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Manuel Alegre
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A propósito da alegada “refundação do memorando”
Manuel Alegre recusa “armadilha” do Governo ao PS e defende diálogo concreto com a esquerda
04-11-2012 com DN~, notícia de João Pedro Henriques

Manuel Alegre elogiou ontem a direcção do PS por não ter caído na armadilha de negociar com o Governo aquilo que Passos Coelho qualificou de “refundação do memorando” da troika (um corte adicional permanente de 4 mil milhões de euros na despesa pública). Alegre defendeu o diálogo à esquerda, incluindo a UGT e a CGTP, em torno de pontos concretos “relativamente aos quais existe uma possibilidade de convergência: políticas de crescimento, políticas de emprego e de defesa do Estado social.”

“Esse apelo ao PS foi a confissão de um fracasso e uma armadilha que felizmente o PS me parece já ter percebido”, afirmou Manuel Alegre ao DN, reagindo a um artigo de Francisco Assis em que este escreveu que “é preciso um compromisso histórico entre a esquerda democrática e o centro direita”. Para Manuel Alegre, “nas circunstâncias em que o país está, um compromisso histórico com o centro-direita poria em causa a autonomia política do PS, a sua função de partido charneira e poderia levar a uma nova fractura do partido”, afirmou ainda, recordando o tempo do Bloco Central (aliança de Governo do PS com o PSD entre 1983 e 1985), que abriu caminho à criação do PRD.

“Mais do que nunca, o PS deve preservar a sua autonomia para poder dialogar no plano político ao centro e à esquerda e para ser o pólo mobilizador das forças sociais de mudança”, afirmou Manuel Alegre, alertando: “Há neste momento uma grande pressão, que vem dos partidos do Governo e é reproduzida pelos media, no sentido de atrelar o PS ao governo. Isso seria um suicídio político”.

Embora advogando que o PS deve manter o “diálogo institucional” com o Governo, Manuel Alegre sublinhou a importância de o partido “quebrar tabus e forçar o diálogo à esquerda”, incluindo “os parceiros sindicais, não só a UGT mas também a CGTP”. Mas, avisou, o “diálogo à esquerda deve fazer-se em torno de pontos concretos e não de grandes questões estratégicas, pontos concretos relativamente aos quais existe uma possibilidade de convergência: políticas de crescimento, políticas de emprego e de defesa do Estado social.”