"É preciso subverter o discurso cinzento e tecnocrático e recuperar a força primordial da palavra"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre à RTP2:
“O que é perigoso é curvar a espinha”
15-09-2012 RTP 2

Manuel Alegre afirmou à RTP2, entrevistado por Sandra Felgueiras, que a convocação do Conselho de Estado pelo Presidente da República confirma que estamos numa situação de crise política, afirmando que estas medidas mostram “uma desestruturação da sociedade portuguesa” e uma tripla fractura – institucional, social e política. Manuel Alegre insistiu que “em democracia há sempre alternativas” e, sem deixar de defender a necessidade de combate no plano institucional, mostrou-se disponível para participar na manifestação de sábado, porque “o que é perigoso é curvar a espinha”.
Veja a entrevista na íntegra AQUI

Alegre lembrou que esta TSU é uma medida “nunca vista em país nenhum” que “põe em causa a dimensão social da nossa democracia e o regular funcionamento das instituições”. Citando Bagão Félix, “ou ele recua, ou cai”. Considerou que o Ministro das Finanças “é um internacionalista financeiro” que “não tem em conta a realidade concreta do país” e “se a realidade o desmente, ele dissolve a realidade”, recordando que foi o que aconteceu com a Argentina.

"Em democracia há sempre alternativa", disse Manuel Alegre. “Se este governo mantiver a TSU e mantiver estas medidas e vier agravar estas medidas, sou apologista da queda deste governo, porque, se não, este governo faz cair o país, faz-nos cair a todos”, afirmou, lembrando que a Argentina e outros países seguiram outro caminho. “Esta medida não estava no memorando”, “o memorando não é um texto sagrado” e “o PS não pode ficar refém do memorando", esclareceu.

“Paulo Portas tem tentado escapar com silêncios, mas o Primeiro-Ministro ontem comprometeu-o, ele está comprometidíssimo, desta vez não escapa”, afirmou, lembrando que o CDS era contra o aumento de impostos e a medida sobre a TSU configura um gravoso aumento de impostos.

À insistência da jornalista sobre a queda do governo, Alegre lembrou que não é ele que fala em queda do governo, várias pessoas têm falado, desde Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix a comentadores como Gomes Ferreira, que disse que “o governo já caiu.” Alegre concordou com a posição do PS anunciada por Seguro de votar contra o Orçamento de Estado mas lembrou que há uma luta institucional que se faz no Parlamento e uma luta social que passa pela rua.

Manuel Alegre confirmou que em princípio irá à manifestação deste sábado, onde “gostaria de encontrar Manuela Ferreira Leite”, porque, apesar de prezar “a estabilidade e o bem-estar do país”, “há momentos em que é preciso dar sinal”. Alegre defendeu ainda que “os combates travam-se onde devem ser travados” e, depois de lembrar que a luta pela democracia em Portugal se travou também na rua, declarou: “O que é perigoso é o conformismo, o que é perigoso é curvar a espinha, o que é perigoso é o medo. As pessoas virem à rua dizer o que pensam é a vida da democracia”. Para Manuel Alegre é preciso conjugar a via institucional no Parlamento com a via da luta social.

Sobre o apelo à insubordinação dos deputados da maioria lançado por Ferreira Leite, Alegre lembrou que sempre defendeu que “o deputado deve agir segundo a sua consciência, é o que está na Constituição” e que várias vezes votou contra o seu partido, mas não acredita que tal vá suceder. Alegre considerou no entanto que a posição de Ferreira Leite “preparou um alibi para o Presidente da República”, cujo conselho nesta matéria, lembrou, “não foi respeitado”, porque ele tinha dito, antes destas medidas, que “os sacrifícios deviam recair sobre aqueles que ainda não tinham sido sujeitos a eles.”

“Estou disposto a ajudar o Presidente a cumprir o seu papel, mas o seu papel não pode ser o da passividade”, disse. “Houve aqui um ruptura social e política e o Presidente sabe que estamos numa crise política, porque o descontentamento está dentro da própria coligação”, concluiu, citando as declarações de Ferreira Leite, Bagão Félix, Adriano Moreira e até dos Bispos, que com muita coragem têm sido “das poucas pessoas que têm falado de capitalismo, chegámos a este ponto.”