"Amália, mais do que ela, é todos nós"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre solidário com a Grécia
22-06-2015

Neste dia de solidariedade com a Grécia, lembramos um poema de Manuel Alegre publicado no livro Chegar Aqui, em 1984, intitulado “Discurso de Péricles aos Atenienses”. Bruxelas tomou o papel de Esparta e hoje, como então, “a nossa força é a diferença”.

Discurso de Péricles aos Atenienses

Deixai-os em treino permanente
Como se a vida fosse apenas exercício
Atenas ama o vinho e a poesia
E Esparta o sacrifício

Que nos acusem de vida fácil e leviandade
Que digam que não sabemos guardar segredo
Nem combater
Em Atenas reina a liberdade
E em Esparta o medo

A nossa força é a diferença Ler mais

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No dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
10-06-2015
Neste dia em que se assinala a morte de Luís de Camões, lembremos que com a sua obra "Camões fundou uma língua e, com ela, o cartão de identidade de todos nós", como disse um dia Manuel Alegre. "Se outros fundaram o reino, a ele cabe a suprema glória de ter fundado a língua que falamos. Tanto basta para que ele seja para todo o sempre o maior dos portugueses", lembrou, "mesmo que tenha morrido na miséria e tenha sido enterrado como um cão à porta de uma igreja".
Em sua homenagem, recordamos um excerto do poema "Com que pena", do livro do mesmo nome, de Manuel Alegre.

Era ainda um léxico sibilante /
um gutural murmúrio dis- /
sonante. Diante da folha branca /
Luís Vaz de Camões.
Ninguém sabe com /
que pena com que /
tinta em /
que papel.
Ninguém saberá nunca /
com que /
letra.
E isso é como ter perdido /
uma parte do nosso próprio rosto.

(...)

Diante da folha branca /
sentado na margem do Mandovi /
em Goa. Ou talvez /
junto de um seco estéril adverso verbo.

Então o com e o que /
as sílabas mais ásperas e as rudes /
consoantes puseram-se a cantar. /
Alquimia – poderia dizer Rimbaud /
muito mais tarde. Mas era /
(segundo Pedro Nunes) /
outro mar outro céu outras estrelas.
Da obscura substância de uma antiga prosódia /
uma língua nascia.

E se alguém perguntasse como /
não morria /
tu dirias canção que /
porque /
poesia.

Manuel Alegre Ler mais

09-04-2015

Non si giunge a ritroso all’infinito
né in avanti né di lato ma per dove
nessun nome può esser detto o scritto
e nessuno sa per certo quel che cela. Ler mais

09-04-2015

Fratelli umani così abbandonati
la luce che guidava più non guida
siamo persone – dite – e non mercati
questo di certo non è tempo di poesia
vorrei recare a voi altri messaggi
con pane e vino e meno plusvalore. Ler mais

Dia 6 de março
06-03-2015

Manuel Alegre leu "Sextina", um poema do livro Chegar Aqui (1984) no programa "A vida breve, de Luís Caetano, de que deixamos um excerto em baixo
Oiça AQUI Ler mais

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24-12-2014

Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia. Ler mais

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08-12-2014

Nas ruas de Lisboa tantas folhas caídas /
pessoa a pessoa /
também elas varridas /
tantas vidas nas ruas de Lisboa.

Manuel Alegre Ler mais

O vale de Glen em Tipperary  (direitos reservados)
O vale de Glen em Tipperary (direitos reservados)
05-12-2014
Nestes tempos de chumbo, aqui fica um poema de Manuel Alegre, intitulado "Tipperary", que evoca a canção “It’s a long way to Tipperary”, uma canção irlandesa de amor e saudade, criada em 1912 e que se tornou muito popular na Grã-Bretanha, entoada pelos soldados que partiam para a I Guerra Mundial.

Tipperary

Vamos lá então para Tipperary
que pode ser na Irlanda ou talvez não
se se soubesse ao certo ninguém ia
viajar para Tipperary é procurar
o que fica entre canto e poesia
só é não sendo e é muito mais
do que um lugar qualquer na geografia.
Vamos lá então para Tipperary
viagem dentro da viagem
canção por dentro da canção
tão mais real quanto mais somente
pura imagem
entre o agora e o nunca o sim e o não
em Tipperary mora o amor ausente
e só se chega a Tipperary não chegando
vamos lá vamos lá para Tipperary
em Tipperary não há onde nem há quando
é só um poema e uma canção.

Manuel Alegre Ler mais

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27-11-2014

Página

Planície como página
este é o chão que procurava
silêncio feito asa
quase pão quase palavra.
Para ser canto
para ser casa.

Utopia

Na brancura da cal o traço azul
Alentejo é a última utopia.

Todas as aves partem para o sul
todas as aves: como a poesia.

Poemas de Manuel Alegre, em "Alentejo e Ninguém", 1996 Ler mais

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12-08-2014

Ao passarem 30 anos sobre o extraordinário feito de Carlos Lopes nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, relembro a nossa emoção colectiva, agarrados à televisão, "era já madrugada e nós seguíamos/quilómetro a quilómetro a corrida". Ler mais

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26-07-2014

Na passagem do centenário da I Guerra Mundial, deixo um poema em homenagem ao soldado desconhecido de todas as guerras, que “Está numa frente de batalha/ e sabe que ninguém se importa.”
Manuel Alegre Ler mais

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01-07-2014

Uma atenção tão concentrada que /
parece distracção ou mesmo ausência./
Navegação abstracta e a urgência de /
conjugar o concreto e a imanência./

Ela colhe no ar a maravilha /
depois diz a safira o mar a duna /
procura o oriente o azul a ilha /
e seu canto a reúne: única e una./

E por isso o seu gesto é como asa /
onde há a Koré grega e a grafia /
de quem junta os sinais e os sons dispersos./

E o seu poema é quase como casa /
e a casa é o outro espaço onde Sophia /
reparte à sua mesa o pão e os versos./

Manuel Alegre Ler mais

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27-04-2014

Na morte de Vasco Graça Moura, cuja notícia recebi com grande tristeza, porque era um grande poeta e um bom amigo, deixo-vos um poema que escrevi para um livro em sua homenagem.
Manuel Alegre Ler mais

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19-04-2014

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Oiça-a cantada por Adriano Correia de Oliveira AQUI Ler mais

"Em cada poema levanto a pedra"
"Em cada poema levanto a pedra"
Páscoa de 2014
19-04-2014

Com votos de boa Páscoa, aqui vos deixo o meu poema "QUEM", do "Livro do Português Errante."
Manuel Alegre

QUEM

Não sei como se ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba
nem se há palavra para voltar
do grande rio do
esquecimento.
Não sei se no terceiro dia
alguém me espera. Ou se
ninguém.
Em cada poema levanto a pedra
em cada poema pergunto quem. Ler mais

Manuel Alegre, em "Poemarma", 1964
25-03-2014

"Que o poema seja microfone e fale/
uma noite destas de repente às três e tal/
para que a lua estoire e o sono estale/
e a gente acorde finalmente em Portugal".

em Poemarma (1964), incluído em País de Abril - uma antologia, de Manuel Alegre, 2014 Ler mais

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06-01-2014

Havia nele a máxima tensão / Como um clássico ordenava a própria força, / sabia a contenção e era explosão, / havia nele o touro e havia a corça.

Ler mais
12-09-2013

Estão a impedi-lo de nascer
estão a matar o que já foi.
Como ferida em todo o ser
Portugal dói.

24.8.2013 Ler mais

10-08-2013

No dia 9 de Agosto de 2013/
houve uma vaga de calor. De certo modo/
ele morreu dentro de um seu romance./
Não foi notícia de abertura. Os telejornais/
mostraram mulheres gordas em Carcavelos/
e um sujeito pequenino (parece que ministro)/
a falar de "cultura política nova"./
Mais tarde este dia será lembrado/
como a data em que morreu/
Urbano Tavares Rodrigues./

Manuel Alegre Ler mais

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poema inédito de Manuel Alegre
04-03-2013

Poema inédito de Manuel Alegre inspirado por uma rapariga que apareceu no Largo do Rato com um cartaz para entregar à Troika
".../tinha vindo para avisar que a Troika / é o novo cavalo falso dentro da cidade / os seguranças rodearam-na mas ela falava / seus longos cabelos soltos sob o sol de Lisboa / clamava por justiça e dignidade / ouvissem ou não ouvissem ela era a sibila / e apontava o cavalo dentro da cidade." Ler mais

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