"A grande poesia não cabe num tweet"
Manuel Alegre
InícioManuel AlegreNotíciasAgendaOpiniãoPresidenciais 2011LinksPesquisa
YouTube Twitter FaceBook Flickr RSS Feeds
> Notícias
Manuel Alegre responde a José Sócrates na TSF:
O Presidente não está inibido de ter uma opinião e deve dizê-la claramente
21-03-2010 com Teresa Dias Mendes, TSF (excertos)

“Um Presidente da República não tem que ter uma agenda de governação” mas “isso não quer dizer que não tenha opinião sobre os grandes problemas nacionais” afirmou Manuel Alegre à TSF, reagindo à declarações de José Sócrates para quem “não faz parte do papel de um Presidente da República ter uma agenda alternativa de governação”. A questão foi despoletada pelas críticas de Manuel Alegre ao Programa de Estabilidade e Crescimento e ao silêncio do Presidente da República. Para o candidato a Belém, "o Presidente não está inibido de ter uma opinião. E deve dizê-la claramente." Ouça as declarações de Manuel Alegre aqui.

Manuel Alegre reagiu à forma como José Sócrates respondeu às críticas que o socialista fez ao Programa de Estabilidade e Crescimento na noite de 6ª feira. Hoje, em entrevista ao Jornal de Notícias, José Sócrates diz que discorda de Manuel Alegre, sobretudo porque “não faz parte do papel de um Presidente da República ter uma agenda alternativa de governação” e essa agenda, diz ainda José Sócrates, “discute-se nas legislativas e não nas presidenciais”. De acordo, até sublinha o candidato a Belém, mas a opinião pode e deve ser conhecida.

“Um Presidente da República não tem que ter uma agenda de governação. E eu não tenho" lembrou Alegre à TSF. "Não sou candidato, e já o disse, nem para derrubar governos nem para governar por interposta pessoa. E é por isso mesmo eu sou crítico do conceito de cooperação estratégica, que significa uma partilha da definição das políticas de governo. Mas isso não quer dizer que o Presidente ou um candidato não tenha opinião sobre os grandes problemas nacionais.”

Manuel Alegre reforçou à TSF algumas das críticas que tem feito a Cavaco Silva, sem referências directas ao actual Presidente da República, mas com destinatário perfeitamente identificado: “Eu acho que um candidato a Presidente deve emitir esta opinião, acho que o Presidente da República também devia ter uma opinião sobre isto. Mas com certeza é diferente da minha porque se calhar defende critérios mais monetaristas. E penso que aliás o próprio Primeiro Ministro não diverge muito da minha opinião nesta matéria, simplesmente os países mais frágeis, como é o caso de Portugal, ou de economia mais frágil, estão neste momento submetidos, frisou, a uma estratégia que bloqueia o seu crescimento.”

A crítica ao monetarismo na Europa

Recorde-se que na passada sexta-feira, em Bragança, o candidato explicou por que razão o PEC está tão condicionado: “a discussão sobre o PEC não pode ser desligada do contexto europeu e dos critérios que dele resultam”. Alegre criticou a “grande desorientação da União Europeia”, que, quando a crise financeira desencadeou a crise económica, "apresentou um plano anti-crise, com medidas que implicaram aumento de despesa pública" e agora, "retoma o discurso da estabilidade monetária e do controle de uma inflação que neste momento quase não existe.” “Voltou-se ao monetarismo puro e duro com efeitos perversos sobre o crescimento económico, disse ainda Manuel Alegre em Bragança e, por isso, é necessário “repensar os critérios monetaristas que estão a contaminar a Europa".

O Presidente não deve falar para não dizer nada

À TSF Manuel Alegre afirmou ainda: “O Presidente não está inibido de ter uma opinião. E deve dizê-la claramente. O que não deve é falar para não dizer nada ou então gerir silêncios prudentes, porque às vezes a gestão de silêncios cria maior instabilidade do que emitir uma opinião.”

A TSF recordou que ontem o Presidente da República falou, apenas para dizer que espera que se cumpra o ciclo formal deste Programa de Estabilidade e Crescimento, apelando ao consenso e esperando que o diploma seja aperfeiçoado com o contributo de todos os partidos políticos.