"Se publicasse as memórias, lá apareceria o Kurika como companheiro"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em Santa Maria da Feira:
"Estamos a preparar a segunda volta"
19-01-2011 http://manuelalegre2011.pt

“Estamos a preparar a segunda volta”, garantiu Manuel Alegre em Santa Maria da Feira, incentivando os seus apoiantes a intensificar a grande onda de mobilização dos últimos dias e a não se deixarem impressionar pelos resultados das sondagens. Alegre acusou o candidato da direita de exercer uma pressão populista e anti-democrática sobre os eleitores ao falar dos custos financeiros se houver segunda volta, considerando que os custos da sua ausência “seriam muito maiores para a democracia”. Num almoço em Santa Maria da Feira, o tom das intervenções iniciais foi marcado pelas críticas ao silêncio do ainda Presidente sobre as questões “incómodas” que continua a não esclarecer.

Na sua intervenção, num almoço com apoiantes na Escola de Hotelaria de Santa Maria da Feira, Manuel Alegre disse que “não deixa de ser irónico e curioso que Cavaco Silva, depois de ter gasto na Presidência da República mais 30 por cento do que o seu antecessor, Jorge Sampaio, venha agora acenar com o argumento da poupança”. O candidato referia-se às declarações de ontem do Presidente recandidato sobre os custos financeiros de uma segunda volta, considerando que “este argumento é demagógico e representa uma pressão populista e anti-democrática sobre o eleitorado”. “O que nós precisamos é de um Presidente da República que não poupe na clareza das palavras, que não poupe na firmeza da defesa do interesse nacional, que não poupe na lealdade e estabilidade institucional, que não poupe na garantia dos interesses sociais, mas também na integridade e no combate sem tréguas à promiscuidade entre negócios e política”, afirmou o candidato, arrancando um vigoroso aplauso da assistência.

“Vocês já repararam que a principal promessa feita por Cavaco Silva nesta campanha foi a de acrescentar e somar à crise económica e financeira uma crise política que ele próprio provocaria? Quem é que traz afinal o risco do aventureirismo político?”, questionou Manuel Alegre, considerando que essa promessa “agrada aos dois partidos que o apoiam, mas não é disso que Portugal precisa”. Manuel Alegre acusou o ainda Presidente de ser “o principal factor da instabilidade política, porque ao falar da eventualidade de uma crise política, social e económica deixou pairar a ameaça de demitir um Governo legítimo, de dissolver a Assembleia da República e de abrir as portas aos dois partidos que o apoiam”.

Para Manuel Alegre, o actual Presidente é também um factor de instabilidade social por nunca se ter pronunciado nem distanciado do projecto de Revisão Constitucional do PSD, um “programa estratégico para destruir o Estado social”, garantindo que será “intransigente contra qualquer Governo queira destruir o Estado social tal como está consagrado na Constituição”.

Contra a descrença na sequência da divulgação de sondagens, Manuel Alegre apelou aos seus apoiantes para que “não se deixem impressionar com sondagens ou com notícias, porque já fiz essa experiência há cinco anos, quando as sondagens davam 60 e tal a Cavaco Silva e 13 por cento a mim. Depois ele teve 50,5 por cento e eu fiquei a menos de 30 mil votos da segunda volta”, recordou.

Alegre defendeu que a sua candidatura desta vez está ainda mais forte do que em 2006, porque agora tem consigo o PS, movimentos cívicos, o Bloco de Esquerda e muitos cidadãos independentes. “Isto vai ser disputado até ao fim e posso dizer que o meu staff está a preparar a segunda volta. Nós sabemos que estamos muito perto da segunda volta das presidenciais, pois isto está a dar a volta e, por isso, Cavaco Silva está com medo e fala nos custos”, afirmou, considerando que os custos da ausência de segunda volta “seriam muito maiores para a democracia”. “A democracia tem custos políticos e nós queremos a segunda volta. Custos políticos muito mais elevados seriam com a vitória da direita política e da direita dos interesses”, sublinhou, confiante na possibilidade de vitória.

Nas intervenções iniciais, o líder da JS, Pedro Alves, e o deputado do BE Pedro Filipe Soares foram unânimes nas criticas ao silêncio de Cavaco Silva sobre as questões “incómodas”, recordando o bloquista o ditado popular “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”.

Pedro Filipe Soares disse que “esta é uma campanha dos silêncios” para o candidato da direita. “Cavaco Silva silencia-se por tudo que é incómodo e tudo que o liga ao grande escândalo do nosso país nos últimos anos, que são as ligações entre o BPN e a Sociedade Lusa de Negócios”, condenou, recordando que isso voltou a acontecer “quando veio a público os 140 por cento de mais valia que conseguiu e fá-lo agora quando se sabe que comprou uma vivenda de luxo no Algarve a uma empresa que também é do grupo SLN”. “Já diz o nosso povo: Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Isso é verdade no Algarve, quando Cavaco Silva tem por vizinhos tão excelsos protagonistas quanto Eduardo Catroga, Fernando Fantasia, administrador da SLN ou até Oliveira e Costa”, acusou.

Também o líder da Juventude Socialista, Pedro Alves, criticou “um mandato de silêncios eloquentes” de Cavaco Silva. “Silencioso quanto a problemas como as escutas, quanto às preocupações dos movimentos sociais em muitos dos momentos em que foi chamado a exercer a função presidencial”, lembrou, criticando também o silêncio do presidente candidato “quanto à comunicação social, quanto à resposta a perguntas que podendo ser incómodas são necessárias que se coloquem em democracia para esclarecimento dos cidadãos e eleitores”.

Segundo o líder da JS, “quando a muralha de silêncio não chega, coloca-se uma muralha de seguranças também, para que a população e a comunicação social não possam fazer perguntas que, podendo ser difíceis, não deixam de ter que ter resposta”. “A única tendência que alguma sondagem pode revelar neste momento – e todas revelam – é a queda do candidato Cavaco Silva, é a queda de uma candidatura que está claramente a perder terreno”, afirmou.

Por sua vez, o seu antecessor na liderança da JS Presidente da Federação de Aveiro do PS, Pedro Nuno Santos, sublinhou a importância da união da esquerda para derrotar as “forças conservadoras da direita”, recordando que Manuel Alegre “foi o primeiro a identificar uma das maiores fraquezas da esquerda portuguesa e vantagem da direita”. “O divisionismo da esquerda é a força da direita”, afirmou o ex-deputado, lembrando também que Manuel Alegre “foi o primeiro a perceber a necessidade de construir pontes, espaços de diálogo e a identificar causas comuns de combate”.

De tarde, em Aveiro, Manuel Alegre foi recebido num ambiente de festa pelos populares que o aguardavam junto à estação. O candidato percorreu a principal avenida da cidade, sendo efusivamente saudado pelos cidadãos que saíram à rua para lhe demonstrar o seu apoio. Ao som dos bombos e entre calorosos cumprimentos, o candidato recebeu palavras de confiança e encorajamento, cruzando-se com uma jovem de quinze anos que lamentou não ter idade para poder votar em Manuel Alegre, convicta da necessidade da sua eleição por uma nova esperança na Presidência da República.