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Alegre olha para o Reino Unido e avisa: "A vida está difícil para os socialistas"
09-05-2015 João Pedro Henriques

Histórico do PS diz que a "tentação centrista" é suicidária para os socialistas e pede ao seu partido "reflexão enquanto é tempo". O centro, diz, limita-se a seguir "dinâmicas de vitória".

Manuel Alegre viu o resultado das eleições no Reino Unido com preocupação e daí nasceu um "apelo à reflexão"no seu partido.

Olhando para o crescimento do Partido Conservador de David Cameron (que passou a ter maioria absoluta na Câmara dos Comuns) e para a perda de influência do Partido Trabalhista (232 deputados eleitos, menos 26 do que em 2010), o histórico do PS constata que "a vida está difícil para os socialistas".

Segundo acrescenta, estão "a pagar a fatura por tentar vencer ao centro". "Faço um apelo à reflexão, enquanto é tempo. Que o PS compreenda que a porta é estreita mas que a diferença que tem de afirmar não se faz ao centro."

O problema - explica - é que "o centrismo não tem autonomia política", "mobiliza-se apenas por dinâmicas de vitória". E "a direita assume a sua ideologia e as suas causas e vai ao combate e arrasta o centro" para o seu lado. Dito de outra forma: para os socialistas, tentar infletir o seu discurso em direção ao centro é uma "tentação fatal". "O centrismo conduz os socialistas à derrota." Mas há espaço para discursos de esquerda socialista, e nas eleições no Reino Unido a prova disso foi, na sua análise, o resultado do Partido Nacionalista Escocês, fortemente defensor, por exemplo, da manutenção de um Estado social forte.

Alegre recorda o caso do seu amigo Lionel Jospin, figura maior do Partido Socialista Francês. Nas presidenciais de 2002 candidatou-se com unm discurso de centro. Resultado: não passou à segunda volta e foi - para grande choque então na Europa - ultrapassado pelo (então) líder da extrema-direita, Jean-Marie Le Pen (que depois, nessa segunda volta, perdeu para o conservador Jacques Chirac).

Constata, além do mais, um problema grave na relação entre os socialistas europeus e o rumo da construção europeia - problema que segundo deixa implícito tem quase a dimensão de um cisma: "O Muro (de Berlim) caiu em cima dos comunistas e agora é o Tratado de Maastricht que está em cima dos socialistas." Pelo Tratado de Maastricht foi instituída a União Económica e Monetária, ou seja, o euro, que começou a circular em Portugal em 2002.