"Sobretudo nas horas em que tudo / de repente se esvazia / e pesa mais que tudo esse vazio / ... / é precisa (mais que tudo) a poesia."
Manuel Alegre
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Manuel Alegre no mercado da Ribeira:
"Quero ser o Presidente da mudança e da esperança"
15-12-2010


"Não quero ser o Presidente da depressão, quero ser o Presidente da recuperação, afirmou Manuel Alegre ontem à noite no Mercado da Ribeira, em Lisboa, numa sala cheia com mais de 600 pessoas. "Não quero ser o Presidente da resignação, continuou, quero ser o Presidente da mudança e da esperança. E peço a todos que me ajudem a reconstruir a palavra esperança, a dar um sentido concreto à palavra esperança na construção em Portugal de uma sociedade mais justa, mais humanista e mais solidária".


Manuel Alegre afirmou que "há uma diferença entre aqueles que lutaram e não lutaram", numa referância ao seu próprio percurso e ao do candidato da direita. "Não é desonra, não é crime, não é vergonha, mas há uma diferença", sublinhou. "Eu sou e fui toda a vida um lutador, um lutador político e um lutador social. E acho que Portugal precisa neste momento na Presidência da República de um lutador político capaz de defender o Estado democrático e capaz de defender o Estado social", afirmou o candidato, perante um aplauso prolongado dos presente.

"Saberei ser o Presidente de todos os portuguesses, porque o Presidente de todos os portugueses será aquele que sendo imparcial, não interferindo no jogo político partidário, saiba garantir e defender a democracia tal com ela está consagrada na Constituição da República", afirmou Manuel Alegre, salientando que é esse o seu compromisso com os portugueses.

Frequentemente interrompido por aplausos, Manuel Alegre explicou as razões da crise europeia e as causas próprias da crise estrutural portuguesa e foi implacável perante o que considerou "um ataque especulativo contra a nossa dívida soberana" e o desequilíbrio da Europa em favor do centro poderoso e contra os países periféricos como o nosso. "Não foi a esta Europa que nós aderimos", recordou, apelando a toda a esquerda para uma recostrução da Europa da "prosperidade partilhada e da solidariedade entre iguais".

"O que vai estar em confronto" nestas eleições, disse Manuel Alegre, "são duas visões do mundo e duas visões do País". O candidato elencou as principais diferenças entre a sua candidatura e a candidatura da direita: "Uma visão de modernidade, de liberdade, de justiça social, de luta contra todas as formas de discriminação e preconceitos, que é a visão que eu sempre tive na vida e na luta politica", afirmou, "e uma visão conservadora", "no plano político, pela tendência para desvalorizar constantemente a política", "no plano do papel do Estado, pela vocação e tendência para o seu esvaziamento", "no plano dos costumes, porque este Presidente sempre se opôs às leis que mudaram os costumes e os valores em Portugal, e que vão ficar na história, e só não vetou algumas porque não teve coragem politica para o fazer", e "conservadora nas questões da economia porque tem uma posição seguidista perante o neo-liberalismo dominante."

O candidato insistiu na defesa do Estado social e na necessidade de Portugal voltar à agricultura e ao mar, mas lembrou as responsabilidades do candidato da direita pelo facto de terem sido os seus governos que negociaram estes dossiers no passado, e negociaram mal. "Não temos que ser o bom aluno da Europa", disse a certa altura, frisando que "é preciso reconstruir o nosso tecido produtivo" e que "temos de aproveitar as qualificações da nova geração, as mais elevadas de sempre". Manuel Alegre voltou a desafiar os jovens a procurar "dar a volta" à situação de precariedade e falta de perspectivas que atravessam. "Uma Pátria que não garante um futuro à sua juventude é uma Pátria em risco", sublinhou.

"Precisamos todos uns dos outros", disse Manuel Alegre, "Portugal precisa do vosso apoio, da vossa mobilização contra a abstenção", apelou, recordando que "não sou só eu que me candidato, somos todo nós".

Antes de Manuel Alegre usaram da palavra Daniel Sampaio, mandatário por Lisboa, e António Costa, presidente da câmara da capital. Na sala viam-se deputados e dirigentes do Bloco de Esquerda, como José Manuel Pureza, Helena Pinto ou José Soeiro, da Renovação Comunista, como Paulo Fidalgo e Cipriano Justo, dos Cidadãos por Lisboa, como os vereadores Helena Roseta e Nunes da Silva, para além de Maria de Belém, Alberto Martins, Vera Jardim e presidentes de Câmara do distrito de Lisboa, como Luz Rosinha, Joaquim Raposo, Susana Amador e Carlos Teixeira.