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Manuel Alegre
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Manuel Alegre à Lusa:
"Esta política orçamental não se destina a emagrecer o Estado, mas sim a emagrecer as pessoas"
18-10-2011 Lusa

O ex-candidato a Presidente da República Manuel Alegre advertiu hoje que o PS não deverá caucionar a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2012, considerando que se está perante uma política contra o país. "O PS não deve caucionar este Orçamento, porque esta política orçamental não se destina a emagrecer o Estado, mas sim a emagrecer as pessoas", declarou Manuel Alegre à agência Lusa.

Em declarações à agência Lusa, Manuel Alegre, ex-candidato presidencial apoiado por socialistas e Bloco de Esquerda, adiantou que já transmitiu a sua posição pessoal sobre o Orçamento ao secretário-geral do PS, António José Seguro, embora, por enquanto, se recuse a especificar que sentido de voto os socialistas deverão adotar face à proposta do executivo PSD/CDS.

"Esta proposta de Orçamento do Estado é marcadamente ideológica e visa sobretudo os servidores do Estado. E a pior coisa que se pode fazer é erigir os servidores públicos a bodes expiatórios. Estamos perante um Orçamento contra o país e subserviente à lógica neoliberal dominante", sustentou o membro do Conselho de Estado.
Na perspetiva de Manuel Alegre, a proposta de Orçamento do Governo também "contraria as mais recentes posições do Presidente da República, porque não apresenta uma única linha sobre crescimento económico e criação de emprego".

"O Governo colocou toda a pressão sobre o povo português e nada fez para tentar externamente atenuar as condições que estão a ser impostas ao país. Nesse sentido, este Governo é mais papista do que o Papa, indo para além das exigências internacionais", sustentou.

Alegre reforçou ainda a sua tese de que a linha política inerente à proposta de Orçamento "entra em frontal contradição com as recentes posições assumidas pelo Presidente da República em Florença". "O Presidente da República foi o primeiro chefe de Estado europeu a criticar o diretório entre Merkel e Sarkozy - um diretório sem qualquer mandato democrático. Mas este Governo tem uma posição completamente seguidista face a este diretório", criticou o conselheiro de Estado.