"O funcionário que fez o meu BI quando regressei, não me perguntou a profissão, escreveu Poeta. Estou-lhe grato."
Manuel Alegre
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Manuel Alegre no almoço-comício em Santarém
Pressão para a entrada do FMI tem cumplicidades cá dentro
10-01-2011 http://manuelalegre2011.pt

Manuel Alegre denunciou hoje em Santarém que a acção especulativa para a entrada do FMI em Portugal “vem de fora mas tem cumplicidades cá dentro”, desafiando Cavaco Silva a explicar aos portugueses o que significa a entrada do Fundo Monetário Internacional. No almoço-comício na terra de Salgueiro Maia, o candidato elogiou o capitão de Abril, o homem “a quem devemos o mais precioso dos bens – a liberdade e a democracia”.

Depois de ter iniciado a campanha eleitoral ontem nos Açores, Manuel Alegre fez questão de começar a campanha no continente em Santarém para, num “acto simbólico”, homenagear Salgueiro Maia, “aquele que derrubou um poder, conquistou o poder e nada quis para si mas a quem devemos o mais precioso dos bens – a liberdade e a democracia”.

No seu discurso no almoço comício na terra do capitão de Abril, Manuel Alegre denunciou que, “apesar dos sacrifícios e da execução orçamental positiva”, a pressão especulativa para a entrada do FMI em Portugal continua com “cumplicidades cá dentro”. “Não se trata de um funcionamento de mercados, trata-se de uma acção especulativa que tem um objectivo: forçar a entrada do FMI em Portugal. Isto vem de fora mas tem cumplicidades cá dentro”, afirmou.

Manuel Alegre considera que “estas cumplicidades não resultam só da pressa de ir para o poder e da impaciência política de chegada ao poder”, mas do facto de saberem que “se o FMI entrar em Portugal vai aplicar o programa radical que a direita não tem coragem de apresentar aos portugueses”, desafiando o ainda Presidente a explicar o que isso significa.

“Seria bom que o candidato Cavaco Silva, que é professor de Finanças e economista, explicasse aos portugueses o que é que significaria, neste momento, a entrada do FMI em Portugal”, afirmou, recordando que o país já não tem “a soberania da moeda”, bastando olhar para o que aconteceu na Irlanda com a entrada do Fundo Monetário Internacional.

Manuel Alegre lembrou ainda o “gravíssimo” episódio das escutas entre a Presidência da República e o Governo, considerando que “foi uma quebra de imparcialidade e uma deslealdade institucional” e recordando que “coincidiu com o aproximar das eleições”, quando “Manuela Ferreira Leite e outros dirigentes do PSD falavam de asfixia democrática”. “Esse episódio em que o presidente nada disse, em que o presidente deixou correr e em que por acaso se deixou pairar a ideia de que o Governo estava a espiar a Presidência da República, facto que punha em causa o regular funcionamento das instituições democráticas”, condenou o candidato.

Manifestando a sua inabalável confiança na vitória, Manuel Alegre considerou que “havia um projecto de desvalorização das eleições presidenciais”. “Parecia que Cavaco Silva já estava eleito, mas em democracia não há vencedores antecipados. Cavaco não está eleito, nada está decidido. É possível a segunda volta. É possível a vitória”, afirmou confiante, depois de afirmar que os seus apelos à mobilização da esquerda não pretendem a desistência de nenhuma candidatura. “Eu não peço e não quero a desistência de ninguém, quero que se lute contra a abstenção. É importante que o PCP tenha o seu candidato e mobilize o seu eleitorado”, afirmou o candidato.

Antecederam o discurso de Manuel Alegre, as intervenções de José Niza, mandatário distrital, José Gusmão, deputado do Bloco de Esquerda, e Augusto Santos Silva, Ministro da Defesa e dirigente nacional do PS, que começou por justificar o voto em Alegre pela sua visão “progressista” e pela sua concepção de “democracia” com “pleno respeito pelas assembleias legislativas” do país. O dirigente socialista acusou ainda as forças de direita de “salivarem” perante a “simples possibilidade de tirar proventos partidários de uma eventual entrada do FMI em Portugal”. No almoço marcaram ainda presença a ex-deputada do PCP Luísa Mesquita e Natércia Maia, viúva de Salgueiro Maia.

Durante a tarde, Manuel Alegre prestou ainda uma homenagem ao capitão de Abril, depositando um ramo de cravos vermelhos junto da sua estátua. Um acto simbólico a que assistiram Francisco Louçã, o líder do Bloco de Esquerda, e o deputado europeu do BE Miguel Portas, que acompanharam depois o candidato numa viagem de comboio entre Santarém e o Entroncamento.

Francisco Louçã afirmou aos jornalistas que “esta não é uma eleição de partidos, é a escolha de um Presidente” e que apoia esta candidatura “em nome dos serviços públicos, em nome daquilo que é de todos, em nome da democracia”.