"Amália, mais do que ela, é todos nós"
Manuel Alegre
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18-07-2020

“Na tua voz há tudo o que não há /
há tudo o que se diz e não se diz /
há os sítios da saudade em tua voz /
o passado o futuro o nunca o já /
as sílabas da alma e um país /
porque tu mais que tu és todos nós.”

Primeira estrofe do poema Amália, um dos que integra o livro As Sílabas de Amália, que estará nas livrarias no próximo dia 21 Ler mais

05-05-2020

Manuel Alegre leu o seu poema "A FALA" do livro Sonetos do Obscuro Quê no primeiro Dia Mundial da Língua Portuguesa, celebrado no dia 5 de maio.

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Manuel Alegre no dia 25 de Abril:
25-04-2020
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Manuel Alegre, poema escrito em 20 de março de 2020
20-03-2020

Lisboa não tem beijos nem abraços
não tem risos nem esplanadas
não tem passos
nem raparigas e rapazes de mãos dadas
tem praças cheias de ninguém
ainda tem sol mas não tem
nem gaivota de Amália nem canoa
sem restaurantes sem bares nem cinemas
ainda é fado ainda é poemas
fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa
cidade aberta
ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste
e em cada rua deserta
ainda resiste.

Manuel Alegre Ler mais

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06-03-2020

Publicado no livro Sonetos do Obscuro Quê, de 1993, e incluído no livro Sonetos, de 2019, este poema de Manuel Alegre, intitulado simplesmente "Vírus", é uma antevisão poética do que estamos a viver hoje. Ler mais

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27-01-2020

Passaram 75 anos da libertação de Auschwitz. Não podemos esquecer.

Auschwitz

Olhar vazio esqueletos em pé
mortos vivos caminhavam sem rumo.
E a quem lhes falava de Deus
eles apontavam a chaminé:
fumo. Ler mais

Poema de "Auto de António, último príncipe de Avis"
28-10-2017

Por uma noite por um dia
como António fomos reis
por um corpo de mulher
pelo instante que fugia
pelo amor que se escondia
em um lugar que não havia
pelo dia que se esperava
e nunca mais chegaria
pelo reino que se amava
e era só uma palavra Ler mais

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27-09-2017

Era um resto de cavalaria
quantos ao certo não sei
o que sobrou de Alcácer-Quibir
um resto
por seu reino e por seu rei. Ler mais

29-07-2017

De contratorpedeiro de lancha de traineira/
de navio de guerra ou barco à vela/
tudo o que navega tem um só destino/
buscar os nossos rapazes a Dunquerque./
Entre Panne e Bray-Dunes estão cercados/
trezentos mil em três quilómetros de areia e fogo/
sem eles a liberdade está perdida/
contra as bombas as ondas contra todos os riscos/
temos que ser mais do que nós próprios/
os nossos rapazes estão na praia e cada um deles/
é a Inglaterra.

Manuel Alegre Ler mais

03-04-2017

"Romance de Uma Árvore à Beira do Caminho", poema de Manuel Alegre, que faz parte de o Canto e as Armas, dedicado ao Dr. Ferreira Soares, aqui lido pelo próprio autor, que tinha apenas 6 anos, quando em Santa Maria Feira, aquele que era conhecido como o médico dos pobres foi barbaramente assassinado pela polícia política do anterior regime. Oiça e veja o poema dito por Manuel Alegre AQUI Ler mais

A japoneira no cemitério de Nogueira da Regedoura
A japoneira no cemitério de Nogueira da Regedoura
23-03-2017

Perto de Espinho havia uma árvore
havia uma árvore à beira do caminho.
E havia um buraco naquela árvore
perto de Espinho.

(E o povo sabia que havia um buraco
naquela árvore à beira do caminho.) Ler mais

04-02-2017

Este rio que traz o mar cá dentro
e sendo mar não deixa de ser rio
este rio com margens que são centro
e sendo margens são nosso navio.

Este rio que volta quando parte
e quando parte leva as suas margens
este rio que vai a toda a parte
e mesmo em casa é todas as viagens.

Este rio que sabe a mar profundo
e dentro da cidade é rua e rio
e em cada rua dá a volta ao mundo
e de Lisboa fez nosso navio.

Manuel Alegre, em "Bairro Ocidental” (2015) Ler mais

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04-10-2016

Na hora da partida, recordo Mário Wilson, o amigo, o Capitão, aquele que era capaz do impossível.

Manuel Alegre

O Capitão

Dentro do campo ou fora dele em toda a parte /
eu canto Mário Wilson um campeão /
porque mais que ganhar ou que perder /
ele tinha outra arte /
outro saber/
ele era o Capitão.
De camisola vestida /
ou sem ela /
negra ou vermelha visível ou invisível /
ele tinha uma estrela /
no gesto na batida /
no coração /
e então o impossível era possível /
ela era o Capitão /
para mudar não só o jogo mas a vida. Ler mais

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Poemas de Manuel Alegre em tempo de Jogos Olímpicos
13-08-2016

Em tempo de Jogos Olímpicos, recordamos dois heróis, homenageados por Manuel Alegre em Nada está escrito, de 2012: Jesse Owens, o negro americano que, em 1936, em Berlim, ganhou a medalha de ouro dos 100 metros, derrotando a suposta "supremacia ariana" com que Hitler quis vergar a Europa e o mundo; e o nosso Carlos Lopes, que em 1984 venceu a maratona em Los Angeles, às tantas de madrugada em Lisboa, “e com ele ganhámos a corrida /aquela madrugada e toda a vida.” Ler mais

02-04-2016

Na última Sexta-Feira Santa, dei uma entrevista à Sábado, a pretexto do meu novo livro “Uma outra memória”. Mas com o que não contava era com o facto de o entrevistador, Tiago Salazar, ser casado com Cristina Branco, a fadista que termina os seus espectáculos com "O Meu Amor é Marinheiro", um poema que escrevi na cadeia, que foi incluído em Praça da Canção com o título "Trova do Amor Lusíada" e que Alain Oulman musicou para Amália Rodrigues. Também Maria Betânia viria a cantar mais tarde o mesmo poema.
Manuel Alegre
Podem ouvir as três versões em baixo. Ler mais

12-02-2016

Vivia junto ao risco e junto ao perigo /
e onde outros eram sim ele era não /
e onde outros eram cinza ele era chama./
Combatia de frente o inimigo /
e os matadores sabiam que viria /
porque por si ele nunca deu ninguém /
nem tinha sina de morrer na cama. /
De peito para a bala ele corria /
do alto da sua morte ei-lo que vem /
de cada vez que Portugal o chama.

Manuel Alegre

Ler mais
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31-12-2015

Eis que chega a palavra inesperada
neste fim de Dezembro ao expirar do ano
bate no pulso bate como um sinal
do interior da terra ou de dentro de alguém
um último recado um sopro de passagem
eis que chega de tudo o que é ausente
em morse ou noutra língua ou talvez
a última mensagem do soldado
que morre por ninguém num campo de batalha
não mais do que um sinal indecifrável
como o ano a passar uma palavra um fim.

Lisboa, 31 de Dezembro 2015

Manuel Alegre Ler mais

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18-12-2015

Neste solstício de inverno ele vai nascer
algures no Mundo entre ruínas
no lugar do não ser ele vai nascer
deitado nas palhinhas entre
bombas naufrágios minas
cada mulher que foge o traz no ventre
o mesmo coração um só destino
algures no mundo ele vai ser
em todos os meninos o menino.

Manuel Alegre Ler mais

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18-12-2015

Passaram muitos anos mas não passou
o momento único irrepetível
o som abafado do estilhaço no corpo
o eco estridente do ricochete no metal
o cheiro da pólvora misturado com sangue e terra
o sabor da morte na última viagem de Portugal. Ler mais

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21-08-2015

No dia em que passam 600 anos sobre a tomada de Ceuta pelos portugueses, recordamos, pela voz de Manuel Alegre, o sonho dessa partida que iria marcar o início da globalização na época moderna: “Eram duzentos e quarenta barcos / vinte e sete galés e uma paixão / (…) E a flor de Portugal: El-Rei D. João / D. Duarte D. Pedro D. Henrique.” Mas recordamos também a “Elegia de Ceuta”, publicada no mesmo livro (Atlântico, 1981), em que o poeta, citando Zurara e o “grande pranto que os mouros faziam sobre a perdiçom da sua cidade”, vaticina o avesso do sonho: “Ceuta ocupada e nunca tão amada / quem te conquista em ti se há-de perder / E veremos Lisboa subjugada / submetida de tanto submeter / por teu lento veneno envenenada.” Ler mais

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