Custa-me acreditar que não mais ouvirei essa voz que vinha do coração e trazia um apelo: Salvar o SNS
Manuel Alegre
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Foto de Paulo Cunha, Lusa
Foto de Paulo Cunha, Lusa
Manuel Alegre no Congresso do PS:
Viragem à direita seria risco de morte para o PS
26-05-2018 JN, título nosso

Manuel Alegre puxou o congresso para a "esquerda democrática" com um discurso empolgante e muito aplaudido onde alertou para "o risco de morte" de uma viragem à direita. "Não vale a pena inventar novos ADN". O ADN do PS "sempre foi servir o povo e melhorar as suas condições de vida. Foi isso que fez o Arnaut e é isso que temos de continuar a fazer", afirmou evocando o "pai do Serviço Nacional de Saúde".
Veja a intervenção integral de Manuel Alegre AQUI

As conquistas destes dois anos e meio não foram esquecidas pelo fundador do PS. "Sabemos governar melhor que a direita e sabemos fazer contas melhor que a direita. E por isso é que a palavra geringonça começou a ser traduzida e Mário Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo", elogiou Manuel Alegre, descansando aqueles que dizem que o PS cedeu demasiado aos partidos à sua esquerda.

"O PS não está sequestrado por ninguém. Estaria se tivesse apoiado um governo de direita"
"O PS não está sequestrado por ninguém. Estaria se tivesse apoiado um governo de direita. Isso sim, seria uma traição ao nosso eleitorado", afirmou o histórico socialista. E se isso tivesse acontecido, o PS "estaria talvez a definhar e na situação dos partidos socialistas que estão em grandes dificuldades". E deixou um aviso ao partido: "Se deixarem de representar os interesses do nosso eleitorado, abrem o caminho à direita". Portanto, o PS "deve manter uma política de convergência à esquerda", recomendou.

Manuel Alegre apelou ainda a um partido "ao serviço do interesse geral e não a interesses estranhos ao bem público", lembrando que "vivemos num tempo de grande incerteza e imprevisibilidade" com uma "contaminação da vida política pelo poder financeiro". "Para onde quer que a gente olhe vemos sinais sombrios e ameaças de guerra", alertou. A culpa é "da terceira via que foi um desastre para o socialismo e um desastre para a democracia". O Euro também não fica isento de responsabilidades pois "tem trazido mais divergência que convergência".

Por isso é que, acredita Alegre, a política de António Costa "é importante para Portugal, para a esquerda europeia" e para uma política que "não pode continuar dominada pelo neoliberalismo e por um poder financeiro que se sobrepõe à democracia e aos Estados". Porque, salienta o histórico socialista, "apesar dos constrangimentos é possível fazer diferente".