Descobrir não é criar. Chegámos sempre ao que, antes de nós, já lá estava. Mas em cada chegada aconteceu uma dupla descoberta: a dos outros por nós e a de nós próprios pelos outros.
Manuel Alegre
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Poemas de Manuel Alegre em tempo de Jogos Olímpicos
Glória aos campeões
13-08-2016

Em tempo de Jogos Olímpicos, recordamos dois heróis, homenageados por Manuel Alegre em Nada está escrito, de 2012: Jesse Owens, o negro americano que, em 1936, em Berlim, ganhou a medalha de ouro dos 100 metros, derrotando a suposta "supremacia ariana" com que Hitler quis vergar a Europa e o mundo; e o nosso Carlos Lopes, que em 1984 venceu a maratona em Los Angeles, às tantas de madrugada em Lisboa, “e com ele ganhámos a corrida /aquela madrugada e toda a vida.”

Também não podemos esquecer essa enorme figura do desporto que foi Moniz Pereira, o “senhor Atletismo”, a quem o desporto nacional tanto deve, que recentemente chegou ao fim da sua jornada, aos 95 anos de idade.

Balada para Jesse Owens

Em mil novecentos e trinta e seis
Hitler perdeu uma batalha.
Tinha aviões e tinha tanques
tinha um Estado e a Gestapo
só não tinha força para vencer
um negro chamado Jesse Owens.

Tinha SS para matar
tinha soldados para a guerra
e tinha botas para calcar
em toda a terra o pensamento.
Só não tinha ninguém para saltar
oito metros e seis em comprimento.

Tinha generais para mandar
e tinha generais para obedecer
tinha navios para conquistar
novos mercados novos mundos.
Só não tinha arianos para correr
cem metros em dez segundos.

Manuel Alegre, “Nada está escrito”, 2012

A Corrida

Era já madrugada e nós seguíamos
quilómetro a quilómetro a corrida
era já madrugada e nós corríamos
com aquele que levava ao peito as quinas
era já madrugada e nós não víamos
o loiro Menelau e as belas crinas
dos imbatíveis cavalos do Atrida.
Era só Carlos Lopes que nós víamos
e com ele ganhámos a corrida
aquela madrugada e toda a vida.

Manuel Alegre, “Nada está escrito”, 2012