"Sobretudo nas horas em que tudo / de repente se esvazia / e pesa mais que tudo esse vazio / ... / é precisa (mais que tudo) a poesia."
Manuel Alegre
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Em entrevista na SIC Notícias:
Manuel Alegre defende a radicalidade democrática contra a radicalidade anti-social
01-02-2015

“É preciso matar esta tristeza” – foi com este verso, que encerra um dos poemas de Praça da Canção, agora reeditada quando perfaz 50 anos da 1ª edição, que Manuel Alegre encerrou a entrevista ontem concedida a António José Teixeira, no programa “A propósito” da SIC Notícias. A conversa desenvolveu-se a partir das memórias desse livro mítico, que apesar de não ser, segundo o seu autor, um "livro panfletário", “teve efeitos políticos que nenhum discurso teria”.

A propósito da situação na Grécia, Alegre afirmou que “quando há mudanças é-se sempre utópico”, lembrando a utopia que foi o 25 de Abril. Alertou ainda para outras mudanças que estão a acontecer na Europa, de sinal contrário, como a subida de Marine le Pen em França, que também faz um discurso contra a austeridade.

Alegre saudou o povo grego, citando uma frase de Churchill que, após referir que os gregos tinham lutado como heróis contra o nazismo, disse que “os heróis têm de lutar como os gregos.” Considerando que a política de alianças do Syriza foi feita “por razões patrióticas”, Manuel Alegre defendeu a necessidade de uma radicalidade democrática contra a radicalidade anti-social que nos tem sido imposta.

“Não se pode ficar nas meias tintas”, disse ainda, esclarecendo “Eu sou pela Europa mas antes disso sou português”, rejeitando que se queira “fazer de Portugal uma espécie de Junta de Freguesia da Europa”. Alegre lembrou que Portugal tem aliados naturais nos países do sul, que terão de enfrentar a questão da dívida de outra maneira. “Esta dívida não é pagável”, disse ainda, e a discussão sobre ela tem de ser feita.

Quanto às próximas eleições em Portugal, defendeu que o PS não pode coligar-se com o PSD e alertou para o facto de que irão aparecer “coisas novas”, desde o Livre e a plataforma Tempo de Avançar até ao partido de Marinho e Pinto. Sobre a derrocada do PASOK na Grécia considerou que “um partido pode tornar-se historicamente desnecessário” e que a linha política do PASOK tinha sido suicidária.