"A grande poesia não cabe num tweet"
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Notícias
Manuel Alegre ao i:
"O Presidente da República incendiou a vida política"
23-03-2011 Luís Claro, jornal i

Manuel Alegre quebrou o silêncio e, em plena crise política, lança um duro ataque a Cavaco Silva. "O Presidente da República, com o devido respeito, fez um discurso que incendiou a vida política e está agora numa estranha passividade", diz ao i o ex-candidato a Belém, referindo-se ao discurso que o chefe de Estado fez na tomada de posse, no qual o governo foi alvo de várias críticas. O histórico do PS lembra que preveniu, durante a campanha eleitoral, que a reeleição de Cavaco Silva podia conduzir a esta situação. "Eu preveni. Uma eventual reeleição seria abrir a porta a estimular a direita, particularmente o PSD, a desencadear uma crise política, e é o que está a acontecer", diz Alegre, defendendo que deve ser feito tudo para evitar a realização de eleições antecipadas.

A tarefa, realça o ex-candidato a Belém, cabe também ao Presidente da República. "Devia fazer um último esforço. É esse o papel dele", sustenta o ex-deputado socialista, acrescentado que "o governo tem toda a legitimidade para governar".

A aparente passividade do Presidente desde que rebentou a crise política também não agradou a Alegre. "O Presidente não pode lavar as mãos. Ele foi eleito para intervir em situações como esta, em que está em causa o interesse nacional. Não é um espectador de bancada."

Manuel Alegre, que até agora tinha optado pelo silêncio, desde a derrota nas eleições presidenciais, diz que "não tem medo de eleições", mas pensa que este é o pior momento para uma crise política. "É uma solução com consequências muito gravosas", afirma o antigo deputado do PS, com a convicção de que, "se as actuais condições são duras, se vier o FMI serão ainda mais gravosas".

A confirmar-se a realização de eleições antecipadas em Maio ou Junho, Alegre diz que não vê "outra solução" interna que não seja a recandidatura de José Sócrates . "É uma decisão dele próprio e do PS, mas ele não vira a cara à luta e neste momento não vejo outra solução", diz Alegre, que rejeita equacionar a hipótese de uma coligação entre vários partidos a seguir às eleições.

"O voto popular deve ser respeitado e as coligações fazem-se consoante a vontade dos partidos."

O histórico do PS, questionado sobre as novas medidas de austeridade, admite que são indispensáveis "outras soluções", mas afirma que "não é honesto avaliar o PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) desligado das exigências do Banco Central Europeu e de Bruxelas".

Alegre, que se candidatou duas vezes à presidência da República, avisa que há "uma manifesta crise do sistema e situações como esta agravam o divórcio crescente entre os cidadãos e as instituições". O que, acrescenta o histórico socialista, é "perigoso para o futuro da democracia".

Manuel Alegre diz que a manifestação da geração à rasca foi um reflexo da descrença que existe na sociedade portuguesa e confessa que foi das "maiores" que viu na vida "sem nenhuma estrutura partidária ou sindical".