"De cada vez que o Parlamento cede ao populismo, este não agradece, reforça-se"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em entrevista à TVI24:
“Se alguém vive muito acima das nossas possibilidades, não é a generalidade dos portugueses”
14-07-2010 TVI24


“Deve-se falar verdade mas com sensibilidade social”, defendeu Manuel Alegre esta noite em entrevista ao jornalista Paulo Magalhães na TVI24, contestando a afirmação de Hernâni Lopes de que se deveria cortar 10 ou 20 por cento dos salários. Para Manuel Alegre dizer isso na situação actual é “uma crueldade”, pois “temos 57% das famílias portuguesas a viver com menos de 900 euros por mês e 31% entre 400 e 700 euros”. “Se alguém vive muito acima das nossas possibilidades, não é a generalidade dos portugueses”, rematou.
Veja a entrevista no íntegra AQUI

“Nem ilusões, nem catastrofismos”, disse o candidato, que voltou a criticar o facto de Cavaco Silva ter afirmado que a situação do país era insustentável. Ao dizê-lo, segundo Manuel Alegre, “o Presidente está a enfraquecer o Estado português perante aqueles que de fora fazem ataques especulativos”.“Acho que a situação é difícil mas não é insustentável e o Presidente deve ser o primeiro a dizer uma palavra de confiança”, adiantou, explicando que “devemos apostar nos nossos recursos, descobrir outra vez o mar, aprender com os sectores que resistiram à crise, como o calçado, promover o investimento público e privado selectivo, na inovação, na qualificação das pessoas, na cultura e na língua”.

Manuel Alegre defendeu que “é preciso dar um pouco de horizonte e de esperança às pessoas”. Referindo-se a Cavaco Silva, disse que "não é preciso estar a dar lições de economia todos os dias", não é só isso, não é esse o papel do Presidente”. A propósito das afirmações de Cavaco Silva sobre as agências de rating não deverem ser recriminadas, Alegre disse que o Presidente devia “preocupar-se mais em defender o interesse nacional”, pois as agências de rating já se enganaram muitas vezes e estão a ser investigadas no EUA por terem defendido produtos financeiros tóxicos.

O candidato citou o exemplo de Lula da Silva que, sem ser economista, tirou 23 milhões de brasileiros da pobreza e encarou as prestações sociais como factores de desenvolvimento. Lembrando que “as democracias igualitárias são as que melhor resistem à crise e são também as mais produtivas”, Manuel Alegre considerou que não vê como sair da crise a cortar nos serviços públicos e nas prestações sociais e a reduzir o poder de compra. Alegre considerou que rigor financeiro e consolidação das finanças públicas são necessários, até para defender o Estado social e acrescentou: “Não podemos somar austeridade à austeridade, não se pode viver assim, temos de abrir janelas para políticas de crescimento e emprego”, afirmou.

Quanto às medidas de austeridade do PEC, Manuel Alegre recordou o discurso crítico que fez em Bragança e reconheceu que elas tinham sido exigidas por Bruxelas, sendo muito difícil “encontrar soluções alternativas sem modificar o quadro europeu”. A propósito, referiu que nos EUA há um mecanismo de solidariedade que permite apoiar um Estado em dificuldade. Na Europa, para além da união monetária, tem de haver união política ou pelo menos “coordenação das políticas económicas”, disse ainda. Perguntado pelo jornalista se isso não seria uma perda de soberania, respondeu: “A Europa é uma forma de soberania partilhada. Este império dos mercados financeiros é que é uma perda de soberania”. "Quando um país é obrigado a impor essas medidas, porque senão entra em colapso e em bancarrota, aí sim é que há um problema de soberania", disse Manuel Alegre.

O maior problema do país é o desemprego, afirmou ainda, considerando que “há uma responsabilidade social do Estado”. "Isso passa pela consolidação das finanças públicas com planos de crescimento e emprego, aqui e na Europa" disse, "se não nós vamos ter uma explosão social. As pessoas não podem aguentar que se some recessão à recessão, que é o que se está a passar em Portugal, na Espanha, na França, na Itália, um pouco por todo o lado" alertou.

“O Presidente deve favorecer o diálogo entre todas as forças políticas e todos os parceiros sociais”, respondeu o candidato, interrogado sobre se Cavaco Silva deveria promover um governo de bloco central. Alegre recordou que desde o Presidente Eanes não há governos de iniciativa presidencial, cabendo esse papel aos partidos no Parlamento.

Sobre o facto de não ter tido o apoio de Mário Soares, Alegre comentou: “Tenho muita pena, mas respeito a posição dele.”

Sobre a posição do PCP, Manuel Alegre afirmou que “pode ser necessário, para haver segunda volta, que o PCP tenha o seu candidato para fixar o eleitorado”, mas que essa era uma decisão do próprio PCP e “nunca a esquerda perdeu uma eleição presidencial por causa do PCP”.