"O funcionário que fez o meu BI quando regressei, não me perguntou a profissão, escreveu Poeta. Estou-lhe grato."
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Notícias
*
*
Manuel Alegre em Coimbra:
Ninguém nos impõe a história, somos nós que fazemos a história
16-01-2011 http://manuelalegre2011.pt/

“Ninguém nos impõe a história, somos nós que fazemos a história e a história destas eleições ainda não está feita e está nas nossa mãos” afirmou Manuel Alegre ontem em Coimbra, num discurso vibrante e pedagógico, perante uma assistência de mais de mil pessoas que fez transbordar o Teatro Gil Vicente. “Estou aqui com o mesmo espírito com que há muitos anos usei pela primeira vez da palavra na assembleia magna da Associação Académica” recordou Manuel Alegre. O mesmo “espírito de resistência, de luta e de combate dos tempos em a liberdade era uma palavra proibida”. Mas "nós já estamos a resistir, nós já estamos a abrir o caminho para que algo de novo seja possível".
Veja o discurso AQUI
Oiça o discurso no final da notícia

Manuel Alegre explicou com clareza por que razão este era um combate cívico, político, ideológico, social e cultural: “Trata-se de escolher entre uma democracia com todos os seus direitos ou uma democracia sem os seus direitos sociais, o que é o mesmo que mudar de democracia e mudar de regime”, sintetizou, depois de recordar as suas principais referências: Antero de Quental, Fernando Vale, Miguel Torga, Paulo Quintela.

Frequentemente aplaudido pela assistência, Manuel Alegre fez uma leitura política dos tempos que vivemos e da importância da eleição presidencial, sublinhando que estão em causa duas visões distintas: “o neoliberalismo que esteve na origem da crise mundial e os valores da democracia, entendida como democracia política, económica, social e cultural”. O candidato disse mesmo que iria “usar um chavão” para afirmar que nesta luta "política, cívica e ideológica", a direita no mundo, na Europa e também em Portugal está “a reinventar a luta de classes”, pois “querem o poder todo contra a maioria dos trabalhadores, contra a maioria dos pequenos e médios empresários, contra a maioria esmagadora do povo português”.

“Isto é também uma luta social, temos que saber de que lado estamos”, disse Manuel Alegre. “Não basta dizer - eu sou um homem do povo - e depois estar do lado do grande poder da banca, do grande poder financeiro, do grande poder do capitalismo internacional”, condenou. “Se se é um homem do povo, que se seja fiel às raízes, que se seja fiel às origens, que se esteja perto daqueles que menos têm e daqueles que mais precisam, daqueles que estão a sofrer na sua carne, todos os dias, as consequências desta crise”, afirmou, recebendo uma prolongada salva de palmas.

Afirmando que “na política e na vida há sempre novos caminhos” e lembrando que Portugal já foi várias vezes pioneiro na História, “quando as naus portuguesas partiram para o mar desconhecido”, Manuel Alegre considerou que Portugal está a ser de novo “pioneiro” na História ao “bater o pé” à entrada do FMI. “Fomos Europa antes de a Europa o ser, não temos que ter complexos de inferioridade, não temos que ter complexos de bons alunos. Tivemos uma das primeiras revoluções liberais, uma das primeiras repúblicas e, quando se fez o 25 de Abril, foi também um movimento pioneiro, precursor, que abriu caminho à nova vaga democrática”, afirmou.

Para Manuel Alegre, “podemos ser de novo pioneiros, precursores – e estamos a sê-lo resistindo ao FMI, batendo o pé ao FMI e àqueles que de fora e cá dentro o querem cá”. “Já estamos abrir o caminho para que algo de novo seja possível,” afirmou. “E esse algo de novo não é um modelo acabado, é a procura de novas soluções, é dizer aos senhores que mandam no mundo e que querem mandar na Europa que esse não é o caminho”, defendeu, recebendo mais um prolongado aplauso.

Manuel Alegre referiu ainda os apoios do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda à sua candidatura sublinhando que não é “refém de ninguém”, ao contrário de Cavaco Silva que, “com as afirmações que tem feito ultimamente, está refém dos dois partidos que o apoiam, que estão com pressa de chegar ao poder empurrados por ele, encostados a ele”. “Ele ameaçou provocar uma crise política, ou seja dissolver a Assembleia da República, para abrir as portas do poder aos dois partidos que o apoiam. Ele deixou de ser um garante de estabilidade e ele é neste momento um factor de instabilidade”, acrescentou.

Manuel Alegre deixou uma palavra aos jovens, desafiando-os a assumirem um papel activo na construção do futuro. “Serei o vosso companheiro de viagem. Façam um pacto de insurreição contra a precariedade da vossa vida. Ajudem a mudar a sociedade”, incentivou.

A terminar, o candidato apelou a toda a esquerda para que “não se distraia” e não deixe de votar, pois “o que está em causa é mesmo o espírito da esquerda e da nossa democracia tal como está consagrada na Constituição”. Exortando todos, mesmo os que sem ser de esquerda se reclamam da doutrina social da Igreja, Manuel Alegre deixou um apelo final: “Se defender a democracia e o Estado social é uma utopia, vamos realizar essa utopia. Se derrotar Cavaco Silva é uma utopia, vamos realizar essa utopia”, apelo recebido em clamorosa ovação por uma multidão em pé.

Antes do candidato, usaram da palavra Mário Ruivo, líder distrital do PS, António Arnaut, fundador do Serviço Nacional de Saúde e mandatário distrital da candidatura, Jacinto Lucas Pires, mandatário da juventude, Maria do Rosário Gama, membro da comissão de honra, José Manuel Pureza, dirigente e líder parlamentar do Bloco de Esquerda, e António Almeida Santos, presidente do Partido Socialista, a quem Manuel Alegre se referiu como aquele a quem "em grande parte se deve esta candidatura nos termos em que está a realizar-se".

Áudio
Discurso de Manuel Alegre no Teatro Gil Vicente