"Se publicasse as memórias, lá apareceria o Kurika como companheiro"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em Vizela:
“Vamos concentrar-nos no essencial – unir, somar, mobilizar”
18-01-2011

“Precisamos na Presidência da República de alguém que tenha uma profunda convicção democrática” afirmou Manuel Alegre esta noite em Vizela, num jantar comício muito concorrido, onde mais uma vez o candidato sentiu o calor humano dos seus apoiantes. Nestes últimos dias da campanha, perante uma onda a crescer, Alegre quis contudo deixar um aviso: “Daqui até sexta-feira vão ser feitas muitas tentativas para vos desmoralizar e tentar quebrar esta onda”. Recordando a sua experiência de há cinco anos, em que isso também sucedeu e apareceram “sondagens estapafúrdias”, Manuel Alegre apelou: “Vamos concentrar-nos no essencial – despertar as pessoas, unir, somar, mobilizar, não nos deixemos quebrar nem distrair, porque o que está em causa é decisivo para o futuro de Portugal.”

Como tem vindo a fazer em todas as suas intervenções, Manuel Alegre assumiu a sua candidatura como um projecto “democrático e progressista”, por oposição ao “projecto conservador apoiado pela direita política, pela direita dos interesses e por dois partidos que estão com pressa de ir para o poder”. O candidato desmontou aquilo que considerou “um programa político e estratégico de destruição do Estado social”, do qual “Cavaco Silva não se demarcou”. “Desvalorizaram estas eleições para que tudo se passasse como se Cavaco Silva já estivesse reeleito” denunciou Manuel Alegre, “mas está a haver campanha e luta política a sério”. É isso que explica “algum nervosismo” e alguma “derrapagem na linguagem de Cavaco Silva, que ainda é Presidente e que veio falar em crise económica, social e política”. “Ora que crise económica, social e política?” interrogou Manuel Alegre, que respondeu: “O que ele quis foi dizer aos seus eleitores que será ele a provocar a crise política, demitindo um governo legítimo e dissolvendo a Assembleia da República”. “E é isso também que o leva”, segundo Alegre, “a ficar calado, temeroso, silencioso perante a ofensiva dos especuladores contra o nosso país.”

Reafirmando que se candidata por valores, Manuel Alegre expôs a sua visão da função e dos poderes presidenciais, insistindo em que o Presidente não deve desvalorizar as leis que promulga, nem vir dizer, depois de promulgar, que não está de acordo, como no caso do diploma que está a provocar as manifestações das escolas particulares.

Outra visão da Europa e do papel de Portugal na Europa é um dos compromissos presidenciais de Manuel Alegre. “Precisamos de mudanças profundas na Europa, de mais democracia, de mais transparência, de regulação dos mercados financeiros, de nova políticas” de crescimento e coesão, disse, e “não desta imposição de políticas de austeridade, recessão e destruição dos serviços públicos”. E isso “implica que na Presidência da República haja uma voz que não seja uma voz para dentro, que não seja, como diria Fernando Pessoa, empacotada no provincianismo mental português”, “uma voz cosmopolita e respeitada, como foram a de Mário Soares e Jorge Sampaio”, afirmou.

Outra visão também de Portugal, da sua cultura, da sua história, da sua língua, dos grandes livros que se escreveram em português, prometeu Alegre, recordando não só os escritores de Portugal mas também do Brasil, de Angola, de Moçambique e até de Timor.

Outra capacidade de inspirar os portugueses, através da palavra, defendeu o candidato. “Precisamos de alguém que não tenha medo de falar e que quando é preciso faça ouvir a sua palavra justa e mobilizadora para os portugueses e a palavra de Portugal para a Europa e para o mundo”, afirmou.

Alegre explicou mais uma vez a importância de não deixarmos esvaziar a democracia dos seus direitos sociais. Temos de “garantir que não vai haver uma mudança de democracia, não da democracia para a ditadura, precisou, mas da democracia como a construímos depois do 25 de Abril.” “Não deixem que a direita tome o poder todo” apelou o candidato.

Manuel Alegre voltou a lançar o tema da desertificação, que afecta dois terços do território nacional, “porque a desigualdade territorial é um factor de desigualdade social”. No final da sua intervenção, Alegre assumiu-se como um combatente pelo futuro, “pela criação da esperança, porque a esperança é difícil, sobretudo em momentos destes, mas a esperança constrói-se” e apelou à mobilização de todos até ao próximo domingo, pois “eu sei, a minha candidatura sabe, que estamos perto da segunda volta, que começou na Madeira, nos Açores, confirmou-se em Castelo Branco, Coimbra e Vila Real e agora de novo aqui, em Vizela”.