"Não gosto de engenharias sociais ou artificiais messiânicas"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre à TSF
""Tem que haver uma reflexão muito séria porque senão caímos na absoluta banalização do Panteão"
23-08-2018 TSF

Embora considere que "se alguém merecia as honras de Panteão, com certeza era o José Afonso", Manuel Alegre defende que é preciso ter cuidado para evitar a banalização das honras. Manuel Alegre defende que é preciso estabelecer regras em relação às transladações para o Panteão Nacional. Ouvido pela TSF, o histórico socialista pediu um "debate sereno" sobre o assunto, sem "precipitação emocional".

"Tem que haver uma reflexão muito séria, regras muito estritas, tempo necessário para que haja uma meditação sobre a projeção da vida das pessoas na memória e na sociedade, porque, senão, caímos na absoluta banalização do Panteão", defendeu Manuel Alegre. "Qualquer dia, qualquer 'bicho careta' entra", ironizou.

"Fizeram-se propostas que levavam para o Panteão pessoas, não por mérito ou por feitos excecionais, mas pelos cargos que tinham exercido (ou seja, os chefes de Estado) - isso não pode ser!", reclamou.

Manuel Alegre refere outros nomes que também poderiam ter sido propostos, como José Saramago ou Miguel Torga, e que teriam lugar no Panteão, mas sublinha a necessidade de reflexão: "Há muita gente que não está no Panteão e que devia lá estar, portanto, é preciso muito cuidado. Senão qualquer dia temos de fazer outro Panteão". "Morre alguém muito conhecido e, pumba, Panteão! Não pode ser", reafirmou.

Sobre Zeca Afonso, que conheceu pessoalmente, Manuel Alegre afirma compreender a posição da família, que rejeita as honras de Panteão para o músico.

"Fui e sou um grande amigo e admirador do Zeca Afonso, conheci-o muito bem. Foi a pessoa mais despojada que conheci - num poema que lhe escrevi, chamei-lhe um "franciscano laico"", recorda Manuel Alegre.

O político e poeta acredita que o músico "não gostaria muito" de ser homenageado. "Acho que a família interpretou bem o seu sentir", constata, embora não tenha dúvidas de que "se alguém merecia as honras de Panteão, com certeza era o José Afonso".

Manuel Alegre considera, no entanto, que há figuras que pertencem ao país e que, por isso, nem a vontade da família pode contrariar a honra do Panteão Nacional "Havendo um grande consenso, deve prevalecer. A partir desse momento, a pessoa pertence ao país - a menos que haja, da parte do próprio, uma manifestação expressa de que não quer ir para o Panteão", concluiu.

Oiça as declarações de Manuel Alegre à TSF AQUI