"De cada vez que o Parlamento cede ao populismo, este não agradece, reforça-se"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre na Mesquita de Odivelas:
"É importante que Portugal se afirme como lugar de encontro e de paz"
29-10-2010

Muito obrigado pela vossa tolerância. A minha presença aqui hoje é a expressão de um claro compromisso. Se for eleito Presidente da República, serei o garante dos direitos, liberdades e garantias consagrados na Constituição da República Portuguesa, entre os quais avultam a liberdade de consciência, de religião e de culto de todos os cidadãos nacionais ou estrangeiros residentes.

Vivemos numa democracia na qual ninguém pode ser perseguido, privado de direitos ou isento de obrigações ou deveres cívicos por causa das suas convicções ou prática religiosa e que aprovou uma lei de liberdade religiosa para criar condições para um tratamento equitativo das diferentes confissões.

Esta visita à vossa Mesquita é também uma oportunidade para assinalar e saudar o caminho percorrido pelos muçulmanos em Portugal nas últimas décadas, desde que começou o processo de construção da Mesquita Central de Lisboa e a institucionalização de uma nova presença islâmica em Portugal.

A inauguração da Mesquita Central de Lisboa em 1985, bem como da Mesquita de Odivelas, onde nos encontramos, são uma clara expressão do direito de cidade conquistada pelos muçulmanos, a possibilidade de prestar culto de forma aberta e livre.

Na sociedade aberta em que vivemos todos somos livres de ter, ou não ter, esta ou aquela convicção religiosa e esse é um direito de cada um de nós que todos temos o dever de defender.

Caros concidadãos, não ignoramos os demónios da violência, do desrespeito pela dignidade, e pela liberdade de consciência, de religião e de culto, que se manifestam em várias sociedades.

Portugal tem sido desde o 25 de Abril um exemplo de convivência harmoniosa e fraterna entre todos os seus cidadãos, independentemente da religião, raça ou cultura. Pretendemos que o seja cada vez mais e pela nossa parte estaremos atentos à forma como vai sendo aplicada a legislação sobre liberdade religiosa, mas sabemos que as boas leis são necessárias mas não são suficientes. É necessário o contributo de todos os cidadãos.

Temos prestado atenção ao contributo que muitos muçulmanos têm vindo a dar para o respeito de todos pela liberdade religiosa, não apenas com base nas leis, mas por profunda convicção religiosa.

Recordamos as palavras de Abdool Karim Vakil no XXV Aniversário da Mesquita Central de Lisboa, afirmando com base no Al-Corão, que peço licença para citar: «Sem dúvida que, se Deus quisesse, seríamos um único povo e uma única comunidade religiosa. Mas foi Sua vontade que fossemos povos diferentes e que nos aproximássemos d'Ele por diferentes caminhos, mas sempre através do Bem e da Justiça, deixando-Lhe o julgamento final, porque só Deus tem o poder para nos julgar».

Não ignoramos que é necessário o contributo cívico das diferentes confissões religiosas, o aprofundamento do diálogo intercultural e inter-religioso para que a convivência harmoniosa e fraterna seja sustentável na sociedade portuguesa.

Apoiamos todas as iniciativas a nível internacional, como a Aliança de Civilizações a que Jorge Sampaio tem dado todo o seu entusiasmo e empenhamento, que visam aprofundar o diálogo entre civilizações e culturas, mas temos que começar entre nós por construir uma cidade sem muros, nem discriminações, onde todos somos igualmente cidadãos.

Ninguém se pode apropriar do sentido do transcendente. A liberdade religiosa implica pluralidade e igualdade de direitos. Implica também a recusa da violência e do fanatismo.
No momento em que na Europa se verificam preocupantes sinais de hostilidade ao islamismo, é importante que Portugal de afirme como lugar de encontro e de paz, de tolerância e solidariedade, de diálogo, compreensão e fraternidade.