O candidato critica a «cooperação estratégica» e afirma que «a situação complicada do País» está aí para mostrar o falhanço de Cavaco Silva. A isso, o candidato contrapõe uma «visão política» e a necessidade de «mobilizar» os cidadãos.
Manuel Alegre de Melo Duarte recebe-nos, em sua casa, rodeado de livros, no centro de Lisboa, no dia em que o PCP anuncia uma moção de censura ao Governo e o Presidente, Cavaco Silva, declara que promulga a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em ambos os casos, é a tão falada «crise» que se adivinha nos discursos. Quanto a Manuel Alegre, nesta primeira entrevista desde que, no dia 4 de Maio, apresentou a sua candidatura às presidenciais, a situação económica modera-lhe o discurso. Chega ao ponto de afirmar que «se um País entra em bancarrota a soberania torna-se uma palavra sem conteúdo». No entanto, é «à política que», diz, «temos de regressar». Porque um Presidente da República não deve ser «um primeiro-ministro número dois», e Cavaco Silva, o seu principal adversário nas próximas eleições (em Janeiro de 2011) «não evitou que chegássemos a esta situação». Sobre Fernando Nobre, também candidato, Alegre apenas garante que não está «no mesmo campeonato»: «Não estou aqui a lutar pelo segundo lugar. Eu quero vencer.»
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