"Na televisão, os comentadores de futebol substituíram grandes figuras da literatura portuguesa"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em Torre de Moncorvo:
Existem muitos outros défices como o da interioridade e da desertificação
14-11-2010

Manuel Alegre reafirmou as críticas ao silêncio do actual Presidente “perante a ofensiva especulativa contra o Estado português”, acusando-o de ser um “neoliberal” e um “conservador” na “visão política do país e da democracia”. Num almoço, este Domingo, em Carviçais, Torre de Moncorvo, o candidato deixou ainda o alerta para a existência de “muitos outros défices”, além das contas públicas, como o da interioridade e da desertificação.

Para Manuel Alegre, a ameaça da chanceler alemã aos “credores que fazem empréstimos a países como o nosso”, fazendo subir os juros da dívida pública, “já não é só uma questão dos mercados”, mas sim “uma questão política” que exige uma “resposta política”. “Quem garante, em primeiro lugar, a representação e a defesa do interesse nacional é o Presidente da República”, sublinhou, criticando Cavaco Silva por ter dito numa entrevista que não adianta atacar o FMI e os mercados financeiros porque eles não nos ligam nada. “Com um Presidente da República assim, cada vez nos ligam menos”, afirmou.

Negando que seja contra a economia de mercado, “mas não por essa coisa abstracta que são os mercados financeiros e uma Europa gerida pelos bancos alemães”, Manuel Alegre só encontra justificação no silêncio do Presidente porque “ele é um neoliberal” que “no fundo está de acordo com a análise que fazem os mercados sobre a situação económica portuguesa”, acusando-o ainda de ser um “conservador apoiado por forças conservadoras na visão política do país e da democracia”. Por isso, o que está em jogo nas eleições presidenciais, segundo o candidato, “não são a 2ª volta das legislativas, nem a 1ª de eventuais eleições antecipadas”, mas a decisão do “modelo político do nosso país, o modelo de sociedade e a forma e o conteúdo da nossa democracia”.

O candidato deixou ainda o alerta para a existência de “muitos outros défices”, além das contas públicas, como o da interioridade e da desertificação. “Não podemos ter um país que tem dois terços do seu território cada vez mais desertificado, isso é gerador de desigualdade e de um grande desequilíbrio” afirmou. Sublinhando a necessidade de outra atenção para o interior, Manuel Alegre admitiu que, embora inicialmente não fosse a favor, hoje é um “adepto fervoroso da regionalização”, por ser “a única maneira de podermos resolver o problema da interioridade”, colhendo um vigoroso aplauso dos cerca de 150 apoiantes que enchiam a sala.

Aires Ferreira, presidente da câmara da Torre de Moncorvo e mandatário distrital da candidatura, criticou, por sua vez, o candidato do PSD e do CDS que exerce as funções de Presidente da República: “Ele diz que não vai utilizar outdoors porque é indoor permanente, entra-nos pela casa dentro a toda à hora”. E estendeu a ironia aos “alertas” que o candidato disse ter lançado sobre a situação do país: “como fazem os meteorologistas, dizem-nos que amanhã vai chover e saímos de casa com guarda-chuva mas está um vento desgraçado, o guarda-chuva vai à vida e molhamo-nos à mesma”. Num tom mais sério, sobre a crise financeira do país e da Europa, o mandatário defendeu que é preciso “haver regras” porque “a sociedade não pode estar à mercê da especulação e da ganância”, recusando que seja “marxismo” e citando a encíclica sobre a doutrina social da igreja que “fala na função social da propriedade privada”.

Já Berta Nunes, a primeira mulher eleita presidente de câmara em terras transmontanas, em Alfandega da Fé, sublinhou que nas próximas eleições presidenciais estarão em causa duas visões do futuro do país: a visão neo-liberal de Cavaco Silva e uma “visão positiva do futuro” protagonizada por Manuel Alegre, mas cuja mensagem acusou a comunicação social de não querer passar.