"Sobretudo nas horas em que tudo / de repente se esvazia / e pesa mais que tudo esse vazio / ... / é precisa (mais que tudo) a poesia."
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em homenagem a Manuel Tito de Morais:
Um socialista praticante que viveu e morreu de mãos limpas
15-11-2013

Recordar Manuel Tito de Morais, no âmbito da série “Vidas com sentido” promovida pela Fundação Mário Soares, “é um acto da memória contra o esquecimento, um acto de pedagogia democrática” afirmou Manuel Alegre, sobretudo hoje “quando o país está nas mãos de gente sem memória e até, nalguns casos, sem vergonha na cara”. Elogiando aqueles que “serviram a causa pública, a República, o PS, a democracia e o país" e "nunca nada quiseram para si", Alegre sublinhou aos jornalistas presentes: São “pessoas que viveram e morreram de mãos limpas”, “enquanto sabemos que nos últimos tempos tem havido casos, alguns deles ainda impunes, que são um verdadeiro escândalo. Gente que esteve no Governo e se governou". Questionado pelos jornalistas sobre a quem se referia, Manuel Alegre respondeu: "Estou a pensar nas mesmas pessoas em que vocês estão a pensar".

Sobre Manuel Tito de Morais, com quem partilhou uma parte dos seus anos de exílio em Argel, Alegre recordou os principais passos da luta política e da personalidade insubmissa, afirmando: “Foi um socialista praticante”, “um socialista da primeira via”, que “não via o socialismo como gestão do capitalismo” mas como “transformação estrutural e gradual” do sistema capitalista, que implicava “o sector público, o sector privado e o sector cooperativo”, tal como a Constituição veio a consagrar. Sempre leal a Mário Soares, Manuel Tito de Morais “nunca foi pela terceira via”.

“Firme e teimoso, generoso e solidário, tolerante e convivente”, assim o retratou Manuel Alegre, que vê nele “o espírito do século XX português”, “o espírito da resistência e da persistência”. Representou uma “certa forma de ser socialista, de ser de esquerda, sempre de punho e bandeira vermelha”, “gostava da palavra camaradas”, foi “uma referência insubstituível do Partido Socialista e da democracia”, concluiu.