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Manuel Alegre
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Manuel Alegre ao DN, sobre o plano de vacinação Covid 19:
"Estado deve proteger os cidadãos, não proteger-se a si próprio"
29-01-2021 DN, excerto

Falando ao DN, o histórico socialista insurge-se duramente contra a nova prioridade dada a cerca de mil titulares de órgãos de soberania no plano de vacinação. Manuel Alegre, histórico dirigente do PS, ex-deputado, ex-conselheiro de Estado e ex-candidato presidencial (duas vezes), está indignado e perplexo com a forma como um vasto grupo de titulares de cargos em órgãos de soberania foi decretado prioritário no plano nacional de vacinação anti-covid-19.

Falando ao DN, Alegre começou por salientar que não alinha no "populismo" e na "demagogia" dos que defendem que nenhum titular de cargo político devia merecer tratamento prioritário na vacinação.

Em seu entender, titulares de cargos como o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República e o primeiro-ministro, bem como alguns ministros "essenciais" na gestão da atual crise pandémica (Finanças, Economia, Saúde, entre outros) deveriam estar à cabeça da lista das pessoas a serem vacinadas já.

Contudo - acrescenta - o que aconteceu é que o Governo, ao redefinir prioridades, "passou do zero para o oitenta", incluindo na lista prioritária, por exemplo, todos os 230 deputados e ainda os titulares das magistraturas judiciais e do Ministério Público, bem como os 308 presidentes de câmara.

Ontem, anunciando as novas prioridades do plano, o seu coordenador, Francisco Ramos, disse que a vacinação contra a covid-19 dos órgãos de soberania deve estender-se a aproximadamente a mil pessoas.

"Aquilo que está previsto, e tendo sido determinado que a execução do despacho do primeiro-ministro compete à task force", é que nas próximas semanas as vacinas que há para administrar a esse grupo serão suficientes para 1.000 pessoas. O que será trabalhado nos próximos dias é perceber as prioridades indicadas por cada órgão", afirmou Francisco Ramos.

Para Manuel Alegre, esta prioridade só significa que o Estado definiu prioridades a pensar essencialmente em si mesmo. "O Estado deve proteger os cidadãos e não proteger-se a si mesmo", afirmou ao DN.

Critério "80-80-80"

No seu entender, "esta prioridade dada ao aparelho de Estado" implicará que irá "passar à frente daqueles que são mesmo prioritários".

E esses são "os profissionais de saúde, tanto do público como do privado e ainda as pessoas com mais de 80 anos". O critério deveria ser, assim, para o antigo conselheiro de Estado (que tem 84 anos), aquele que se resume na fórmula "80-80-80": "Oitenta por cento dos profissionais de saúde e 80% das pessoas com mais de 80 anos vacinados até ao final de março".

Manuel Alegre recorda que o primeiro-ministro António Costa se comprometeu na UE a seguir estas prioridades. Mas agora, face a um novo grupo prioritário, "ainda não foi dito como isto se irá fazer". "Com esta mobilização geral para o Estado ser vacinado e a escassez de vacinas não se percebe como isto vai acontecer".

Alegre recomenda ao Governo que dê atenção a especialistas como Constantino Sakellarides (antigo diretor-geral da Saúde), Filipe Froes (pneumologista), Pedro Simas (virologista) e António Silva Graça (médico infecciologista). "Estamos numa situação de emergência nacional. É necessário unir todos os esforços e reunir todos os recursos e fazê-lo sem preconceitos de natureza nenhuma".