"É preciso subverter o discurso cinzento e tecnocrático e recuperar a força primordial da palavra"
Manuel Alegre
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António, "o que foi rei por nunca o ser"
15-11-2017

“Manuel Alegre levantou um auto a D. António, auto não de pena e castigo, mas auto de poemas”, escreveu Borges Coelho na mensagem lida na apresentação do mais recente livro do poeta, “Auto de António – Último Príncipe de Avis”, uma edição das Publicações Dom Quixote.
Borges Coelho não pôde comparecer por razões de saúde, mas não quis deixar de enviar a sua mensagem. Certo é que, confessou Manuel Alegre, o historiador, com “Os Filipes”, V volume da História de Portugal que tem vindo a publicar, esteve na origem deste “Auto de António”, um livro “com muitas camadas”, como disse o crítico José Mário Silva, que, segundo Manuel Alegre, fala do Prior do Crato, “de todos nós e também de mim”.

A sessão centrou-se num animado diálogo entre o jornalista e crítico literário José Mário Silva e Manuel Alegre, ao longo do qual desfilaram o mistério, a grandeza e a tragédia da figura de D. António,” que foi de Portugal e do mundo”, pois “é de Portugal que neste livro se fala”, sublinhou Manuel Alegre.

No final o actor Luís Lucas e Manuel Alegre leram alternadamente alguns poemas do livro, perante uma assistência que se surpreendia quer com a vida de um personagem insubmisso a quem “quiseram tirar da História”, quer com a nova linguagem, coro de muitas vozes, que Manuel Alegre escolheu para esta “visitação poética” de um herói que, segundo o autor, “devia estar na Batalha, como último da dinastia de Avis.” Revelação também a resistência do povo na rua à dominação dos Filipes, que Borges Coelho tão bem retrata e que transparece ao longo do “Auto de António”, “o que foi rei por nunca o ser.”