"Entre o agora e o nunca / lá onde só se chega não chegando / um pouco antes talvez depois / quando."
Manuel Alegre
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Manuel Alegre na morte de Jorge Sampaio:
Tinha uma visão de estadista e foi fulcral na construção do Portugal democrático
10-09-2021 Lusa

Manuel Alegre lamentou hoje "com mágoa" a morte do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e enalteceu a "visão de estadista" de uma figura que considerou fulcral na construção do Portugal democrático. “Quando o conheci, há 60 e tal anos, numa assembleia magna muito tensa e difícil, realizada no velho Palácio dos Grilos, em Coimbra, eu ia subir à tribuna e senti uma pancada nas costas. Voltei-me e vi-o, com o cabelo muito ruivo ainda, a dizer-me: ‘Eu venho de Lisboa e trago-vos a nossa solidariedade, em nome da Reunião Inter-Associações (RIA)'”, recordou. Jorge Sampaio foi, sustentou, uma das principais figuras da “consolidação da democracia portuguesa”.

Manuel Alegre lembrou o também antigo secretário-geral do PS como uma pessoa que “não era exaltada, às vezes enervava-se, sabia construir pontes e tinha uma visão política moderna” sobre o país, assim como uma “visão estratégica sobre a posição de Portugal no mundo”.

“Na minha opinião, foi o Presidente que melhor exemplificou os dois poderes que tem um Presidente, quando decidiu não dissolver a Assembleia (da República) e nomear o então primeiro-ministro Santana Lopes, porque havia uma maioria, e quando depois, por razões de estabilidade política, decidiu dissolvê-la”, disse Manuel Alegre, acrescentando que este exemplo mostra a “visão lúcida própria, muito autónoma” e também “de estadista” de Sampaio.

A visão de Jorge Sampaio sobre Portugal, sustentou Manuel Alegre, já estava espelhada quando eram mais novos: “Estivemos juntos nas lutas estudantis, estivemos juntos na luta antifascista e anticolonial, mesmo quando estava no exílio ele manteve sempre contacto com aqueles que estavam em Argel, em Paris, em vários pontos do mundo. Participou, de uma maneira ou de outra, em todos os combates significativos pela democracia portuguesa antes do 25 de Abril, na luta contra a ditadura”.