"Nada está adquirido, tudo está a andar para trás muito depressa"
Manuel Alegre
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No almoço da Ribeira
No almoço da Ribeira
No Teatro S. João e com o escultor José Rodrigues
No Teatro S. João e com o escultor José Rodrigues
Manuel Alegre com agentes da cultura do Porto:
"A política tem que ter uma dimensão cultural"
21-11-2010 http://manuelalegre2011.pt

Manuel Alegre almoçou hoje na Ribeira do Porto com artistas e agentes culturais. O candidato visitara antes o Teatro Nacional de São João onde deixou um apelo à tutela para repensar a integração da instituição na OPART, prevista no OE 2011.

“A política tem que ter uma dimensão cultural”, afirmou Manuel Alegre hoje num almoço na Ribeira do Porto com artistas e agentes culturais. “Não é indiferente saber quem vai ser o Presidente da República”, disse o candidato, “porque uma nação não é só números, é história – a história que está para trás e a história que está por fazer”.

Depois de defender a dimensão euro-atlântica de Portugal, Manuel Alegre confessou-se “um poeta emprestado à política”, mas assumiu a relevância da política, “por circunstâncias históricas” da sua vida. “É preciso desconfiar daqueles políticos que concorrem aos cargos políticos dizendo que não são políticos”, disse ainda o candidato, que sublinhou a importância da escolha de 23 de Janeiro, que “vai decidir o modelo de sociedade e o conteúdo social” da nossa democracia, “indispensável num país pobre como o nosso”.

Manuel Alegre defendeu a importância da palavra que pode “mudar a vida”, como queria Rimbaud. Citando Obama, disse que “as palavras inspiram” e que essa “é uma arma do Presidente”. “Acho que os partidos começaram a acordar”, reconheceu, mas “isto vai ser um combate por Portugal”, para o qual convocou todos os presentes, porque “é preciso que haja uma alternativa”.

O escritor Valter Hugo Mãe, vencedor do prémio Saramago 2011, o actor Júlio Cardoso, director da companhia de teatro Seiva Trupe e o cineasta Jorge Campos, responsável pela área do cinema na Capital Europeia da Cultura 2001, foram algumas das personalidades da cultura portuense presentes neste almoço com mais de quarenta agentes culturais. O escultor Carlos Marques, a actriz Carla Miranda, a bailarina Joana Amaral e o geógrafo Álvaro Domingues foram outras individualidades que marcaram presença.

"Teatro Nacional de São João não deve ser integrado na OPART"

Durante a manhã, Manuel Alegre visitara o Teatro Nacional de São João, onde deixou um apelo à Ministra da Cultura para repensar a decisão de integrar a instituição na OPART, organismo de gestão artística criado para reunir o Teatro de S. Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, alargado agora ao histórico teatro do Porto, como previsto no Orçamento do Estado para 2011.

No final da visita na companhia do director artístico, Nuno Carinhas, e da presidente do conselho administração, Francisca Carneiro Fernandes, Manuel Alegre considerou que esta fusão, a tornar-se realidade, trará um problema de subfinanciamento e outro de autonomia. “O São João é um emblema cultural do Porto e do país. Tem uma grande tradição, tem prestígio nacional e internacional, e não há nenhuma razão para que não preserve a sua autonomia”, disse o candidato.

Manuel Alegre considera que a extinção da instituição enquanto entidade pública empresarial é contrária à filosofia de descentralização cultural de que o Porto “necessita e merece” e deixa um apelo à ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, “uma pessoa de sensibilidade e cultura”, para que a decisão do ministério que tutela seja repensada. “Tem de haver critérios culturais que não sejam condicionados por critérios contabilísticos porque isso, a prazo, dá mau resultado”, sublinhou.

Considerando que esta integração não representa “grande coisa do ponto de vista dos cortes orçamentais”, mas supõe uma “regressão” do ponto de vista cultural, Manuel Alegre defendeu que há muita coisa onde cortar, mas não necessariamente no São João, nem noutros aspectos da cultura. O candidato deixou ainda a promessa de levar “o problema do São João” às entidades competentes "no sentido de as sensibilizar", sublinhando que é "um teatro com uma grande tradição, uma grande história, uma grande projecção e não há razão nenhuma para passar a ser dirigido de Lisboa”.

Na fábrica de cultura de José Rodrigues

Nesta jornada dedicada à cultura portuense, Manuel Alegre visitou ainda a Fábrica/Fundação Social do escultor José Rodrigues, um espaço multicultural polivalente alargado a outros artistas e actividades culturais, como a dança, o teatro, a música. Depois de mostrar ao candidato as várias salas de exposições e ateliers de escultura, pintura, desenho, ballet e teatro, José Rodrigues definiu o que se faz no seu espaço: “É um novo tipo de fábrica. Aqui cria-se a criação. Aqui não há monotonia. Aqui cria-se, dá-se criatividade a toda a gente, dá-se o sorriso, dá-se a esperança. Acho que o país precisa de muitas fábricas destas. É preciso criar criadores”.

“Está aqui um grande criador”, disse, referindo-se a Manuel Alegre que considerou, por sua vez, o escultor como “um grande semeador”. “Isto é um novo tipo de fábrica. Um acto de amor, um acto de cultura. Aqui apetece dançar, apetece desenhar, apetece esculpir, apetece ficar e até apetece escrever poemas, já estava a sentir uma música cá dentro. O país também precisa disto porque o país não é só economia, não é só orçamento”, afirmou sensibilizado o candidato.