Lisboa bairro a bairro rua a rua/ por seu reino e por seu rei/ quantos ao certo não sei/ defendiam uma bandeira rota/ além da morte além do fim./ Quando é assim/ não há derrota.
Manuel Alegre
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De Hélia Correia e Jaime Rocha para Manuel Alegre:
“Este País Não Serve nos Teus Ombros”
23-03-2013

Hélia Correia e Jaime Rocha dedicaram a Manuel Alegre um comovente poema, intitulado “Este País Não Serve nos Teus Ombros”, que é, ao mesmo tempo, um lamento pungente por “este país de polyester / made in china,/ esta fazenda atrofiada” e uma homenagem ao poeta pelo “… que ainda assenta bem / sobre os teus ombros”, que “é o manto da página./ É a voz / com todo o seu tecido. / Uma grandeza / cobrindo e descobrindo / outra grandeza, / conforme o vento passa /e nos responde. (…)”.

A estrofe final do poema foi escolhida para o livro “para Manuel Alegre”, lançado sábado passado no Porto, como noutro local noticiamos.

Aqui fica o registo integral de “Este País Não Serve nos Teus Ombros”, um poema que é um gesto de grande cumplicidade e admiração de dois poetas para com Manuel Alegre.

Este País Não Serve nos Teus Ombros

Para Manuel Alegre

Este país não serve nos teus ombros.
É estreito e, aliás, tem mau cair.
Quando era farda inquisitorial,
ainda assim,
deixava passar luz.
Pois o poema perfurava tudo
e ajudava a rasgar.

Agora tens
este país de polyester
made in china,
esta fazenda atrofiada que não está
já na tua medida
e ao teu gosto.
Quem foi o alfaiate, perguntamos.
Não dá a cara, não assina. Cose
os países em série.
Em cadeia.

O que ainda assenta bem
sobre os teus ombros
é o manto da página.
É a voz
com todo o seu tecido.
Uma grandeza
cobrindo e descobrindo
outra grandeza,
conforme o vento passa
e nos responde.

Hélia Correia/Jaime Rocha
Lisboa, Março de 2013