Lisboa bairro a bairro rua a rua/ por seu reino e por seu rei/ quantos ao certo não sei/ defendiam uma bandeira rota/ além da morte além do fim./ Quando é assim/ não há derrota.
Manuel Alegre
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A japoneira no cemitério de Nogueira da Regedoura
A japoneira no cemitério de Nogueira da Regedoura
Manuel Alegre homenageia o "médico dos pobres" morto pela PIDE em 1940
"Romance de uma árvore à beira do caminho"
23-03-2017

Há cinquenta anos, em "O Canto e as Armas", Manuel Alegre publicava o poema "Romance de uma árvore à beira do caminho" sobre António Ferreira Soares, o "médico dos pobres" e militante comunista que se escondia numa japoneira, no cemitério, para escapar aos esbirros da PVDE, antecessora da PIDE. Acabou por ser alvejado pela polícia política de Salazar, em 4 de julho de 1942, com 14 balas à queima-roupa. Esta sexta-feira, às 11.30, o poeta prestará homenagem ao Dr. Prata, como era conhecido, no cemitério de Nogueira da Regedoura, com a presença de amigos, camaradas e familiares.

Testemunha da época conta que no dia do assassinato viu passar um homem num carro de bois, com um lenço vermelho ao pescoço, que dizia: "Assassinaram o homem mais respeitado, o que fazia mais falta ao povo”.

Ferreira Soares queria ser sepultado à sombra da japoneira que lhe serviu de esconderijo, que ele mesmo regava. Já não é a mesma árvore que hoje lhe dá sombra. Várias japoneiras foram arrancadas, quando se aproximava um aniversário do assassinato, mas a sua vontade nunca deixou de ser cumprida. Arrancada uma, logo outra era plantada. Foi essa história que o poeta cantou no seu "Romance de uma árvore à beira do caminho" e que irá recordar, lendo o poema à beira da campa de Ferreira Soares, em Nogueira da Regedoura, hoje integrada no concelho de Vila da Feira mas, à época, pertencente ao concelho de Espinho.

Veja o poema ""Romance de uma árvore à beira do caminho" AQUI