Descobrir não é criar. Chegámos sempre ao que, antes de nós, já lá estava. Mas em cada chegada aconteceu uma dupla descoberta: a dos outros por nós e a de nós próprios pelos outros.
Manuel Alegre
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Poema de "Auto de António, último príncipe de Avis"
28-10-2017

Por uma noite por um dia
como António fomos reis
por um corpo de mulher
pelo instante que fugia
pelo amor que se escondia
em um lugar que não havia
pelo dia que se esperava
e nunca mais chegaria
pelo reino que se amava
e era só uma palavra Ler mais

*
27-09-2017

Era um resto de cavalaria
quantos ao certo não sei
o que sobrou de Alcácer-Quibir
um resto
por seu reino e por seu rei. Ler mais

29-07-2017

De contratorpedeiro de lancha de traineira/
de navio de guerra ou barco à vela/
tudo o que navega tem um só destino/
buscar os nossos rapazes a Dunquerque./
Entre Panne e Bray-Dunes estão cercados/
trezentos mil em três quilómetros de areia e fogo/
sem eles a liberdade está perdida/
contra as bombas as ondas contra todos os riscos/
temos que ser mais do que nós próprios/
os nossos rapazes estão na praia e cada um deles/
é a Inglaterra.

Manuel Alegre Ler mais

03-04-2017

"Romance de Uma Árvore à Beira do Caminho", poema de Manuel Alegre, que faz parte de o Canto e as Armas, dedicado ao Dr. Ferreira Soares, aqui lido pelo próprio autor, que tinha apenas 6 anos, quando em Santa Maria Feira, aquele que era conhecido como o médico dos pobres foi barbaramente assassinado pela polícia política do anterior regime. Oiça e veja o poema dito por Manuel Alegre AQUI Ler mais

A japoneira no cemitério de Nogueira da Regedoura
A japoneira no cemitério de Nogueira da Regedoura
23-03-2017

Perto de Espinho havia uma árvore
havia uma árvore à beira do caminho.
E havia um buraco naquela árvore
perto de Espinho.

(E o povo sabia que havia um buraco
naquela árvore à beira do caminho.) Ler mais

04-02-2017

Este rio que traz o mar cá dentro
e sendo mar não deixa de ser rio
este rio com margens que são centro
e sendo margens são nosso navio.

Este rio que volta quando parte
e quando parte leva as suas margens
este rio que vai a toda a parte
e mesmo em casa é todas as viagens.

Este rio que sabe a mar profundo
e dentro da cidade é rua e rio
e em cada rua dá a volta ao mundo
e de Lisboa fez nosso navio.

Manuel Alegre, em "Bairro Ocidental” (2015) Ler mais

*
04-10-2016

Na hora da partida, recordo Mário Wilson, o amigo, o Capitão, aquele que era capaz do impossível.

Manuel Alegre

O Capitão

Dentro do campo ou fora dele em toda a parte /
eu canto Mário Wilson um campeão /
porque mais que ganhar ou que perder /
ele tinha outra arte /
outro saber/
ele era o Capitão.
De camisola vestida /
ou sem ela /
negra ou vermelha visível ou invisível /
ele tinha uma estrela /
no gesto na batida /
no coração /
e então o impossível era possível /
ela era o Capitão /
para mudar não só o jogo mas a vida. Ler mais

*
Poemas de Manuel Alegre em tempo de Jogos Olímpicos
13-08-2016

Em tempo de Jogos Olímpicos, recordamos dois heróis, homenageados por Manuel Alegre em Nada está escrito, de 2012: Jesse Owens, o negro americano que, em 1936, em Berlim, ganhou a medalha de ouro dos 100 metros, derrotando a suposta "supremacia ariana" com que Hitler quis vergar a Europa e o mundo; e o nosso Carlos Lopes, que em 1984 venceu a maratona em Los Angeles, às tantas de madrugada em Lisboa, “e com ele ganhámos a corrida /aquela madrugada e toda a vida.” Ler mais

02-04-2016

Na última Sexta-Feira Santa, dei uma entrevista à Sábado, a pretexto do meu novo livro “Uma outra memória”. Mas com o que não contava era com o facto de o entrevistador, Tiago Salazar, ser casado com Cristina Branco, a fadista que termina os seus espectáculos com "O Meu Amor é Marinheiro", um poema que escrevi na cadeia, que foi incluído em Praça da Canção com o título "Trova do Amor Lusíada" e que Alain Oulman musicou para Amália Rodrigues. Também Maria Betânia viria a cantar mais tarde o mesmo poema.
Manuel Alegre
Podem ouvir as três versões em baixo. Ler mais

12-02-2016

Vivia junto ao risco e junto ao perigo /
e onde outros eram sim ele era não /
e onde outros eram cinza ele era chama./
Combatia de frente o inimigo /
e os matadores sabiam que viria /
porque por si ele nunca deu ninguém /
nem tinha sina de morrer na cama. /
De peito para a bala ele corria /
do alto da sua morte ei-lo que vem /
de cada vez que Portugal o chama.

Manuel Alegre

Ler mais
*
31-12-2015

Eis que chega a palavra inesperada
neste fim de Dezembro ao expirar do ano
bate no pulso bate como um sinal
do interior da terra ou de dentro de alguém
um último recado um sopro de passagem
eis que chega de tudo o que é ausente
em morse ou noutra língua ou talvez
a última mensagem do soldado
que morre por ninguém num campo de batalha
não mais do que um sinal indecifrável
como o ano a passar uma palavra um fim.

Lisboa, 31 de Dezembro 2015

Manuel Alegre Ler mais

*
18-12-2015

Neste solstício de inverno ele vai nascer
algures no Mundo entre ruínas
no lugar do não ser ele vai nascer
deitado nas palhinhas entre
bombas naufrágios minas
cada mulher que foge o traz no ventre
o mesmo coração um só destino
algures no mundo ele vai ser
em todos os meninos o menino.

Manuel Alegre Ler mais

*
18-12-2015

Passaram muitos anos mas não passou
o momento único irrepetível
o som abafado do estilhaço no corpo
o eco estridente do ricochete no metal
o cheiro da pólvora misturado com sangue e terra
o sabor da morte na última viagem de Portugal. Ler mais

*
21-08-2015

No dia em que passam 600 anos sobre a tomada de Ceuta pelos portugueses, recordamos, pela voz de Manuel Alegre, o sonho dessa partida que iria marcar o início da globalização na época moderna: “Eram duzentos e quarenta barcos / vinte e sete galés e uma paixão / (…) E a flor de Portugal: El-Rei D. João / D. Duarte D. Pedro D. Henrique.” Mas recordamos também a “Elegia de Ceuta”, publicada no mesmo livro (Atlântico, 1981), em que o poeta, citando Zurara e o “grande pranto que os mouros faziam sobre a perdiçom da sua cidade”, vaticina o avesso do sonho: “Ceuta ocupada e nunca tão amada / quem te conquista em ti se há-de perder / E veremos Lisboa subjugada / submetida de tanto submeter / por teu lento veneno envenenada.” Ler mais

*
Manuel Alegre solidário com a Grécia
22-06-2015

Neste dia de solidariedade com a Grécia, lembramos um poema de Manuel Alegre publicado no livro Chegar Aqui, em 1984, intitulado “Discurso de Péricles aos Atenienses”. Bruxelas tomou o papel de Esparta e hoje, como então, “a nossa força é a diferença”.

Discurso de Péricles aos Atenienses

Deixai-os em treino permanente
Como se a vida fosse apenas exercício
Atenas ama o vinho e a poesia
E Esparta o sacrifício

Que nos acusem de vida fácil e leviandade
Que digam que não sabemos guardar segredo
Nem combater
Em Atenas reina a liberdade
E em Esparta o medo

A nossa força é a diferença Ler mais

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No dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
10-06-2015
Neste dia em que se assinala a morte de Luís de Camões, lembremos que com a sua obra "Camões fundou uma língua e, com ela, o cartão de identidade de todos nós", como disse um dia Manuel Alegre. "Se outros fundaram o reino, a ele cabe a suprema glória de ter fundado a língua que falamos. Tanto basta para que ele seja para todo o sempre o maior dos portugueses", lembrou, "mesmo que tenha morrido na miséria e tenha sido enterrado como um cão à porta de uma igreja".
Em sua homenagem, recordamos um excerto do poema "Com que pena", do livro do mesmo nome, de Manuel Alegre.

Era ainda um léxico sibilante /
um gutural murmúrio dis- /
sonante. Diante da folha branca /
Luís Vaz de Camões.
Ninguém sabe com /
que pena com que /
tinta em /
que papel.
Ninguém saberá nunca /
com que /
letra.
E isso é como ter perdido /
uma parte do nosso próprio rosto.

(...)

Diante da folha branca /
sentado na margem do Mandovi /
em Goa. Ou talvez /
junto de um seco estéril adverso verbo.

Então o com e o que /
as sílabas mais ásperas e as rudes /
consoantes puseram-se a cantar. /
Alquimia – poderia dizer Rimbaud /
muito mais tarde. Mas era /
(segundo Pedro Nunes) /
outro mar outro céu outras estrelas.
Da obscura substância de uma antiga prosódia /
uma língua nascia.

E se alguém perguntasse como /
não morria /
tu dirias canção que /
porque /
poesia.

Manuel Alegre Ler mais

09-04-2015

Non si giunge a ritroso all’infinito
né in avanti né di lato ma per dove
nessun nome può esser detto o scritto
e nessuno sa per certo quel che cela. Ler mais

09-04-2015

Fratelli umani così abbandonati
la luce che guidava più non guida
siamo persone – dite – e non mercati
questo di certo non è tempo di poesia
vorrei recare a voi altri messaggi
con pane e vino e meno plusvalore. Ler mais

Dia 6 de março
06-03-2015

Manuel Alegre leu "Sextina", um poema do livro Chegar Aqui (1984) no programa "A vida breve, de Luís Caetano, de que deixamos um excerto em baixo
Oiça AQUI Ler mais

*
24-12-2014

Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia. Ler mais

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