"Sobretudo nas horas em que tudo / de repente se esvazia / e pesa mais que tudo esse vazio / ... / é precisa (mais que tudo) a poesia."
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Notícias
Manuel Alegre sobre as eleições italianas:
“É o início da implosão do sistema político tal como ele existe”
27-02-2013 com Jornal i

“É o início da implosão do sistema político tal como ele existe”, afirmou Manuel Alegre ao jornal i, a propósito dos resultados eleitorais em Itália. Recorde-se que Manuel Alegre escreveu há dias no DN um artigo precisamente intitulado “A implosão anunciada”. O que se passou em Itália, disse ainda Manuel Alegre, mostra que “a austeridade mata a democracia e mata a Europa”. Quanto à manifestação convocada em Portugal para o próximo dia 2, Manuel Alegre expressa claramente a sua opinião: “Espero que seja uma grande manifestação.”

“É uma rebelião” contra o estado da democracia, disse ainda Manuel Alegre, que afirmou: “É um sinal de que as pessoas não se sentem representadas pelos partidos políticos que, uma vez eleitos, fazem aquilo que a Comissão Europeia, o BCE e a Goldman Sachs mandam fazer”.

Quanto a Berlusconi, o socialista considera que a sua campanha foi “demagógica” e o resultado explica-se “porque interpretou bem o sentimento das pessoas contra a austeridade e contra uma Itália submetida aos interesses alemães”.

“É a rejeição nacional de uma Europa dirigida pela Alemanha”, diz Alegre, que viu um erro na campanha de Pier Luigi Bersani, do Partido Democrático (coligado com a esquerda): “As sondagens davam-lhe maioria, mas acabou por abraçar Monti e não criou uma alternativa.” E neste ponto Alegre diz mesmo que há uma aprendizagem que deve ser feita também pelos socialistas em toda a Europa. “Trata-se de um aviso muito sério aos partidos políticos que estão no poder e aos socialistas de que têm de se demarcar da austeridade e apresentar alternativas”.

“A austeridade mata os partidos tradicionais, os que compactuam com ela e não sabem dizer ‘não’ à senhora Merkel”, acrescenta Alegre, apontando o Movimento 5 Estrelas como um exemplo do que pode ser o futuro, até em Portugal: “Aconteceu em Itália, pode acontecer em Espanha e pode acontecer aqui.” E a génese destes movimentos, segundo Alegre, pode aparecer em qualquer meio. Um exemplo? “A grande manifestação de 15 de Setembro foi inorgânica. Pode dar para manifestações, mas também para movimentos deste género ou outros.” A manifestação vai repetir-se, mais uma vez, num cenário de uma avaliação da troika ao programa de ajustamento em Portugal, e o socialista não se demarca: “Espero que seja uma grande manifestação.”