"Se publicasse as memórias, lá apareceria o Kurika como companheiro"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em Braga:
“Abril está a ser traído”
09-05-2014 com Lusa

Em Braga, por ocasião do lançamento do seu livro “País de Abril”, Manuel Alegre acusou o Governo de "trair" Abril e considerou que a Europa está desvirtuada por se ter "transformado" num "império do capitalismo financeiro", apelidando a Comissão Europeia de "serventuária" dos mercados financeiros. "Abril está a ser traído porque Abril não era só liberdade, era também a igualdade e era, sobretudo, além dos direitos políticos, os direitos sociais e o Estado Social, que está a ser desfeito ou reduzido ao mínimo por este Governo", disse.

Manuel Alegre afirmou ainda, em declarações à Lusa, que a vinda da 'troika' a Portugal é um "atentado" à democracia, revelando que "nos próximos dias" vai ser dado a conhecer um abaixo-assinado no qual Alegre, Soares, João Semedo e outras personalidades se manifestam contra aquilo que chamou de "despudor" por parte da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

Alegre questionou o que celebra o Governo ao "festejar" o fim do programa de assistência financeira, que considerou ser "uma mentira", se aquilo que fica no pós-troika é "pobreza, cortes e falta de perspectivas" para o futuro. "Está a celebrar o quê? Pobreza? Cortes de salários? Cortes de reformas? O facto de os jovens serem obrigados a emigrar? Não haver perspectivas de futuro? É isso que estão a celebrar? É esse o Abril deles? Isto é uma traição ao 25 de Abril", reafirmou.

O projecto da Europa está a ser desvirtuado

Para o poeta, a Europa vive também uma crise de valores. "O projeto da Europa está a ser desvirtuado, a Europa está desvirtuada desde o Tratado de Maastricht ", alertou. Desvirtuamento que, explanou, "foi agravado com o tratado de Lisboa quando se diminuiu o peso institucional dos países pequenos e médios na medida em que se acabou com a decisão por unanimidade". Segundo Alegre, "se isso não tivesse acontecido Portugal e a Grécia não estariam na situação em que estavam porque tinham o direito de veto e o poder negocial".

Por isso, disse, "a Europa deixou de ser um projeto de prosperidade e de paz partilhada entre Estados iguais, soberanos, para se transformar num império do capitalismo financeiro dos países mais fortes e sobretudo da Alemanha".

Para Alegre, os programas de ajustamento "são uma mentira porque são uma forma de empobrecer os países, de desvalorizar o trabalho e de oferecer possibilidades de negócios aos chamados mercados, que são uma nova forma de totalitarismo moderno".

Manuel Alegre constata que são os mercados financeiros que "mandam", isto "através do Banco Central Europeu, através das Comissão Europeia, serventuária dos interesses dos mercados e através do FMI". Aliás, para o autor, a vinda destas três entidades a Portugal não é benéfica. "É um despudor, uma vergonha. Um atentado à nossa soberania e à nossa democracia. Está a decorrer um abaixo-assinado contra essa desvergonha, que será apresentado nos próximos dias e é assinado por mim, pelo Mário Soares, pelo João Semedo, entre outros nomes", anunciou.