"Nada está adquirido, tudo está a andar para trás muito depressa"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre no almoço de autarcas no Porto:
“Não podemos resignar-nos perante o défice da interioridade”
20-11-2010

“Somos um país com muitas desigualdades e assimetrias" alertou Manuel Alegre esta tarde num almoço no Porto, com autarcas e dirigentes dos movimentos e forças políticas que apoiam a sua candidatura. “Temos muitos défices”, disse o candidato, entre os quais “o défice das assimetrias e da interioridade”. Manuel Alegre confessou “com humildade” que, depois do que aprendeu na última campanha presidencial ao percorrer o país, é hoje um cidadão “completamente convertido à regionalização como um factor de democratização e desenvolvimento do país”.

Manuel Alegre confessou que a volta ao país na anterior campanha eleitoral o fez compreender o “gravíssimo problema da interioridade e da desertificação”. “Não podemos resignar-nos a ter dois terços do nosso país desertificado”, defendeu. “Tive muitas reservas em relação à regionalização por razões históricas, por uma certa visão da revolução de 1383-1385, por achar que fomos o primeiro país que, por centralizar o poder, conseguiu ser independente” disse ainda. Hoje, no entanto, Manuel Alegre considera que a regionalização “é um imperativo constitucional, mas é mais do que isso, é um imperativo democrático e um imperativo nacional”, afirmação que foi recebida com um prolongado aplauso.

O candidato defendeu mais uma vez a importância do Estado social e considerou que Cavaco Silva não tem autoridade para falar agora na dívida pública pois foi “o pai do monstro”. Durante os dez anos em que foi Primeiro-ministro, “apostou mais na quantidade que na qualidade, como ele próprio reconheceu em debate comigo”, disse Manuel Alegre, e a dívida pública “aumentou 10%”.

“Somos um pequeno país, mas com uma grande história, uma grande cultura, uma relação multissecular com outros povos e uma das línguas mais faladas no mundo” lembrou o candidato, para afirmar que “não podemos ter uma posição de submissão, de ‘bom aluno’”. “Tem de haver um voz portuguesa na Europa” e esse é o papel do Presidente da República, concluiu.

“Há uma pressão artificial para fazer subir os juros da dívida soberana” criticou Alegre, considerando que “isto já não é um problema dos mercados, é um problema político”. “Somos nas fronteiras actuais o mais antigo país da Europa” e não podemos aceitar ser “empurrados”.

Manuel Alegre insistiu nos temas centrais do seu discurso: os direitos sociais, a defesa de uma Europa de coesão e solidariedade contra a Europa dos mercados financeiros, um novo modelo de desenvolvimento para Portugal e uma nova esperança para a juventude e para os cidadãos portugueses.

“Os Estados não são abstracções, são pessoas concretas, são famílias. O que se está a fazer na Europa é um crime e não podemos aceitar isso”, afirmou. “O dever de um Presidente é pensar nas pessoas primeiro e dar um sentido aos sacrifícios”, disse ainda, “pois ninguém pode viver sem esperança”. Precisamos, rematou, “daquela ‘pequena luz bruxuleante’ de que falava Jorge de Sena” e é isso que um Presidente deve fazer, ter “uma palavra cultural e política, uma perspectiva histórica” para combater o projecto de destruição do nosso Estado social e lutar por um Portugal “mais justo e mais solidário”.

Manuel Alegre saudou a “diversidade, sem mistificações” das presenças dos membros e dirigentes das forças cívicas e políticas que o apoiam, considerando que elas confirmam que a sua candidatura está a conseguir o essencial: “a união, a inclusão e a mobilização” numa “dinâmica social e política” com o objectivo essencial de ganhar as eleições presidenciais. O visível crescimento da campanha nos últimos comícios e iniciativas significa, segundo Manuel Alegre, que “as pessoas estão a perceber aquilo que está em jogo”: o “confronto entre duas visões do mundo. Uma visão de modernidade, de liberdade e de solidariedade e uma visão conservadora na política, na questão social, até nas questões económicas e, sobretudo, nas questões de costumes e de civilização”.

O candidato recebeu à chegada um abraço especial. O presidente do Banco Europeu do Investimento e seu amigo de longa data, João Cravinho, em passagem pelo Porto, fez questão de se deslocar ao hotel onde iria decorrer o almoço para lhe manifestar o seu apoio e desejar muita força para a vitória.

Estiveram presentes no almoço, entre outros autarcas, os presidentes de câmara de Matosinhos, de Santo Tirso, da Trofa e de Baião, bem como José Manuel Pizarro, presidente da concelhia do PS no Porto e a deputada Luisa Salgueiro, coordenadora distrital da campanha. Antes do candidato, discursaram os representantes das foças políticas que o apoiam. Manuel Correia Fernandes, dirigente do MIC e mandatário distrital da candidatura, José Cavalheiro, dirigente da Renovação Comunista, Renato Sampaio, presidente da Federação distrital do PS e João Teixeira Lopes, dirigente do BE, foram unânimes no destaque da união e convergência sobre a importância das qualidades do candidato e desta candidatura na defesa do Estado Social e de uma democracia mais justa e solidária.