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Manuel Alegre
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Alegre diz que declarações de Soares foram "manifestação de entusiasmo"
09-05-2012 Lusa

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre considerou hoje que as declarações de Mário Soares em defesa do rompimento socialista com o memorando da ‘troika’ foram uma “manifestação de entusiasmo”, que não pode pretender pressionar a direção de Seguro. “Acho que são as declarações de uma pessoa que se entusiasmou, como eu também me entusiasmei, com esta viragem na Europa, mas Mário Soares, que às vezes lembra que foi ele que pressionou o Sócrates para assinar o memorando, agora não pode cair no contrário, a querer pressionar o Seguro a romper. O PS tem a sua linha política autónoma, os seus órgãos próprios, não podemos confundir entusiasmo com precipitação”, defendeu o histórico socialista e ex-candidato à Presidência da República, Manuel Alegre.

"Acho que foi uma manifestação de entusiasmo, mas acho que as pressões não são boas. Nem para quem pressionam, nem para quem dá a impressão de que está a ser pressionado", acrescentou.

Em entrevista ao jornal ‘i’, na terça-feira, Mário Soares defendeu que o PS deve romper o acordo da ‘troika', alegando que a situação evoluiu e que a austeridade não funciona no país.
"Acho que é esse o caminho. A austeridade, tal como a definem, não tem sentido", disse Mário Soares, considerando que a obrigação já foi assumida há um ano, mas que "chegou ao fim". Também na terça-feira, o líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, garantiu que o PS cumprirá as metas do memorando da ‘troika', recusando o rompimento do acordo sugerido pelo antigo Presidente da República Mário Soares.

Manuel Alegre entende que a linha política e estratégica que tem sido assumida pelo PS “indicia a criação de uma alternativa” e uma demarcação da orientação do Governo e do PSD, que acusa de alinhamento com a orientação da chanceler alemã Angela Merkel. Para o também ex-deputado socialista, se o PSD se mantiver fiel à “defesa da austeridade pela austeridade” e o PS mantiver a “conciliação de uma atitude de responsabilidade com uma linha e estratégia política que tem vindo a ser cumprida”, “mais cedo ou mais tarde haverá uma separação das águas muito clara”, alertando, contudo, alertou que “isso não se faz de uma maneira brusca”.

“Se o PSD se mantém fiel à austeridade, ao rumo da agenda ultraliberal de desmantelar o Estado social, de desmantelar tudo, como está a fazer, mais cedo ou mais tarde haverá uma rutura”, reiterou, acrescentando estar convicto que a linha socialista “acabará por dar os seus frutos”.

Alegre defendeu também que é preciso estar atento em Portugal aos sinais que vão sendo dados pela Europa, como foi o caso das recentes eleições na Grécia e em França. Para o socialista a vitória de François Hollande em França foi “muito importante” e acredita mesmo que “vai permitir uma viragem na Europa e uma reorientação de toda a política europeia”.

“Acredito que a vitória do Hollande é um virar de página, quebrou o eixo Merkel-Sarkozy. Quebrou, e isso é irreversível. Criou uma dinâmica nova, que vai libertar muitas forças. Já toda a gente fala de crescimento, de políticas de emprego. Veio quebrar a hegemonia ideológica das forças conservadoras na Europa. E a França é a França”, disse Alegre.