"Há um descuido e uma ignorância muito grande para um povo antigo como o nosso"
Manuel Alegre
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D. António, Prior do Crato, em novo livro de poemas de Manuel Alegre
27-09-2017 Jornal de Letras

“Este livro não é uma biografia, é uma revisitação poética da figura de Dom António, Prior do Crato. Foi escrito através de várias falas, inclusive a daqueles que nunca falaram e a do próprio autor. Ao longo do livro a figura de Dom António projecta-se em vários tempos e várias gerações e no nosso próprio tempo, sobretudo naqueles que resistiram e que tal como ele nunca se renderam”, diz Manuel Alegre a propósito do seu próximo livro de poemas, Auto de António, que chegará às livrarias a 10 de outubro, com a habitual chancela do autor, a D. Quixote.

O poeta, Prémio Camões 2017, em cuja obra a História de Portugal, figuras e acontecimentos da História de Portugal sempre tiveram grande presença e peso simbólico, desde a Praça da Canção, considera Dom António, o último Príncipe de Avis (1531-1595), um “herói injustiçado” – que sempre o fascinou. E no final do livro são citados fragmentos de textos sobre ele, que terão inspirado alguns dos poemas, de Jorge de Sena (O Indesejado), Urbano Tavares Rodrigues (Os Cadernos Secretos do Prior do Crato) e, sobretudo, António Borges Coelho, de Os Filipes – em que em certo passo se pode ler: “Era o rei do povo miúdo e também do povo médio, dos frades e do baixo clero e de jovens fidalgos que o serviram até ao fim. A sua coragem punha a nu a cobardia da ordem que tinha como missão a defesa, em particular as grandes casas titulares.”

“Aclamado Rei em Lisboa, Santarém e Setúbal, Dom António Prior do Crato nunca se rendeu”, reitera o poeta.“Travou uma das batalhas mais honrosas da História de Portugal – a Batalha de Alcântara, a que têm chamado escaramuça, mas que foi na verdade um acto de resistência dos restos de cavalaria e do povo de Lisboa praticamente desarmado, contra o mais poderoso exército da Europa chefiado pelo Duque de Alba”, diz ainda o poeta, que recorda: “As tropas castelhanas foram combatidas pelos lisboetas rua a rua, bairro a bairro, com paus, facas, tudo o que tivessem à mão. Raptaram mulheres e crianças, mataram e esquartejaram, a ocupação de Lisboa foi tudo menos pacífica. Com um povo mal armado, libertou Coimbra, a seguir Aveiro, depois o Porto e foi até Viana, onde a superioridade das tropas espanholas o obrigou a fugir e esconder-se. Filipe de Espanha ofereceu milhares de ducados a quem o capturasse vivo ou morto. Ninguém o denunciou.”

E é exactamente sobre a Batalha de Alcântara um dos 25 poemas do livro, que antecipamos AQUI.