"Sobretudo nas horas em que tudo / de repente se esvazia / e pesa mais que tudo esse vazio / ... / é precisa (mais que tudo) a poesia."
Manuel Alegre
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Alegre sobre o 25 Abril:
"Em crise é preciso comemorar a liberdade"
04-04-2011 Liliana Valente , jornal i

A tradição não deve ser quebrada, diz Manuel Alegre. Para o histórico socialista, mesmo com a Assembleia da República dissolvida, "num momento de crise é preciso comemorar a liberdade", diz ao i. E por isso deve ser mantida a cerimónia de comemoração do 25 de Abril.

Na sexta-feira, os líderes parlamentares decidiram que a tradicional sessão solene não se irá realizar uma vez que, depois de o Presidente da República assinar o decreto de dissolução do parlamento - o que vai acontecer na quinta-feira -, apenas estará em funções a comissão permanente que reúne de 15 em 15 dias.

Uma solução que o ex-candidato à Presidência da República não compreende: "Tenho dificuldade em perceber que não aconteça (a cerimónia). Os deputados podem ser convocados para uma sessão extraordinária", justifica. Mas a iniciativa, diz, não deve partir de Belém. Quando questionado sobre se deveria ser Cavaco Silva a propor uma comemoração, Alegre diz apenas que é competência "da conferência de líderes" da Assembleia da República "reconsiderar a decisão que tomou". "É de todo o interesse que isso aconteça", acrescenta.

Apesar de não haver sessão solene, o Presidente da República vai na mesma fazer o habitual discurso, noticiou o "Expresso". Cavaco irá falar a partir do Palácio de Belém.

A sessão solene foi sempre realizada, desde 1976, apenas com a excepção de 1983, quando o país foi às urnas para escolher novo governo. Por isso, a Associação 25 de Abril não consegue perceber porque não arranjam os deputados maneira de o dia ser comemorado. "Não vejo porque é que não poderiam ter encontrado forma de evocar o 25 de Abril, a não ser que tenham vergonha da situação a que levaram o país", disse o presidente da Associação, Vasco Lourenço. "Acho incompreensível, não consigo perceber como é que um Estado de direito democrático resultante do 25 de Abril tem vergonha de assinalar o dia ''inicial e limpo'', como diria Sophia de Mello Breyner, desse mesmo Estado democrático", explicou.

A opinião estende-se à direita. O ex-ministro Freitas do Amaral afirmou ser "absolutamente contra" a não celebração, acrescentando que a dissolução não deveria impedir "o acto simbólico".