"não tu não viste nada em Nambuangongo"
Manuel Alegre
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da esquerda para a direita: Van-Duném Pereira João, Manuel Alegre e o deputado Adão Cristovão Neto, em Nanbuangongo
Manuel Alegre em Nambuangongo:
08-03-2010 com Angop

“Estou aqui com muita emoção, porque aqui se combateu, aqui morreram muitos militares angolanos e portugueses. Vejo com muita emoção uma escola aqui, num local em que antes foram travados duros combates”, disse Manuel Alegre hoje em Nambuangongo, província do Bengo, região em que esteve a cumprir serviço militar na década de 1960. “Levo a imagem de uma escola a nascer e da vida a florir num local que era de morte” sublinhou Manuel Alegre neste retorno a Nambuangongo, onde se emocionou ao visitar campas de soldados angolanos e portugueses que com ele estiveram a lutar naquele local durante a guerra colonial. Ler mais

Manuel Alegre ontem em Maputo com Óscar Monteiro
Manuel Alegre em Maputo na entrega do Prémio Leya:
04-03-2010

A língua portuguesa "é uma arma que nós temos", afirmou Manuel Alegre esta tarde na entrega do Prémio Leya 2009 ao escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho. Manuel Alegre sublinhou que a língua portuguesa que é "uma das línguas mais faladas do mundo. É uma grande riqueza para quem não é rico", acrescentando que é preciso a trazê-la "para a linha da frente da acção política na cena internacional", pois "se as relações económicas têm cada vez mais um papel essencial, não esquecemos que a língua e a cultura é que fazem a alma de uma nação."
Veja o discurso integral AQUI Ler mais

Manuel Alegre em Luanda sobre o PEC:
09-03-2010 Lusa

"A Europa é uma soberania partilhada mas não pode ser uma restrição à soberania própria de cada país" afirmou Manuel Alegre à Lusa em Luanda, no último dia da sua visita privada a Angola. A propósito do PEC, Manuel Alegre, embora salvaguardando que ainda "conhece pouco" do documento, sublinhou: "Estar na Europa não significa uma diluição nacional, pelo contrário obriga a ter uma maior consciência do nosso papel como Nação." Ler mais

Uma flor por Nambuangongo
48 anos depois
08-03-2010

Manuel Alegre depositou uma flor na campa do soldado português José António Teixeira Pinto (Companhia 352, Batalhão de Cavalaria 350) morto em combate a 15 Agosto de 1962. Nessa data, Manuel Alegre passou pela primeira vez em Nambuangongo, a caminho de Quipedro. Lembrou o seu amigo, Alferes Manuel Ortigão, cuja morte, provocada por uma mina, inspirou o poema "Canção com lágrimas e sol", musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira. Ler mais

Alda Espírito Santo
Manuel Alegre sobre Alda Espírito Santo:
09-03-2010 Lusa

O poeta Manuel Alegre lembrou hoje em Luanda Alda Espírito Santo como uma "fundadora da consciência nacional" de São Tomé e Príncipe e afirmou que foi "com muita pena" que soube da sua morte. Lembrando que conheceu a poetisa santomense, Manuel Alegre, que se encontra em Luanda numa visita privada, disse à Lusa que os textos de Alda Espírito Santo não tiveram apenas importância no seu país. "A sua poesia teve importância em todo o movimento anticolonial e em todos os países de expressão portuguesa... É com pena que sei da sua morte, são os ciclos da vida... Ela pertence a esse círculo de fundadores pela via da poesia", afirmou. Ler mais

Arquivo 2005-2009
08-03-2010

Em Nambuangongo tu não viste nada
não viste nada nesse dia longo longo
a cabeça cortada
e a flor bombardeada
não tu não viste nada em Nambuangongo.

Falavas de Hiroxima tu que nunca viste
em cada homem um morto que não morre.
Sim nós sabemos Hiroxima é triste
mas ouve em Nambuangongo existe
em cada homem um rio que não corre.

Em Nambuangongo o tempo cabe num minuto
em Nambuangongo a gente lembra a gente esquece
em Nambuangongo olhei e fiquei nu. Tu
não sabes mas eu digo-te: dói muito.
Em Nambuangongo há gente que apodrece.

Em Nambuangongo a gente pensa que não volta
cada carta é um adeus em cada carta se morre
cada carta é um silêncio e uma revolta.
Em Lisboa na mesma isto é a vida corre.
E em Nambuangongo a gente pensa que não volta.

É justo que me fales de Hiroxima.
Porém tu nada sabes deste tempo longo longo
tempo exactamente em cima
do nosso tempo. Ai tempo onde a palavra vida rima
com a palavra morte em Nambuangongo.

Manuel Alegre
Praça da Canção, 1965