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Manuel Alegre
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08-12-2014

Nas ruas de Lisboa tantas folhas caídas /
pessoa a pessoa /
também elas varridas /
tantas vidas nas ruas de Lisboa.

Manuel Alegre Ler mais

O vale de Glen em Tipperary  (direitos reservados)
O vale de Glen em Tipperary (direitos reservados)
05-12-2014
Nestes tempos de chumbo, aqui fica um poema de Manuel Alegre, intitulado "Tipperary", que evoca a canção “It’s a long way to Tipperary”, uma canção irlandesa de amor e saudade, criada em 1912 e que se tornou muito popular na Grã-Bretanha, entoada pelos soldados que partiam para a I Guerra Mundial.

Tipperary

Vamos lá então para Tipperary
que pode ser na Irlanda ou talvez não
se se soubesse ao certo ninguém ia
viajar para Tipperary é procurar
o que fica entre canto e poesia
só é não sendo e é muito mais
do que um lugar qualquer na geografia.
Vamos lá então para Tipperary
viagem dentro da viagem
canção por dentro da canção
tão mais real quanto mais somente
pura imagem
entre o agora e o nunca o sim e o não
em Tipperary mora o amor ausente
e só se chega a Tipperary não chegando
vamos lá vamos lá para Tipperary
em Tipperary não há onde nem há quando
é só um poema e uma canção.

Manuel Alegre Ler mais

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27-11-2014

Página

Planície como página
este é o chão que procurava
silêncio feito asa
quase pão quase palavra.
Para ser canto
para ser casa.

Utopia

Na brancura da cal o traço azul
Alentejo é a última utopia.

Todas as aves partem para o sul
todas as aves: como a poesia.

Poemas de Manuel Alegre, em "Alentejo e Ninguém", 1996 Ler mais

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12-08-2014

Ao passarem 30 anos sobre o extraordinário feito de Carlos Lopes nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, relembro a nossa emoção colectiva, agarrados à televisão, "era já madrugada e nós seguíamos/quilómetro a quilómetro a corrida". Ler mais

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26-07-2014

Na passagem do centenário da I Guerra Mundial, deixo um poema em homenagem ao soldado desconhecido de todas as guerras, que “Está numa frente de batalha/ e sabe que ninguém se importa.”
Manuel Alegre Ler mais

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01-07-2014

Uma atenção tão concentrada que /
parece distracção ou mesmo ausência./
Navegação abstracta e a urgência de /
conjugar o concreto e a imanência./

Ela colhe no ar a maravilha /
depois diz a safira o mar a duna /
procura o oriente o azul a ilha /
e seu canto a reúne: única e una./

E por isso o seu gesto é como asa /
onde há a Koré grega e a grafia /
de quem junta os sinais e os sons dispersos./

E o seu poema é quase como casa /
e a casa é o outro espaço onde Sophia /
reparte à sua mesa o pão e os versos./

Manuel Alegre Ler mais

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27-04-2014

Na morte de Vasco Graça Moura, cuja notícia recebi com grande tristeza, porque era um grande poeta e um bom amigo, deixo-vos um poema que escrevi para um livro em sua homenagem.
Manuel Alegre Ler mais

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19-04-2014

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Oiça-a cantada por Adriano Correia de Oliveira AQUI Ler mais

"Em cada poema levanto a pedra"
"Em cada poema levanto a pedra"
Páscoa de 2014
19-04-2014

Com votos de boa Páscoa, aqui vos deixo o meu poema "QUEM", do "Livro do Português Errante."
Manuel Alegre

QUEM

Não sei como se ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba
nem se há palavra para voltar
do grande rio do
esquecimento.
Não sei se no terceiro dia
alguém me espera. Ou se
ninguém.
Em cada poema levanto a pedra
em cada poema pergunto quem. Ler mais

Manuel Alegre, em "Poemarma", 1964
25-03-2014

"Que o poema seja microfone e fale/
uma noite destas de repente às três e tal/
para que a lua estoire e o sono estale/
e a gente acorde finalmente em Portugal".

em Poemarma (1964), incluído em País de Abril - uma antologia, de Manuel Alegre, 2014 Ler mais

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06-01-2014

Havia nele a máxima tensão / Como um clássico ordenava a própria força, / sabia a contenção e era explosão, / havia nele o touro e havia a corça.

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12-09-2013

Estão a impedi-lo de nascer
estão a matar o que já foi.
Como ferida em todo o ser
Portugal dói.

24.8.2013 Ler mais

10-08-2013

No dia 9 de Agosto de 2013/
houve uma vaga de calor. De certo modo/
ele morreu dentro de um seu romance./
Não foi notícia de abertura. Os telejornais/
mostraram mulheres gordas em Carcavelos/
e um sujeito pequenino (parece que ministro)/
a falar de "cultura política nova"./
Mais tarde este dia será lembrado/
como a data em que morreu/
Urbano Tavares Rodrigues./

Manuel Alegre Ler mais

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poema inédito de Manuel Alegre
04-03-2013

Poema inédito de Manuel Alegre inspirado por uma rapariga que apareceu no Largo do Rato com um cartaz para entregar à Troika
".../tinha vindo para avisar que a Troika / é o novo cavalo falso dentro da cidade / os seguranças rodearam-na mas ela falava / seus longos cabelos soltos sob o sol de Lisboa / clamava por justiça e dignidade / ouvissem ou não ouvissem ela era a sibila / e apontava o cavalo dentro da cidade." Ler mais

Poema inédito de Manuel Alegre
23-12-2012

"Não podem cortar o verão/ nem o azul que mora/ aqui/ não podem cortar quem somos", diz Manuel Alegre num poema inédito intitulado "Resgate". Versos para meditar nestes tempos de "défices de vida e de sonho" e de "(...)dívida/ de alma".

Resgate
Há qualquer coisa aqui de que não gostam
da terra das pessoas ou talvez
deles próprios
cortam isto e aquilo e sobretudo
cortam em nós
culpados sem sabermos de quê
transformados em números estatísticas
défices de vida e de sonho
dívida pública dívida
de alma
há qualquer coisa em nós de que não gostam
talvez o riso esse
desperdício.
Trazem palavras de outra língua
e quando falam a boca não tem lábios
trazem sermões e regras e dias sem futuro
nós pecadores do Sul nos confessamos
amamos a terra o vinho o sol o mar
amamos o amor e não pedimos desculpa. Ler mais

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06-12-2012

Em 4 de Agosto de 2003, agradecendo um livro que Óscar Niemeyer me tinha enviado, respondi-lhe com este poema, que hoje publico como homenagem.

Gostava de estabelecer entre as palavras e o silêncio
aquelas proporções que Oscar Niemeyer consegue
entre volumes e não volumes
entre cheios e vazios.
Gostava de inventar linguagem dentro da linguagem
como Niemeyer inventa espaço dentro do espaço.
Mas como criar na escrita o nunca escrito?
Gostava meu caro Oscar Niemeyer
de pegar na caneta e fabricar um pouco de infinito
fazer com sílabas e fonemas
o que você faz com traços e com esquemas.
Mas eu não posso meu caro eu não posso ou não sei
construir uma cidade com poemas. Ler mais

22-06-2012

50 anos após o Concílio Vaticano II, Manuel Alegre recorda poema escrito em 1963, quando estava na cadeia, dirigido a João XXIII, o "avô do século". Ler mais

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13-06-2012

Manuel Alegre pede a Santo António um novo sermão, no dia em que passam 781 anos sobre a morte em Pádua do frade franciscano nascido em Lisboa. Ler mais

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Poema de Manuel Alegre
Lido em Pádua, em Maio de 2012, por Hélia Correia
10-06-2012

Tinha uma flauta.
Não tinha mais nada mas tinha uma flauta
Tinha um órgão no sangue uma fonte de música
Tinha uma flauta. Ler mais

04-04-2012

Ficaste na pureza inicial
do gesto que liberta e se desprende.
Havia em ti o símbolo e o sinal
havia em ti o herói que não se rende.

Outros jogaram o jogo viciado
para ti nem poder nem sua regra.
Conquistador do sonho inconquistado
havia em ti o herói que não se integra.

Por isso ficarás como quem vem
dar outro rosto ao rosto da cidade.
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
trazendo a espada e a flor da liberdade.

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