"A grande poesia não cabe num tweet"
Manuel Alegre
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Manuel Alegre em Bragança:
“É preciso repensar os critérios monetaristas que estão a contaminar a Europa”
19-03-2010

"A discussão sobre o PEC não pode ser desligada do contexto europeu e dos critérios que dele resultam. Mas não me parece que haja neste PEC um suficiente esforço de partilha" afirmou Manuel Alegre a partir de Bragança, num jantar de apoio à sua candidatura, que reuniu mais de 200 pessoas.
Veja o discurso AQUI

Segundo o candidato, "é um escândalo para a saúde da República" que "enquanto se impõe o congelamento de salários na Função Pública haja gestores dde empresas com capitais públicos que se atribuem milhões de euros de prémios e benefícios".

Manuel Alegre considerou ainda que no PEC "há consolidação a mais e crescimento a menos" e verberou "a privatização de serviços públicos essenciais", como a Rede Eléctrica Nacional (REN) e os CTT "ainda por cima rentáveis". "Não se está a pretender uma melhoria da sua gestão e uma resposta ao interesse público, mas apenas a querer obter rapidamente uma receita extraordinária" afirmou o candidato, considerando que "estas privatizações, a concretizarem-se, comprometem talvez irremediavelmente o chamado Estado estratega, ou seja, a função estratégica do Estado."

Alegre sublinhou que "como candidato à Presidência da República tenho que defender o espírito e a letra da Constituição, nomeadamente os direitos sociais como direitos inseparáveis dos direitos políticos. Nenhum constrangimento vindo de fora pode pôr em causa serviços públicos essenciais ao povo português como a Segurança Social, a Escola Pública e o Serviço Nacional de Saúde."

"Verifica-se neste processo uma grande desorientação da União Europeia" disse ainda Manuel Alegre. "Em nome do risco do sistema, a UE incentivou os Estados Membros a introduzirem dinheiro nos bancos. Não houve controle da forma como esse dinheiro foi aplicado" e depois, quando a crise financeira desencadeou a crise económica, a UE "apresentou um plano anti-crise, com medidas que implicaram aumento de despesa pública". Agora, "retoma o discurso da estabilidade monetária e do controle de uma inflação que neste momento quase não existe. Volta-se ao monetarismo puro e duro com efeitos perversos sobre o crescimento económico. É isto o que está em causa." Por isso, concluiu, "é preciso repensar os critérios monetaristas que estão a contaminar a Europa".

Manuel Alegre falou também da desertificação do interior defendendo que "a economia pública é um dos últimos obstáculos contra a desertificação" e que "deve ser completada com o investimento da sociedade civil e a fixação de novas empresas."

Numa crítica implícita a Cavaco Silva, o candidato afirmou que "falar mas nada dizendo; pronunciar-se mas nada propondo ou intervir mas nada acrescentando é um exercício vazio e nulo de propósito" reivindicando para o Presidente da República o papel de "indicar o caminho e não os atalhos".

Manuel Alegre recordou a importância da próxima eleição presidencial. "Há quem pense, e isso foi claramente dito no congresso do PSD, que a reeleição do actual Presidente é fundamental para a união do bloco conservador e o seu regresso ao poder", disse. "É isso o que está também em causa" para Manuel Alegre, que considera que essa reflexão "tem de ser feita não só por toda a esquerda, não só por todos os socialistas, mas por todos os portugueses, de todos os quadrantes, que querem uma cidadania mais avançada e um Portugal mais moderno, mais aberto, mais justo e mais de todos."