"Por vezes tive a sensação de que um discurso pode mudar as coisas"
Manuel Alegre
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Lusa
Lusa
Manuel Alegre em discurso histórico no comício do PS em Lisboa:
“O nosso objetivo é vencer e impedir o retrocesso social e político”
28-01-2022

"O PS não se confunde nem se engana no inimigo. O nosso confronto é com o PSD e com os seus aliados de direita e, pelos vistos, de extrema-direita. O nosso objetivo é vencer as eleições e impedir um retrocesso social e político. E é por isso que, no dia 30 de janeiro, o voto progressista, o voto para consolidar e desenvolver a nossa democracia, no espírito com que ela nasceu e se desenvolveu, esse voto deve ser concentrado no PS", afirmou Manuel Alegre ontem no comício socialista no Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa.

Muito aplaudido, Manuel Alegre começou por recordar “a assinatura do PS” em momentos chave desde o 25 de Abril: a consolidação da democracia, a aprovação da Constituição da República Portuguesa, a construção do Estado de Direito e do Estado Social. Alegre recordou a criação do SNS, com um projeto de lei de 23 de novembro de 1978, subscrito por Mário Soares, Salgado Zenha, António Arnaut e ele próprio, arrancando uma enorme salva de palmas. Continuou a enumerar as marcas do PS na defesa da escola pública, da segurança social pública e do rendimento mínimo garantido, actual RSI, grande arma no combate à pobreza. Recordou por fim que a abertura de Portugal ao mundo também tem a assinatura do PS, com a adesão à então CEE, hoje União Europeia, e a criação da CPLP.

Alegre recordou que naquele mesmo pavilhão se realizou, em 26 de janeiro de 1975, o primeiro grande comício do PS, com Mário Soares e Salgado Zenha a defender a liberdade e a democracia. Ao lembrar o refrão que nessa altura ecoou dentro e fora do pavilhão, “quanto mais a luta aquece…”, a plateia reagiu de imediato, completando “…mais força tem o PS”.

Para Manuel Alegre, o PS é um “partido da liberdade, tolerância e direitos sociais inseparáveis dos direitos políticos”, que não deixará passar a extrema-direita, ao contrário do PSD “que já deixou”. “Que sentido faria ter um governo influenciado por um partido racista e xenófobo? Como seriam as relações com os PALOP ao sermos governados por um senhor que trata como bandidos os moradores negros dos bairros sociais?”, questionou, lembrando que até as relações entre Portugal e a União Europeia seriam prejudicadas.

“Esta é uma linha vermelha que não se deveria ser passar no Portugal democrático. Com António Costa e com o PS, a extrema-direita não passa. Com o PSD e Rui Rio, já está a passar e isso é uma tristeza para a nossa democracia" disse o orador. "O 25 de Abril de 1974 fez-se para derrubar o fascismo, não para que no Portugal democrático possa haver um Governo apoiado ou influenciado por forças da extrema-direita", concluiu, enquanto a sala aplaudia e se ouvia entoar por muitos: “Não passarão”.

O histórico socialista analisou a crise provocada pelo chumbo do orçamento: "Camaradas, os que me conhecem sabem que sempre me bati pela convergência das esquerdas, mas sei por vivência própria que o sectarismo corta a convergência e torna o diálogo mais difícil, mesmo para quem sabe fazer pontes, como é o caso do secretário-geral do PS", declarou. Foi "com mágoa e indignação", confessou, que viu "dois partidos da esquerda juntarem os seus votos à direita e à extrema-direita para chumbarem um Orçamento progressista, abrindo esta crise política". E acrescentou, dirigindo-se aos parceiros da “geringonça”: "É com mágoa, mas sem surpresa, que vejo alguns dirigentes desses partidos a fazerem campanha contra o PS, como se o PS fosse o inimigo principal, retomando uma tradição de má memória histórica.”

Alegre recordou que o PS “é da esquerda democrática e reformista, nunca foi um partido leninista — esta clarificação democrática deve ser feita, mesmo em diálogo e em debate”. “Somos herdeiros de Léon Blum e de Olaf Palm, e não de Lenin ou de Trotsky”, disse, arrancando novamente um aplauso prolongado. “Não se pode passar a campanha a atacar António Costa e depois, com alguma presunção, convidá-lo para uma reunião em 31 de Janeiro”, rematou.

O orador elogiou António Costa por ter ultrapassado "traumas à esquerda e derrubado muros". Mas, dirigindo-se a toda a esquerda, advertiu: "Se ainda não aprenderam, é preciso dizer com toda a clareza: sem o PS e contra o PS, não há soluções de esquerda em Portugal", suscitando de novo uma grande ovação. Alegre deixou ainda um reparo contra outros radicalismos, claramente endereçado, sem o nomear, ao PAN: “Que sentido fazem os excessos de radicalismo camuflados, supostamente modernos, mas assentes em visões culturais intolerantes que tentam impor os seus gostos e proibir atividades multiseculares do povo português?”.

Manuel Alegre lembrou aos que ainda possam estar indecisos que “não escolher é também uma forma de escolha, às vezes contra os próprios interesses e os próprios direitos”. E, para concluir, deixou o apelo final: "O PS não se confunde nem se engana no inimigo. O nosso confronto é com o PSD e com os seus aliados de direita e, pelos vistos, de extrema-direita. O nosso objetivo é vencer as eleições e impedir um retrocesso social e político. E é por isso que, no dia 30 de janeiro, o voto progressista, o voto para consolidar e desenvolver a nossa democracia, no espírito com que ela nasceu e se desenvolveu, esse voto deve ser concentrado no PS".

Veja o discurso integral de Manuel Alegre AQUI