cultural, que esta também é uma luta cultural. Pela dimensão cultural da política, pela dimensão cultural da cidadania, pela dimensão ética da cidadania. Eu sou um socialista que tem uma inspiração anteriana. E ele (Antero de Quental) dizia que o socialismo é um protesto moral. Um protesto moral contra a injustiça, contra o capitalismo e contra a exploração. Foi há muito tempo mas continua a ser muito actual. Eu tenho essa inspiração. A do socialismo ético de António Arnaut, que era a dimensão de nosso Antero. É uma luta com todas estas dimensões.

Mas eu estou aqui também pelos valores da República, pelo espírito de serviço público da República, que aprendi na minha família mas também com uma grande referência cívica que ainda continua a ser a principal referência cívica da minha vida – o Dr. Fernando Vale. O espírito da República, o primado do interesse geral sobre lógicas corporativas, sobre o amiguismo e sobre a promiscuidade entre os negócios e a política. O espírito de serviço público, o espírito da liberdade que é feita de liberdades e de luta contra todas as formas de discriminação – de condição social, de género, de raça, de orientação sexual. Estou aqui por esses valores, por aquelas leis que foram aprovadas e que eu votei na Assembleia da República e que mudaram os costumes e representaram grandes avanços civilizacionais que colocaram Portugal na vanguarda da Europa.

Estou aqui também, por uma certa visão de Portugal, que aprendi com muitos e em muitos livros. E aprendi de perto também em muitas conversas, com uma grande referência da nossa Coimbra, o grande Miguel Torga. Com ele aprendi a “nunca descrer do chão duro e ruim” nem “desta nesga de terra debruada de mar”. É essa a lição: a fidelidade à raiz, mas com uma visão universalista e cosmopolita de Portugal; a consciência de que nós não temos poder militar nem poder económico, mas temos uma grande força, que é a força da história, a força da cultura, a força da língua, da grande língua portuguesa. Eu tive aqui um grande mestre, que foi o Professor Paulo Quintela, um homem que me ensinou os poetas, que me ensinou as sílabas, a falar o português com as sílabas todas.

São três grandes referências que tenho aqui de Coimbra. E é também por esses valores que aqui estou: pela República, pela portugalidade entendida como abertura ao mundo, com uma visão universalista, e pela grande língua portuguesa. Porque nós somos um país pobre, sem poder militar, sem poder económico, mas temos uma grande riqueza que é a da história, que é a da cultura, que é a da língua e que é a da relação multissecular com outros povos. E precisamos de um Presidente da República que seja capaz de compreender isso, de ter uma visão cultural, uma visão da história e potenciar esse capital que é o grande capital de Portugal.

Estou aqui pela democracia. Eu nunca tive de fazer exame de aptidão à democracia. Aprendi a democracia quando ela ainda não existia no nosso país, aprendi a democracia a lutar contra a ditadura. Estou aqui pela democracia com todas as suas dimensões e não quero a nossa democracia mutilada. Eu estou aqui também pela minha interpretação do socialismo, o socialismo com as letras todas, como nós costumamos dizer, com todo o seu significado, o socialismo como o tal protesto moral, o socialismo como essa dimensão social e cultural que deve ter a democracia.

Não estou refém de ninguém
E aquilo que está em jogo, neste momento, é muito simples. É uma pergunta muito simples: queremos ou não queremos uma democracia com Estado social? Porque é isso que se vai decidir no dia 23 de Janeiro. Essa é a questão. Queremos ou não queremos o Serviço Nacional de Saúde? Queremos ou não queremos um sistema público de educação? Queremos ou não queremos a segurança social pública? Queremos ou não queremos relações laborais justas? É isso que se vai decidir.

Eu desta vez tenho o apoio do meu partido, do Partido Socialista - e isso deve-se em grande medida ali ao meu querido amigo e camarada António Almeida Santos. Tenho o apoio do Bloco de Esquerda, tenho o apoio de movimentos cívicos que estiveram na génese da minha candidatura. Tenho o apoio de muitos cidadãos independentes, da esquerda e não só da esquerda, que se reconhecem nesta candidatura e sobretudo que não se reconhecem na outra candidatura. Mas eu não sou refém dos apoios que tenho. Eu continuo a ser o mesmo – o mesmo homem livre, o mesmo homem independente, o mesmo homem que pensa pela sua cabeça. Tenho a minha família política, sou fiel à minha família política, mas a minha família política sabe as incomodidades que eu posso causar porque penso pela minha cabeça, não abdico de pensar pela minha cabeça. E sou o mesmo de sempre, não estou refém de ninguém.

Cavaco Silva deixou de ser garante da estabilidade política
Mas o candidato Cavaco Silva, pelas afirmações que tem feito ultimamente, está refém dos dois partidos que o apoiam e estão com pressa der chegar ao poder empurrados por ele, encostados a ele. E é por isso que ele veio falar de crise política; porque ele não veio falar de crise política, ele veio ameaçar provocar a crise política, ou seja, dissolver a Assembleia da República para abrir as portas do poder aos dois partidos que o apoiam. E é isso também que está em causa. E por isso ele, que é candidato mas ainda é Presidente da República, deixou de ser um garante da estabilidade política. Ele é neste momento um factor de instabilidade.

Mas também não é um garante da estabilidade social. Precisamos de um Presidente da República que seja um mediador social. Não um Presidente da República que recebe 50 e tal vezes os representantes das entidades patronais e apenas 6 vezes os representantes dos sindicatos, mas um Presidente que seja capaz de ouvir e falar com todos, com todas as partes, porque só assim pode desempenhar o seu papel de mediador social. Ele não é um garante da estabilidade social porque tomou um partido, um partido social, um partido de classe. Ele, que é um homem do povo, tomou um partido de classe, do outro lado, não se demarcou do projecto estratégico desses dois partidos que é um projecto estratégico de desmantelamento e destruição do Estado social, tal como está consagrado na Constituição da República.

E há também a questão da liberdade. Se os direitos sociais são esvaziados, se a nossa Constituição é descaracterizada, a democracia não fica na mesma. E a liberdade política também não fica na mesma, a democracia também não fica na mesma. E foi muito bom que hoje aqui fosse lembrado o que aconteceu quando o actual candidato Cavaco Silva foi Primeiro Ministro de Portugal, porque foi então que houve cargas policiais sobre os estudantes, sobre os trabalhadores e os vidreiros da Marinha Grande, sobre os utentes da ponte 25 de Abril.

Agora há manifestações, com certeza. Eu próprio vi ali e recebi uma grande manifestação que me veio entregar uma petição. Tem havido outras, houve a greve geral, mas eu não me recordo de ter havido qualquer carga policial contra aqueles que se manifestam. E isso é uma diferença substancial, que todos têm que compreender, entre um governo de esquerda, mesmo que a gente discorde dele, e um governo de direita, com um Presidente como Cavaco Silva reeleito e enfeudado a essas forças políticas. Isso é uma diferença substancial: a questão da tolerância e do respeito pelos outros, do respeito pela diferença.

Eu não insulto os jovens que estão noutras candidaturas
Eu apelo aos jovens para participarem na vida política, apelo aos jovens para votarem. Mas eu não insulto os jovens que estão noutras candidaturas. Eu não chamo medíocres aos jovens que estão na candidatura de Cavaco Silva. Mas também não aceito nem admito, e considero isso como um insulto político, como uma baixeza política, virem insultar os jovens que estão na minha candidatura e que me orgulho de ter na minha candidatura.

Apelo aos jovens e à responsabilidade dos jovens. Mesmo daqueles que estão desinteressados da política. Não se desinteressem da política, porque se vocês se desinteressam da política deixam a política àqueles que vão governar e fazer política contra os vossos direitos e contra o futuro da juventude. Não se desinteressem!

É uma das minhas preocupações e é um dos meus compromissos. Temos hoje gerações mais qualificadas do que as anteriores, que não encontram resposta no mercado de trabalho, que começam a perder a confiança em si próprios, no futuro e no seu país. Esta é uma questão grave da democracia. A democracia precisa da juventude. Nós precisamos de mudar de modelo económico para que a juventude venha trazer a sua capacidade, a sua energia, a sua capacidade de inovação tecnológica e social para mudar a nossa economia e para ajudar a nossa sociedade e o nosso país. É uma das apostas da minha candidatura. Nós, por um conjunto de circunstâncias, podemos ser obrigados a congelar tudo, mas, como tenho dito, não podemos congelar o futuro da nossa juventude, porque isso é grave para o país, é grave para a democracia.

E esta é uma questão essencial e este é um dos meus compromissos. E eu digo aos jovens: eu serei o vosso companheiro de viagem. Eu não digo aos jovens: conformem-se. Eu digo aos jovens: façam um pacto de insubmissão contra a precariedade da vossa vida. Ajudem a mudar a sociedade. Isso não se faz com conformismo, nem com resignação, nem com desinteresse, mas com participação, com espírito crítico, com intervenção.

Não permitam a reeleição de um Presidente complacente
E dirijo-me a todos. Isto é uma batalha de esquerda e direita. Vai ser, já é uma batalha de esquerda e direita. Mas é mais do que isso, é um combate entre uma visão humanista e solidária da sociedade e uma visão egoísta, a visão do poder do dinheiro e de um capitalismo desenfreado, sem ética nem regra, que quer tudo e que transformou a economia numa economia de casino.

E por isso eu apelo a todos aqueles – e tenho-o dito e não me envergonho e repito – que se reclamam da doutrina social da Igreja: apliquem-na na prática. Não permitam que Cavaco Silva seja outra vez Presidente da República porque ele será um Presidente complacente com aqueles que visam pôr em causa a nossa sociedade, tal como ela foi concebida e consagrada na Constituição da República.

E dirijo-me a toda a esquerda, aos socialistas, aos bloquistas, aos comunistas, a todos. Não se distraiam, não se abstenham, não venham depois queixar-se, se se distraírem ou se ficarem em casa. O que está em causa é mesmo o espírito da esquerda, o futuro da esquerda, o futuro da democracia, tal como ela nasceu com o 25 de Abril, tal como a fizeram os deputados constituintes, tal como ela foi consagrada na Constituição da nossa República.

É esse o meu combate, é por isso que estou aqui, é por isso que não baixo os braços. Estou aqui com o mesmo espírito, como disse, com que falei pela primeira vez na assembleia magna em Coimbra. Com espírito de resistência, com espírito de combate, com espírito de luta, convencido de que é possível.

Vamos realizar essa utopia
Já me chamaram utópico. O Professor Freitas do Amaral, na apresentação do candidato Cavaco Silva, falou de utopia, que eu era o candidato da utopia. Pois é. Se defender a democracia e o Estado social é uma utopia, eu digo-vos: vamos realizar essa utopia. Se combater as desigualdades é uma utopia, vamos realizar essa utopia. Se querer um Portugal mais justo e solidário é uma utopia, vamos realizar essa utopia. Se vencer Cavaco Silva é uma utopia, vamos realizar concretamente essa utopia. O 25 de também era uma utopia e fez-se o 25 de Abril. Se querer uma sociedade mais livre, justa e fraterna é uma utopia, vamos realizar essa utopia.

Vamos à luta, vamos à luta, vamos à luta!

Viva a República!

Viva Portugal!