"Há um descuido e uma ignorância muito grande para um povo antigo como o nosso"
Manuel Alegre
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Alegre e Soares querem Seguro a censurar governo
13-03-2013 DN (excertos)

Manuel Alegre junta-se a Mário Soares apelando ao PS para que passe das palavras aos actos e apresente uma moção de censura ao governo – ou vote uma que venha a ser apresentada à sua esquerda, pelo PCP ou pelo BE. Comentando um artigo de Mário Soares no DN – onde o antigo Presidente da República escreveu que “se fosse deputado votaria a favor” de uma moção de censura, mesmo vindo do PCP – , Alegre afirma que este é “um grande alerta” porque “se os partidos não cumprem o seu papel, o descontentamento volta-se contra os partidos e contra o sistema político no seu conjunto”.

“É um artigo muito lúcido que tira as conclusões do que se passou por exemplo na Itália e do que se pode passar noutros países da Europa e é também um alerta ao PS”, sublinha Alegre ao DN.

Para o histórico socialista – que há semanas reatou relações com Soares depois de um “divórcio” com origem nas presidenciais de 2006 – é de salientar que “o PS declarou que está em ruptura com o Governo”. Porém, acrescenta, “a verdade é que o Governo não cai por si e o papel do PS é fundamental”. “Já sabemos que uma moção de censura pode ser derrotada pela maioria mas concordo com as preocupações de Mário Soares e com o alerta que ele lança aos partidos e nomeadamente ao PS. Falta a expressão política e institucional do descontentamento.”

Ou, dito de outra forma: “Há um momento em que é preciso ir mais à frente” e perante as afirmações do Governo na sétima avaliação (mais desemprego, mais recessão, mais défice) então “algo tem de acontecer, não bastam as palavras, é preciso tirar as consequências”.
Uma moção de censura reunindo o voto favorável de toda a oposição seria ainda, segundo Alegre, um “sinal importante para o País” mas também “um sinal muito importante para o Presidente da República”

No artigo da edição de ontem no DN, Mário Soares escreveu ainda que, “como é de regra, na política partidária ou se está de um lado ou do outro” – “estar a meio caminho só serve para os partidos se enfraquecerem.” E o “vasto eleitorado” do PS tem razões para estar “desconfiado” enquanto o partido não pedir a demissão do Governo.