"Amália, mais do que ela, é todos nós"
Manuel Alegre
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“Amália, mais do que ela, é todos nós”: Manuel Alegre dedica tributo a Amália Rodrigues
18-07-2020 Nuno Galopim, Expresso

Manuel Alegre, último poeta vivo que Amália cantou, dedica-lhe um tributo na forma de um livro. Os poemas cantados, dois inéditos a ela dedicados, textos em prosa e outros mais poemas sobre o fado (a maioria deles nunca antes publicados) surgem agora reunidos em “As Sílabas de Amália”, um livro lançado pela D. Quixote que “é uma homenagem ao Alain Oulman, que tinha um grande instinto para o que na poesia era ao mesmo tempo culto e popular” e que é também “um tributo a Amália, porque”, como explica o autor ao Expresso, “Amália, mais do que ela, é todos nós”.

Também com uma edição em audiolivro lido pelo próprio Manuel Alegre, este volume é testemunho de uma relação de convívio e amizade. “Reuníamo-nos em Coimbra para ouvir os discos dela”, recorda o autor, lembrando que nesses dias Amália “era já uma referência e uma inspiração, uma voz de poesia e para a poesia, popular e culta”. Foi através de Oulman que Manuel Alegre a conheceu em Paris, já depois de ter gravado ‘Trova do Vento que Passa’. Com Adriano, que antes dera a sua voz e música a este poema, “a Trova foi um hino da resistência” e “é significativo que Amália a tenha cantado sabendo isso”, sublinha Manuel Alegre, que acrescenta ainda que “com Amália a ‘Trova’ é uma versão mais lírica, um canto de exílio e amor pelo país”.

Amália cantou Manuel Alegre mais vezes, como aconteceu com ‘O meu Amor é Marinheiro’ ou ‘Abril’. “Os poemas já estavam escritos e publicados” e todos eles “foram escolhidos e musicados por Alain Oulman”. Sempre que a encontrava, “já depois do 25 de Abril”, Amália perguntava-lhe “pelos versos”. Amália, defende Manuel Alegre, “deu outra dimensão ao fado”. Tornou-o “mais nacional e mais universal”. O poeta diz ainda que Amália “levou a poesia até ao povo”. Manuel Alegre disse-lhe “uma vez que os poemas de Camões por ela cantados tinham sido escritos por ele para ela”. Concorda por isso com Hernâni Cidade, que afirmou que “Camões é o mais fadista dos poetas portugueses”.