"Se publicasse as memórias, lá apareceria o Kurika como companheiro"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre no Porto:
"As eleições estão nas nossas mãos"
21-01-2011 http://manuelalegre2011.pt/

No último dia da campanha eleitoral, o Porto deu a Manuel Alegre mais um banho de multidão na descida da tradicional rua de Santa Catarina, com efusivas manifestações de apoio da população. Antes, num almoço com apoiantes em santo Tirso, o candidato deixou vários apelos ao voto, em concreto a “todos os que pagam os seus impostos e não fogem à sisa”, e acusou o candidato da direita de “fazer chantagem sobre a escolha livre e democrática sobre o povo português”, ao ameaçar com a subida dos juros da dívida se houver segunda volta das eleições.

À semelhança do que aconteceu ontem na descida do Chiado, em Lisboa, foi hoje a vez da gente do porto mostrar a sua confiança em Manuel Alegre, envolvendo o candidato em mais um banho de multidão na descida da Rua de Santa Catarina. Entre o rufar dos bombos, Manuel Alegre cumprimentou comerciantes e transeuntes que tentavam romper entre a multidão para lhe dirigir palavras de apoio e entusiasmo.

Antes, num almoço com apoiantes em santo Tirso, Manuel Alegre garantiu que, apesar dos resultados das sondagens, nada está decidido, lembrando as sondagens que há cinco anos, em vésperas das eleições presidenciais, lhe davam 13% contra mais de 60% em Cavaco Silva. Os resultados vieram depois a dar a eleição do actual presidente com 50,5%, com Manuel Alegre a ficar a menos de 30 mil votos da segunda volta. “Agora as sondagens são-lhe mais desfavoráveis e apesar dos números um pouco estranhos são-me mais favoráveis. Com todo o sentido de responsabilidade, quero dizer-vos que nada está decidido, que tudo é possível e que nós vamos dar a volta para a segunda volta”, afirmou, recebendo uma salva de palmas.

“Não estou a dizer isto por dizer, mas com todo o sentido da humildade e da responsabilidade democrática”, disse, sublinhando que “Cavaco Silva não está eleito, as eleições não estão decididas, estão nas nossas mãos”. “Somos nós que fazemos a nossa história, ninguém nos impõe a história, ninguém nos impõe o destino, ninguém nos impõe o resultado. Somos nós que vamos votar, somos nós que vamos decidir”, recordou o candidato arrancando mais um prolongado aplauso.

Para Manuel Alegre, o ainda Presidente é “um homem inseguro que está a fazer apelo ao medo, está a tentar intimidar os portugueses com o medo”, ao falar “ontem pela primeira vez dos juros da dívida”. “Mas não foi para atacar os especuladores”, nem para ajudar a “combater a ofensiva especulativa contra Portugal”, mas sim para “fazer chantagem sobre a escolha livre e democrática sobre o povo português” que “acenou com o papão da segunda volta como se uma segunda volta não fosse normal em democracia”, denunciou.

Manuel Alegre lembrou o aviso enviado ontem desde o Coliseu os Recreios: “Senhor candidato Cavaco Silva, nós estamos na democracia do 25 de Abril, isto é uma eleição presidencial, não é um plebiscito, portanto não haja batota, o que faz subir os juros da dívida não é uma segunda volta”, afirmou, mas sim declarações como a de “ameaçar com uma crise política que ele próprio provocaria dissolvendo a Assembleia da República e abrindo as portas do poder aos dois partidos que o apoiam”.

Na recta final desta campanha presidencial, desde Santo Tirso, Manuel Alegre lançou vários apelos ao voto aos portugueses e portuguesas. Dirigindo-se a todos os que ainda não decidiram o seu sentido de voto, “com humildade democrática”, Manuel Alegre deixou o apelo: “Peço que votem em mim, não por mim, mas pela democracia com direitos sociais, pelo serviço nacional de saúde, pela escola pública, pela justiça nas relações laborais, pela tolerância, pela cultura, pelo combate à promiscuidade entre os negócios e a política”, disse, recebendo mais uma prolongada salva de palmas.

Aos idosos, sobretudo os mais pobres, Manuel Alegre deixou o apelo: “não se deixem enganar, não votem num presidente que seja cúmplice com a destruição do Serviço Nacional de Saúde”, pois trata-se de um direito garantido pela Constituição da República, questionando-se quantos idosos teriam dinheiro para pagar um seguro de saúde.

Dirigindo-se às mulheres que na actual crise “são o elo mais frágil”, Manuel Alegre apelou a que estejam atentas a “quem realmente se preocupa com a sua condição económica e laboral que é a base da sua independência”, sublinhando que a sua candidatura defende a igualdade entre homens e mulheres, ao contrário da candidatura de Cavaco Silva, em cuja comissão de honra “estão os empresários que pagam mais aos homens do que pagam aos mulheres”, pondo em causa o princípio constitucional da igualdade de género, numa alusão indirecta ao patrão da cortiça, sector onde as mulheres recebem menos cem euros pelo mesmo trabalho que os homens.

Numa palavra também aos jovens, que têm sido uma preocupação constante da sua candidatura, o candidato apelou a que “não fiquem em casa, não votem em branco, não votem no candidato da precariedade, não cedam ao candidato do modelo económico e social que vos confiscará o futuro, não votem no candidato do dogmatismo, da desconfiança, da suspeição e do conservadorismo”, exortando-os: “votem na liberdade, votem na confiança, votem no vosso futuro, votem na minha candidatura, votem no inconformismo”.

Manuel alegre, dirigiu-se ainda, “em especial”, a todos os socialistas citando as palavras de António Costa no comício de ontem em Lisboa, segundo o qual “este Presidente da República não uniu os portugueses, este Presidente da República dividiu os portugueses e tornou-se um adversário dos socialistas”, afirmando que “é isso que também está em causa”.

Dirigindo-se à classe média, aos funcionários públicos e a “todos aqueles que pagam os seus impostos e não fogem à sisa”, Manuel Alegre lembrou que “nestas eleições estão em causa os vossos direitos sociais”, apelando a que “não abdiquem deles, votem na garantia da democracia e do Estado social”.

Recordando as linhas que diferenciam a sua candidatura como um projecto “democrático e progressista”, por oposição ao “projecto conservador apoiado pela direita política, pela direita dos interesses e por dois partidos que estão com pressa de ir para o poder”, Manuel Alegre sublinhou que “este é um combate social, político e ideológico”. “Porque eu defendo uma democracia não apenas política, mas uma democracia económica, social e cultural, em oposição a um candidato conservador inspirado pela ideologia neoliberal que está na origem da crise mundial que estamos a atravessar, que defende o estado mínimo, que nós sabemos que é um estado mínimo para o povo e um estado máximo para os grandes interesses e para os poderosos”, explicou o candidato.

“Esta é uma luta difícil, mas nós não nos rendemos”, disse Manuel Alegre no final do seu discurso, voltando a lembrar que “nada está decidido”. “Aos que dizem que vencer Cavaco Silva é uma utopia, exorto-vos: vamos realizar essa utopia, vamos à luta, vamos à luta, vamos à luta”, incentivou, sob o entusiástico aplauso da assistência.