"É preciso subverter o discurso cinzento e tecnocrático e recuperar a força primordial da palavra"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre à Lusa:
“Não basta resistir. É preciso abrir outro caminho.”
08-09-2012 Lusa

"Estamos perante um desafio de desobediência ao Tribunal Constitucional, acto que revela traços de autoritarismo e falta de sentido de Estado por parte do primeiro-ministro, que nunca aceitou uma decisão que a todos obriga. Estamos também perante um desafio do primeiro-ministro ao Presidente da República, Cavaco Silva, e um desafio à nossa paciência", declarou Manuel Alegre à Lusa sobre as medidas anunciadas ontem pelo primeiro-ministro. Medidas que para o conselheiro de Estado representam "uma grande ofensiva contra os reformados e pensionistas, contra os trabalhadores da função pública e contra os trabalhadores em geral, tendo ficado de fora os altos rendimentos". "Estamos a assistir a uma desforra ideológica do fundamentalismo liberal contra o Estado social. Não basta resistir. É preciso abrir outro caminho", disse Manuel Alegre, para quem "não podem ser só alguns bispos a criticar este capitalismo que está a destruir o pacto social".

"Os socialistas, a esquerda em geral e os defensores da doutrina social da Igreja têm de estar ao lado dos que sofrem e são atingidos. É preciso dizer basta e é preciso mostrar a força popular dos que continuam a acreditar numa democracia com direitos sociais", defendeu Manuel Alegre.

Ainda em relação às medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro, Manuel Alegre considerou que representam "mais um passo para a concretização dos objectivos da ‘troika' Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia e do Governo, através da desvalorização e desregulação do trabalho".

"Estamos a assistir a uma desforra ideológica do fundamentalismo liberal contra o Estado social. Não basta resistir. É preciso abrir outro caminho", afirmou.

Manuel Alegre lamentou depois que se esteja a verificar no país "um empobrecimento de Portugal e das famílias, a um aumento do desemprego, ao estrangulamento da economia e a uma carga fiscal que ultrapassa todos os limites".

"O Governo e Passos Coelho escolheram o seu caminho, que é um caminho ideológico, de ofensiva global do capitalismo financeiro e especulativo", acrescentou o ex-candidato presidencial e dirigente histórico do PS.