"Amália, mais do que ela, é todos nós"
Manuel Alegre
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Poema inédito de Manuel Alegre
23-12-2012

"Não podem cortar o verão/ nem o azul que mora/ aqui/ não podem cortar quem somos", diz Manuel Alegre num poema inédito intitulado "Resgate". Versos para meditar nestes tempos de "défices de vida e de sonho" e de "(...)dívida/ de alma".

Resgate
Há qualquer coisa aqui de que não gostam
da terra das pessoas ou talvez
deles próprios
cortam isto e aquilo e sobretudo
cortam em nós
culpados sem sabermos de quê
transformados em números estatísticas
défices de vida e de sonho
dívida pública dívida
de alma
há qualquer coisa em nós de que não gostam
talvez o riso esse
desperdício.
Trazem palavras de outra língua
e quando falam a boca não tem lábios
trazem sermões e regras e dias sem futuro
nós pecadores do Sul nos confessamos
amamos a terra o vinho o sol o mar
amamos o amor e não pedimos desculpa. Ler mais

*
06-12-2012

Em 4 de Agosto de 2003, agradecendo um livro que Óscar Niemeyer me tinha enviado, respondi-lhe com este poema, que hoje publico como homenagem.

Gostava de estabelecer entre as palavras e o silêncio
aquelas proporções que Oscar Niemeyer consegue
entre volumes e não volumes
entre cheios e vazios.
Gostava de inventar linguagem dentro da linguagem
como Niemeyer inventa espaço dentro do espaço.
Mas como criar na escrita o nunca escrito?
Gostava meu caro Oscar Niemeyer
de pegar na caneta e fabricar um pouco de infinito
fazer com sílabas e fonemas
o que você faz com traços e com esquemas.
Mas eu não posso meu caro eu não posso ou não sei
construir uma cidade com poemas. Ler mais

22-06-2012

50 anos após o Concílio Vaticano II, Manuel Alegre recorda poema escrito em 1963, quando estava na cadeia, dirigido a João XXIII, o "avô do século". Ler mais

*
13-06-2012

Manuel Alegre pede a Santo António um novo sermão, no dia em que passam 781 anos sobre a morte em Pádua do frade franciscano nascido em Lisboa. Ler mais

*
Poema de Manuel Alegre
Lido em Pádua, em Maio de 2012, por Hélia Correia
10-06-2012

Tinha uma flauta.
Não tinha mais nada mas tinha uma flauta
Tinha um órgão no sangue uma fonte de música
Tinha uma flauta. Ler mais

04-04-2012

Ficaste na pureza inicial
do gesto que liberta e se desprende.
Havia em ti o símbolo e o sinal
havia em ti o herói que não se rende.

Outros jogaram o jogo viciado
para ti nem poder nem sua regra.
Conquistador do sonho inconquistado
havia em ti o herói que não se integra.

Por isso ficarás como quem vem
dar outro rosto ao rosto da cidade.
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
trazendo a espada e a flor da liberdade.

Ler mais
*
24-12-2011

Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia. Ler mais

06-12-2011

1.

Ítaca estava dentro: era uma luz um rosto um cheiro
a sombra em certas tardes na sala de jantar
ou o teu sorriso debaixo da ameixieira.
Um sítio. Um sítio sagrado algures no tempo.
Um sítio por dentro. Um obscuro ponto
no mapa luminoso
do coração.

Para sempre só teu
para sempre escondido.

Como Ulisses ninguém volta ao que perdeu
como Ulisses não serás reconhecido. Ler mais

23-06-2011

Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia. Ler mais

22-01-2011

Não ficarei sentado a ver a vida

os meus cavalos correm noutros campos

travam outras batalhas noutras páginas

não se resignam à erva do sossego

os meus cavalos buscam o insondável

ei-los que vão ainda à desfilada

ao toque de clarim à carga à carga

do outro lado da noite em outra escrita

Manuel Alegre, 1989 Ler mais

25-04-2010

É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta. Ler mais

08-03-2010

Em Nambuangongo tu não viste nada
não viste nada nesse dia longo longo
a cabeça cortada
e a flor bombardeada
não tu não viste nada em Nambuangongo. Ler mais

Adriano Correia de Oliveira com António Portugal e Manuel Alegre
Adriano Correia de Oliveira com António Portugal e Manuel Alegre
08-03-2010

Eu canto para ti um mês de giestas
um mês de morte e crescimento ó meu amigo
como um cristal partindo-se plangente
no fundo da memória perturbada. Ler mais

Fotografia de Maria João Pavão
Fotografia de Maria João Pavão
25-12-2009

Neste solstício de Inverno ele vai nascer
algures no Mundo entre ruínas
no lugar do não ser ele vai ser
deitado nas palhinhas sobre as minas
em todos os meninos o menino
muçulmano judeu cristão
o mesmo coração e um só destino.

Manuel Alegre
Dia de Natal de 2009 Ler mais

*
24-12-2009

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar. Ler mais

06-04-2007

1.
Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta. Ler mais

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