"De cada vez que o Parlamento cede ao populismo, este não agradece, reforça-se"
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Notícias
Foto de Carlos Martins
Foto de Carlos Martins
Foto de Carlos Martins
Foto de Carlos Martins
*
*
Manuel Alegre em Caxias 45 anos depois:
“Foi com a libertação dos presos políticos que se concretizou o 25 de Abril”
26-04-2019 com Lusa

“Foi com a libertação dos presos políticos que se concretizou verdadeiramente o 25 de Abril" afirmou Manuel Alegre ontem, à porta da cadeia de Caxias, numa cerimónia promovida pela Câmara Municipal de Oeiras para celebrar os 45 anos da libertação dos presos políticos. "Só a partir desse momento é que o 25 de Abril passou a ser o dia da liberdade para todos os portugueses", defendeu, lembrando os nomes dos libertadores, Capitão Mário Pinto e Comandante José Júlio Abrantes Serra. Na placa comemorativa descerrada, lêem-se versos de Manuel Alegre cantados por Amália Rodrigues e por Maria Bethânia: “Hei-de passar nas cidades / como o vento nas areias/ e abrir todas as janelas / e abrir todas as cadeias.”

Estes versos, do poema “Trova do amor lusíada”, foram musicados por Alain Oulman como "Meu amor é marinheiro" e, segundo o poeta disse à Lusa, “foram tantas vezes ditos e cantados" que quase já não lhe pertencem.

“Foi um momento muito bonito e muito significativo", afirmou ainda Manuel Alegre, confessando: "Para mim também foi comovente porque eu assisti a este momento no exílio, através da televisão, ainda estava em Argel", recordando que antes tinha estado preso na cadeia de S. Paulo, em Luanda e concluindo que "é muito justo celebrar as mulheres e os homens que significavam a natureza da ditadura que durante quase meio século oprimiu Portugal".

Manuel Alegre não deixou de olhar também para os dias de hoje: "Nós vivemos em liberdade e vivemos em democracia. Não há democracias perfeitas nem há liberdades perfeitas, as democracias muito perfeitas normalmente acabam e degeneram em ditadura, portanto há sempre qualquer coisa para fazer para melhorar. Os debates hoje são outros, as aspirações são outras, aquilo de que os jovens precisam e que querem são outros projetos e outros sonhos".

Na cerimónia, além de Manuel Alegre, usaram da palavra o presidente da Câmara, Isaltino de Morais, e a Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem. O autarca anunciou a próxima inauguração de um monumento de homenagem aos ex-presos políticos e aos seus libertadores. A ministra, num discurso marcadamente pessoal, alertou para os perigos que hoje ameaçam a democracia e concluiu com o conhecido poema de Martin Niemöller:

"Quando os nazis vieram buscar os comunistas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um social-democrata.

Quando eles vieram buscar os sindicalistas,
eu não disse nada;
eu não era um sindicalista.

Quando eles buscaram os judeus,
eu fiquei em silêncio;
eu não era um judeu.

Quando eles me vieram buscar,
já não havia ninguém que pudesse protestar."

Estavam presentes na cerimónia alguns dos homens e mulheres presos em Caxias e noutras prisões do país durante a ditadura, a par de familiares, amigos e camaradas que os esperavam quando saíram da cadeia, bem como antigos membros do MFA, entre os quais Otelo Saraiva de Carvalho e o próprio José Júlio Abrantes Serra.

Para marcar o momento da libertação, abriram-se as portas do cárcere e dezenas de crianças saíram a correr, com cravos e versos nas mãos, símbolo do futuro e da liberdade conquistada há 45 anos.