“Estou aqui com muita emoção, porque aqui se combateu, aqui morreram muitos militares angolanos e portugueses. Vejo com muita emoção uma escola aqui, num local em que antes foram travados duros combates”, disse Manuel Alegre hoje em Nambuangongo, província do Bengo, região em que esteve a cumprir serviço militar na década de 1960. “Levo a imagem de uma escola a nascer e da vida a florir num local que era de morte” sublinhou Manuel Alegre neste retorno a Nambuangongo, onde se emocionou ao visitar campas de soldados angolanos e portugueses que com ele estiveram a lutar naquele local durante a guerra colonial. Ler mais
A língua portuguesa "é uma arma que nós temos", afirmou Manuel Alegre esta tarde na entrega do Prémio Leya 2009 ao escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho. Manuel Alegre sublinhou que a língua portuguesa que é "uma das línguas mais faladas do mundo. É uma grande riqueza para quem não é rico", acrescentando que é preciso a trazê-la "para a linha da frente da acção política na cena internacional", pois "se as relações económicas têm cada vez mais um papel essencial, não esquecemos que a língua e a cultura é que fazem a alma de uma nação."
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"A Europa é uma soberania partilhada mas não pode ser uma restrição à soberania própria de cada país" afirmou Manuel Alegre à Lusa em Luanda, no último dia da sua visita privada a Angola. A propósito do PEC, Manuel Alegre, embora salvaguardando que ainda "conhece pouco" do documento, sublinhou: "Estar na Europa não significa uma diluição nacional, pelo contrário obriga a ter uma maior consciência do nosso papel como Nação." Ler mais
Manuel Alegre depositou uma flor na campa do soldado português José António Teixeira Pinto (Companhia 352, Batalhão de Cavalaria 350) morto em combate a 15 Agosto de 1962. Nessa data, Manuel Alegre passou pela primeira vez em Nambuangongo, a caminho de Quipedro. Lembrou o seu amigo, Alferes Manuel Ortigão, cuja morte, provocada por uma mina, inspirou o poema "Canção com lágrimas e sol", musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira. Ler mais
O poeta Manuel Alegre lembrou hoje em Luanda Alda Espírito Santo como uma "fundadora da consciência nacional" de São Tomé e Príncipe e afirmou que foi "com muita pena" que soube da sua morte. Lembrando que conheceu a poetisa santomense, Manuel Alegre, que se encontra em Luanda numa visita privada, disse à Lusa que os textos de Alda Espírito Santo não tiveram apenas importância no seu país. "A sua poesia teve importância em todo o movimento anticolonial e em todos os países de expressão portuguesa... É com pena que sei da sua morte, são os ciclos da vida... Ela pertence a esse círculo de fundadores pela via da poesia", afirmou. Ler mais
Em Nambuangongo tu não viste nada
não viste nada nesse dia longo longo
a cabeça cortada
e a flor bombardeada
não tu não viste nada em Nambuangongo.
Falavas de Hiroxima tu que nunca viste
em cada homem um morto que não morre.
Sim nós sabemos Hiroxima é triste
mas ouve em Nambuangongo existe
em cada homem um rio que não corre.
Em Nambuangongo o tempo cabe num minuto
em Nambuangongo a gente lembra a gente esquece
em Nambuangongo olhei e fiquei nu. Tu
não sabes mas eu digo-te: dói muito.
Em Nambuangongo há gente que apodrece.
Em Nambuangongo a gente pensa que não volta
cada carta é um adeus em cada carta se morre
cada carta é um silêncio e uma revolta.
Em Lisboa na mesma isto é a vida corre.
E em Nambuangongo a gente pensa que não volta.
É justo que me fales de Hiroxima.
Porém tu nada sabes deste tempo longo longo
tempo exactamente em cima
do nosso tempo. Ai tempo onde a palavra vida rima
com a palavra morte em Nambuangongo.
Manuel Alegre
Praça da Canção, 1965