"Um país tão antigo como o nosso não precisa de ser reinventado"
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Discurso Directo
> Discurso Indirecto
*
*
Apresentação do livro “O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua”
07-04-2010

Sempre que me perguntam porque escrevi um livro, apetece-me responder: porque sim. E é o que vou dizer agora: escrevi este livro porque sim, porque me apeteceu, porque tinha que ser. E mais: porque me deu muito prazer escrevê-lo. Não escrevo para sofrer, escrevo para encontrar a graça, que é, penso eu, a única compensação de quem escreve.

Se me perguntam o que é este livro, respondo que talvez seja o que são todos os livros: uma pergunta sem resposta, uma relação do mistério com o mistério.

Não sei se fui eu que inventei este miúdo ou se foi ele que me inventou a mim. Talvez nos tenhamos inventado um ao outro. E talvez assim seja toda a literatura, uma insondável mistura de realidade e ficção, sem que ao certo se saiba onde uma acaba e começa a outra. Um pouco como o jogo das escondidas em que, no livro, os netos desafiam o avô. Eles escondem-se e depois, com medo de não serem encontrados, avisam: "estamos aqui". Se calhar com a escrita é assim também, o autor parece que diz "estou aqui", mas ninguém sabe, nem ele próprio, se não é um jogo de fingimento e esconde esconde.

Seja como for, há um miúdo que conta as sílabas pelos dedos. Não só as dos versos e da prosa, mas as dos ritmos do mundo e as do seu próprio ritmo. A única coisa que posso garantir é que sempre que me olho ao espelho que alonga a figura, apesar de ver um outro, ainda vejo o miúdo que pregava pregos numa tábua.

Manuel Alegre
Palácio das Galveias